OPINIÃO

Nossa responsabilidade

Por Paulo Cesar Razuk |
| Tempo de leitura: 3 min
O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica - Faculdade de Engenharia da Unesp – Bauru

Além de todas as dificuldades que enfrentamos nessa nossa curta passagem pela Terra, a crise ambiental, somada a possibilidade de um conflito nuclear, é um acontecimento único na história humana. Não há dúvida: as pessoas que estão vivas hoje decidirão o destino da humanidade.

O fato de estarmos todos interconectados não é algo que vemos de imediato, mas, temos responsabilidades em relação ao que acontece ao nosso ambiente e em nossa comunidade e parar de exigir e retirar deles mais do que colocamos de volta.

Anestesiamos nossas relações humanas, fugimos da responsabilidade que temos uns com os outros e negamos a nós mesmos o verdadeiro potencial de crescer como seres humanos numa comunidade global.

A responsabilidade não é uma coisa que devemos aceitar com relutância, por culpa ou obrigação; ela é um elemento necessário e saudável em nossas vidas. Podemos optar por ignorar a necessidade interior de responsabilidade pessoal, desviando-nos para satisfazer nossos próprios compromissos. Mas, assim como a fome, ela irá nos acossar. Ela irá nos falar por intermédio da nossa consciência, por intermédio de nossa angústia, por intermédio de nossos sentimentos de desorientação. E como a fome, quando saciada, nossos corpos e almas ficarão incomensuravelmente fortalecidos, capacitando-nos a levar uma vida mais significativa.

Sua primeira responsabilidade é com você mesmo, pois, dificilmente poderá ter a esperança de civilizar o mundo a sua volta se sua própria vida está fora de sincronia. Somos todos responsáveis por nossa conduta; você não pode responsabilizar ninguém mais por suas decisões ou ações. Você não pode responsabilizar seus pais, seus professores, seus empregadores. Nem pode responsabilizar o Eterno por tornar a sua vida tão difícil. Não importa o quão intimidador qualquer obstáculo possa parecer, o Eterno não o teria colocado em seu caminho sem lhe ter fornecido a capacidade de superá-lo.

Essa independência é a maior demonstração de dignidade humana. Você - e ninguém mais - é responsável pelo que faz de sua vida. E como cada um de nós recebeu talentos e capacidades distintas, é nossa responsabilidade partilhá-los de forma positiva. Um governante deve governar, um professor deve ensinar, um escritor deve escrever. É sua obrigação perguntar-se como você pode utilizar suas habilidades singulares para melhorar seu mundo.

Na verdade, o mundo foi criado para nos passar a ilusão de desconexão e nos dar a capacidade de escolher o egoísmo ou seu oposto; nos dá a oportunidade de ignorar a dor dos outros e a não acreditar que a negatividade possa estar dentro de nós. Há uma frase memorável atribuída a Mahatma Gandhi: "Você precisa ser a mudança que deseja ver no mundo". Segundo conta a história, ele disse essa frase depois que uma senhora levou seu filho até ele e pediu a Gandhi que o mandasse parar de comer tanto doce. Gandhi pede a mulher que leve a criança de volta e a traga depois de um mês.

Passados os trinta dias, ela leva a criança de volta e dessa vez Gandhi disse ao menino: "pare de comer doce garoto". O menino passou a evitar o açúcar, a mulher ficou satisfeita, mas confusa, resolveu procurar Gandhi novamente e lhe perguntar: "por que o Senhor esperou um mês para dizer ao meu filho parar de comer doces?" "Senhora", respondeu Gandhi, "há um mês eu ainda estava comendo muitos doces".

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