Brincar de casinha, boneca ou carrinho. De cinco marias, pega-pega, esconde-esconde. Subir em árvore, se sujar na terra ou ir ao parquinho. Provavelmente, todo adulto tem uma brincadeira que marcou sua infância. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito pelas crianças de hoje. "As crianças estão brincando cada vez menos, e é claro que isso faz com que elas percam habilidades, felicidade, saúde e a essência da sua infância", diz o pediatra Daniel Becker.
Nas duas últimas décadas, o tempo livre das crianças diminuiu 25%. Apenas 50% delas saem para brincar ou passear com frequência. A rua é muito perigosa, parquinhos e praças estão cada vez mais escassos, e os pais têm cada vez menos tempo livre para acompanhar os filhos nessas atividades.
"A brincadeira é a atividade essencial da infância porque é através dela que a criança apreende o mundo e se expressa nele. E é também a forma como ela relaxa e gera prazer, felicidade consigo mesma. Todos esses são aspectos formadores da pessoa humana", explica Becker.
Pesquisas revelam que brincar refina a atividade do córtex pré-frontal, a região relacionada às características psicológicas e às funções executivas; aumenta a formação de neurônios e a liberação de neurotransmissores ligados à sensação de prazer e bem-estar. Também é um antídoto para o estresse na infância.
Um estudo publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry mostrou que crianças de 3 a 4 anos que brincaram sozinhas ou com outras crianças por 15 minutos apresentaram metade do nível de ansiedade daquelas que simplesmente ficaram ouvindo um professor contar uma história.
Em seu documento de 18 páginas, a Academia Americana de Pediatria divide as brincadeiras em quatro grupos e descreve os benefícios de cada um. O manuseio de objetos, como brincar de carrinho, desenvolve a coordenação motora, a capacidade de comunicação e o pensamento abstrato. Já o faz de conta - brincar de casinha, de escolinha ou de qualquer coisa criada pela imaginação - ensina a negociar regras e reforça habilidades do funcionamento executivo (capacidade de planejamento e resolução de problemas).
A atividade locomotora - andar de bicicleta, brincar de esconde-esconde - estimula a inteligência emocional (competências para aprender a perder, a ganhar e a arriscar) e a brincadeira ao ar livre reforça amizades, desenvolve o conhecimento social e linguístico e ajuda a controlar impulsos individuais.
LONGE DAS TELAS
BRINCADEIRAS AO AR LIVRE
Toda brincadeira tem benefícios específicos para o desenvolvimento da criança, desde o faz de conta até a caça ao tesouro. Confira dicas de especialistas para tornar essa atividade ainda mais enriquecedora:
- Sempre que possível, leve a criança para brincar ao livre, preferencialmente, na natureza;
- Deixe-a se aventurar, desde que em segurança;
- Atividades extracurriculares não devem ocupar mais do que uma hora do dia da criança;
- Além das brincadeiras sugeridas, deixe que a criança brinque livre, ou seja, invente suas próprias brincadeiras;
- Quando estiver brincando com a criança, converse com ela e participe ativamente do momento.
SUGESTÕES PARA DIFERENTES IDADES
- Brincar de texturas e cores diferentes, usando brinquedos ou materiais como esponja, tecidos de roupas, prendedor de cabelo;
- Criar uma brincadeira sensorial passando gelo levemente nos pés do bebê, por exemplo, ou deixando ele tocar a grama e diferentes objeto;
- Criar um circuito pela casa usando travesseiros, almofadas, cobertores, móveis e objetos.
MAIS IDEIAS
Fantoches; ciranda; mímica; desenho e pintura; massinha de modelar; faz de conta ; jogos de tabuleiro; pular corda; cinco marias; passa anel; leitura de livros; faz de conta; histórias contadas pela própria criança; trava-línguas; telefone sem fio; bambolê; pega-pega; esconde-esconde; cabo de guerra; caça ao tesouro; amarelinha; peteca; explorar a natureza; brincar com terra e água.