Sempre doce. Assim era com todos a bauruense Palmirinha, a culinarista e apresentadora Palmira Nery da Silva Onofre, que morreu na manhã de domingo (7), aos 91 anos, em São Paulo. Humilde e risonha, chamava a todos de amiguinha e amiguinho. Valente, ela foi um exemplo de empreendedorismo feminino quando, há décadas, começou a vender sonhos e outros quitutes para sustentar as três filhas.
Palmirinha faleceu devido a complicações decorrentes de problemas renais crônicos. Ela sempre lembrava com carinho de sua terra natal durante as entrevistas. A Prefeitura de Bauru emitiu nota de pesar pela morte dela e disse que se solidarizava com a família e amigos.
Palmirinha estava internada no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, desde 11 de abril. Ela deixa três filhas, seis netos e seis bisnetos.
A apresentadora começou a trabalhar na TV aos 62 anos, na Record, com Ana Maria Braga, e depois, na TV Gazeta, foi abraçada pelo público ao mostrar que sabia rir de si e dos erros de concordância de português que cometia à beira do fogão, assim como dos lapsos de memória diante das câmeras.
O velório de Palmirinha Onofre ocorreu nesta segunda-feira (8), das 9h às 17h, no Cemitério do Morumbi, em São Paulo. O público se despediu da apresentadora das 11h às 13h. O sepultamento foi reservado aos amigos e familiares.
Em 2011, durante visita a Bauru para divulgar marca de chocolates em uma loja do ramo, Palmirinha foi a entrevistada da semana do JC. Na ocasião, reencontrou conterrâneos, emocionou-se com o carinho dos fãs e falou sobre o fim do programa diário. "Estar aqui, por exemplo, e conhecer minhas 'amiguinhas' de Bauru é uma oportunidade que não tinha antes. Agora, tenho mais tempo para o contato direto com meu público fiel", afirmou.
A apresentadora contou que aprendeu suas primeiras receitas com a mãe, proprietária do primeiro hotel da cidade. "Minha família foi uma das fundadoras de Bauru e o primeiro hotel da cidade foi da minha mãe. Praticamente nasci dentro dele. Então, cozinho desde os cinco anos. Eu era pequenina e minha mãe colocava um banquinho para eu alcançar e ficar mexendo a panela, para virar o lagarto que ela fazia no fogão a lenha", revelou. Aos 5 anos, foi morar em São Paulo com uma senhora francesa, amiga da família, com quem aprendeu a culinária requintada. Mais tarde, voltou a Bauru, casou-se, e teve três filhas. "Lembro-me das brincadeiras livres, do coreto do jardim, dos correios elegantes que recebia dos rapazes (risos). Eu gostava de namorar (risos). Também me lembro das receitas que aprendi aqui, como o pão do sítio, receita que minha mãe fazia no forno a lenha quando morávamos no sítio", disse à época.
Em busca de oportunidades, em 1960, Palmirinha retornou para São Paulo, onde trabalhou duro para sustentar a família, vendendo nas ruas seus sonhos e salgados, até conseguir o reconhecimento na arte de cozinhar. Descoberta pela apresentadora Ana Maria Braga, ela passou a trabalhar no programa Note e Anote, da TV Record, até ganhar o seu próprio programa, o "TV Culinária", da Gazeta, onde trabalhou de 1999 até agosto de 2010.
Palmirinha ainda tinha esperanças de ser curada e retornar para casa, onde morava sozinha, com o auxílio de cuidadores e da filha, Sandra Bucci. "Ela estava lutando muito e pedia: 'Sandra, é hoje que a gente vai sair do hospital. Fala com o médico'", disse Bucci no velório da mãe, nesta segunda (8), no Cemitério do Morumby, em São Paulo.
A apresentadora morou com a filha por cerca de oito anos, mas a pedido da mãe, a filha permitiu que ela tivesse "seu cantinho". Aos 90 anos, Palmirinha foi morar em um apartamento em frente ao prédio da filha, que a visitava diariamente e tinha ajuda de cuidadores 24 horas.
Tânia Rosa, outra filha da apresentadora, diz que a mãe pedia para trabalhar até nos últimos dias de vida. "Ela dizia: 'Será que tem alguma gravação? Tem alguma para eu fazer? Eu preciso ficar boa logo.'"
Durante o velório, Bucci disse que a mãe lutou com todas as forças contra a doença. "Mas ela não conseguiu. A única batalha que não conseguiu vencer foi a doença. Mas ela viveu muito plenamente e fez tudo o que quis. Ela deixa uma lição de força para a gente."
Ana Maria Braga, 74 anos, ficou emocionada durante homenagem à apresentadora Palmirinha Onofre, nesta segunda (8), no Mais Você. A apresentadora da Globo caiu no choro enquanto conversava com as três filhas da amiga, Tânia, Sandra e Nancy, ao vivo. "Ela não era a minha amiguinha. Ela era a minha amigona. Às vezes, ela me ligava, contava os perrengues da vida, porque na vida não são só flores. Ela sempre foi muito forte. Eu amo a Palmirinha", disse.
"Eu acho que vocês têm um legado só de orgulho dessa mulherzinha pequenininha, Palmirinha, que é um mulherão, na verdade", disse às filhas da cozinheira. "Um metro e meio de pura safadeza". E complementou: "É a boa safadeza da vida".
Sandra, uma das filhas, lembrou de quando Ana tentou juntar Palmirinha, na época viúva, com um homem. "Lembra do Osvaldo? Você queria procurar o Osvaldo para ela se casar com ele. Ela já estava viúva. Ela gostava da ideia, viu, Ana."
Tânia, outra filha de Palmirinha, retribuiu o carinho da apresentadora do Mais Você. "Você também é muito importante para nós. Você fez a gente muitas vezes feliz de ver o carinho e a atenção que você tinha com ela. Um beijo no seu coração e fique em paz, porque sabemos que, neste momento, você também está sofrendo."
As duas se reencontraram na TV em 2019, no Mais Você. "Foi muito sofrimento, muitas portas se fechando. Mas, quando entrei para trabalhar com você, fui crescendo. Pude aprender a falar na TV entender meu público. Foi com você, Aninha. Eu cresci com você. Foi por você que ganhei um programa", contou Palmirinha, à época.