Nega e nega muito. Outro dia pela manhã me deparei com este comentário de uma colega na publicação da prefeita, que mais uma vez se faz de vítima e tenta jogar a população contra o servidor, soltando frases de impacto e não provando com dados o que afirma. Vou parafrasear a colega e esclarecer alguns pontos que talvez a população ainda não tenha tão claro. Suéllen nega o caos que a cidade está, nega a incompetência e é apoiada por pessoas que dizem ser grandes conhecedores da máquina pública, mas no dia a dia são patrões, empresários, comissionados com altos salários, pessoas que ao desconhecer a nossa realidade, inflamam a sociedade contra nós.
Pessoas que não usam o serviço gratuito oferecido pelas UPAS, não têm seus filhos e netos nas escolas públicas municipais e tampouco dependem da Emdurb para limpar próximo às suas casas. É inconcebível que estas mesmas pessoas (ou algumas) se indignaram com o uso de 35 milhões de reais na compra de prédios que não geraram 1 vaga sequer para as crianças de nossas cidades, que não veem que em dias como hoje muitas salas estão alagadas, que a compra de um material didático na bagatela de 6 milhões de reais sem consulta aos professores da rede que vai contra toda proposta educacional do município e que depende da Internet para que o seu uso seja na integralidade, não vai acontecer porque hoje nossas escolas ainda estão sem Internet, não temos as caixas de som, e o QR code deverá ser lido utilizando a internet móvel dos professores.
Mas vocês podem falar, ah! Mas vocês ganharam excelentes computadores. Sim, ganhamos computadores que também não têm entrada para CD/DVD. Vocês também sabem a realidade da hora do soninho em nossas escolas? Quando nossos alunos dormem em salas sem ventilação adequada, dividindo colchonetes, criança doente com criança saudável, porque, sim, a escola é entendida por grande parte da sociedade como lugar de cuidar. Por isso não temos o devido valor. As pessoas não se comovem que as "tias" que ficam com seus filhos o dia todo, recebem abaixo do que a lei manda que recebam.
E esta realidade não é apenas das "tias" professoras, as auxiliares, merendeiras, serventes e ajudantes gerais ganham abaixo do salário mínimo. E mais uma vez vocês podem falar: Ah! não está bom, pede para sair, vocês sabiam do salário quando prestaram o concurso. Não vamos pedir para sair pelo óbvio.
Escolhemos estar onde estamos, por estabilidade de inclusive podermos nos revoltar e cobrar péssimos administradores que não cumprem a lei. Vejam as UPAs, enfermagem doente de tanto trabalhar, porque com baixos salários não há quem se sujeite a isso, faltam remédios básicos para a população, pessoas amontoadas nos corredores e os heróis da saúde (é assim que administração faz questão de chamá-los) não tendo o básico para coletar um exame de sangue, aplicar um soro e com isso vendo pacientes inclusive chegarem a óbito sem nada poderem fazer.
Querem mais? Temos!
Vejam as obras da cidade e os bairros que elas estão beneficiando, não é o seu que está localizado na periferia, onde faltam infraestrutura, esgoto e asfalto, é lá na zona sul, onde aqueles mesmos empresários do início do texto moram e vocês aí indo nas redes sociais defendê-la. A população tinha que vir para as ruas se indignar porque motivos tem de sobra, somar com os servidores e não nos xingar, estamos nas ruas por melhores salários? Sim, estamos.
Mas também estamos por melhores condições de trabalho e atendimento a vocês, as pessoas que usam o serviço público.
A greve não é boa para ninguém, mas é o nosso grito de socorro. É greve porque a situação está muito grave.