O NOVO VOVÔ

Avôs passam a participar mais da vida dos netos


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Informar-se sobre os interesses dos netos é uma das dicas de especialistas para ser um avô melhor
Informar-se sobre os interesses dos netos é uma das dicas de especialistas para ser um avô melhor

Muitas vezes excluídos das narrativas sobre as relações entre gerações, de alguma forma ainda restrita às avós, já existem hoje avôs no mundo todo reivindicando a importância de seu papel. Reportagem do jornal americano The New York Times mostrou esse movimento, que luta contra os estereótipos construídos ao longo da história. Fatores como status de aposentadoria, saúde e distância geográfica ajudam a determinar o envolvimento dos homens na vida dos netos, embora as expectativas culturais de como avôs devem se comportar sejam confusas.

"Você tem esses estereótipos de gênero", diz Robin Mann, sociólogo da Bangor University, no País de Gales, que estuda a forma como os homens na Inglaterra assumem o papel de avô e como ele se relaciona com a masculinidade. "Os próprios avôs muitas vezes veem o papel como afeminado."

Quando Ted Page se tornou avô, em 2014, ele queria ouvir as histórias de outros homens. "Experiências reais que, com sorte, guiariam os recém-chegados. Estamos entrando em uma nova etapa das nossas vidas", explica Page, 63 anos, de Massachusetts, nos EUA.

Page, cofundador de uma consultoria de marketing, chegou a se perguntar se deveria mostrar fotos dos netos, aos clientes. "Há um pouco de estigma. Isso pode ser visto como uma indicação de que se está pronto para se aposentar."

Enquanto pesquisava na internet informações sobre o novo papel, Page encontrou dezenas de blogs nos quais as avós conversavam, buscavam conselhos e trocavam ideias. Mas blogs para avôs? Nenhum. Então, deu início a seu próprio site, o Good Grandpa (Bom Vovô, em português), onde reflete sobre coisas como a sabedoria de seu próprio avô.

Já a americana Alice Linder, de 78 anos, relatou a relutância do marido em se sentar no chão e brincar com o neto de 5 anos.

"Ele não suporta o barulho", disse Linder, que passa várias tardes cuidando do neto. Seu marido não foi um pai muito participativo", admite.

Há, é claro, avôs mais engajados. Alguns, como George Schweitzer, de 71 anos, executivo aposentado em Nova York, veem o papel como uma segunda chance: quando suas filhas eram mais novas, Schweitzer se dedicou à carreira.

"Eu deitava para ler para elas e pegava no sono", lembra, sobre a época em que fazia questão de voltar para casa antes de as filhas irem dormir." Agora, para ele e sua esposa, que têm 5 netos, é diferente.

No geral, as avós ainda tomam a frente ao passar tempo com os netos. A socióloga da Universidade de Puget Sound, Jennifer Utrata, ao entrevistar dezenas de pais e avós, descobriu uma tendência mesmo quando os avôs estão envolvidos.

Os pesquisadores, no entanto, acreditam que há uma mudança no horizonte. As tendências culturais e demográficas, incluindo a melhora na saúde e o aumento da expectativa de vida, significam que os avôs podem assumir papéis mais ativos.

E há evidências de que os pais de hoje passam mais tempo cuidando de crianças do que os do passado: uma média de oito horas por semana em 2016, em comparação com apenas 2,5 horas em 1965, segundo o laboratório Pew Research Center. À medida que os pais da atualidade se tornam vovôs, cuidar das crianças pode parecer satisfatório.

Outros homens proporcionam cuidados regulares a seus netos - o que os sociólogos chamam de “avôs intensivos” - para auxiliar econômica ou profissionalmente os filhos. Alguns avôs querem só participar da família.

Barry Sage-El, 69 anos, recebe duas vezes por mês suas três netas, com idades entre 3 e 5 anos, um momento divertido, mas também um descanso para os pais. Como sua esposa ainda trabalha, Sage-El é quem supervisiona o passeio, os projetos de arte, leva à sorveteria...

O pontapé para o envolvimento de Jonathan Wolf, de 64 anos, foi simples: seu neto, Nathan, nasceu um mês antes da pandemia. Com o fim das licenças parentais, os pais estavam apreensivos em mandá-lo para a creche. Wolf teve uma resposta “instintiva e automática”: “Eu não estou trabalhando. Se eles precisam de mim para ajudar, eu vou.”

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