As dicas de Marcelo Viana, professor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), apontam para a presença da matemática nas ciências humanas. Muitos conceitos tidos como subjetivos e qualitativos podem possuir um embasamento quantitativo importante. Na literatura acontece o mesmo fenômeno e a matemática pode ser usada desde a elucidação de crimes até o estabelecimento de perfis sociocomportamentais de personagens.
Tais conceitos precisam ser lidos pelos colunistas "de humanas" dos jornais para não caírem em erros bobos quando falam de variação de porcentuais, de comprometimento de orçamento com aposentadorias ou de valores de reajustes de planos de saúde, sem levar em conta princípios estatísticos da distribuição de riscos e compromissos. No mais, é um deleite ler o professor do IMPA que assina uma coluna semanal num desses jornais.
Os físicos do passado eram filósofos. O estudo do entendimento da natureza era um misto de pensamentos puros e aplicações de hipóteses. Até hoje, em inglês, os títulos de doutorado em quase todas as áreas são abreviados PhD que significa Doctor of Philosophy, doutor em filosofia ao pé da letra.
Já fui criticado por afirmar que as ciências humanas são mais difíceis de entender, pois não possuem regras definidas que as chamadas exatas contêm. Minha visão é por ter sido educado durante a parte final da ditadura militar e as aulas de OSPB e Educação Moral e Cívica, além de ideologicamente direcionadas, beiravam o risível. As gerações atuais tiveram a oportunidade de estudar Sociologia e Filosofia. Isso até corromperem o Ensino Médio, mas o assunto ainda está em discussão.
Assim, é emblemático hoje se constatar que a maior deficiência de aulas nessa "nova" concepção de "itinerários formativos" se dê em Biologia, História e Química. Estudar o humano sem o exato e o exato sem o humano nos levará apenas à degeneração cognitiva.