ENTREVISTA

Entrevista da Semana com Márcio Teixeira, idealizador do grupo Viva Batalha

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Larissa Bastos
Márcio Teixeira segue como membro do Conselho do Município de Bauru e do Lions, é suplente de vereador e diretor de dois times de futebol amador
Márcio Teixeira segue como membro do Conselho do Município de Bauru e do Lions, é suplente de vereador e diretor de dois times de futebol amador

PÉ NA RUA E CORAÇÃO POR BAURU

"Sou pé na rua". Esta é uma das formas como o empresário Márcio Teixeira, 51 anos, se define. Além de proprietário de uma empresa especializada em locação de impressoras e vendas de toners e papel sulfite, ele atua em várias vertentes em Bauru, sempre com o objetivo de exercitar suas grandes paixões, como conversar com pessoas, fazer política e preservar o meio ambiente.

Idealizador do grupo Viva Batalha, mobiliza voluntários para o plantio de árvores às margens do rio. É uma terapia, segundo ele, e também uma forma de retribuir tudo que Bauru lhe deu. Ativista ambiental, também recolhe lixo de córregos e lagoas e chegou a trabalhar por três anos e meio na Emdurb, parte deste tempo como diretor de limpeza pública, durante o governo do ex-prefeito Clodoaldo Gazzetta.

Hoje, segue como membro do Conselho do Município de Bauru e do Lions, é suplente de vereador e diretor de dois times de futebol amador - o Dionízio, do Parque Bauru, e o Tangarás. É, ainda, católico praticante e um sonhador, como ele mesmo diz.

Nascido em Marília, Márcio mudou-se para Bauru ainda na infância, junto com a família, devido ao trabalho do pai, ferroviário. Na cidade, casou-se com Ana Claudia e teve os filhos Amanda, 27 anos, e Paulo Henrique, 15 anos. Também adotou o cão Batalha, encontrado desnutrido durante um plantio de árvores no início deste ano.

Nesta entrevista, o empresário fala sobre seu fascínio por Bauru, por vendas e pelas pessoas, além de comentar sobre seus projetos para a cidade, seja na área ambiental ou na política. Leia abaixo, os principais trechos.

JC - Você trabalhou em outros ramos, além do segmento gráfico?

Márcio - Fui vendedor a vida inteira. Comecei como sapateiro, aos 12 anos, na Maranata. Sei fazer tudo de um scarpin. Com 15 anos, fui trabalhar na Bauru Gás; com 17, fui para o Banco Itaú e, aos 21 anos, fui promovido a gerente. Fiquei dez anos lá e, em 1998, passei a atuar no financeiro da Xerox do Brasil em Bauru. Ela tinha mais de 300 funcionários, mas fechou quatro anos depois, quando decidi abrir minha empresa de locação de copiadoras e papel sulfite. Fiquei 20 anos na avenida Duque de Caxias, mas, com a pandemia, vendi o prédio.

JC - Como foi este enfrentamento das dificuldades trazidas pela pandemia?

Márcio - Fui obrigado a diminuir. Fiz as rescisões e mudei a empresa para um imóvel menor, uma casa de porta fechada. Mas foi bom, porque voltei a andar mais na rua, encontrar clientes. Faço a maioria das negociações por WhatsApp. O cliente que tem uma impressora locada pede toner, papel, eu saio e levo até ele. As pequenas e microempresas, além dos microempreendedores individuais, são a maioria da minha clientela. E percebi que eles gostam deste contato pessoal. Chego a ir a 30, 40 lugares em um único dia, entre entregas e visitas.

JC - O contato com as pessoas é algo que você gosta em todas as esferas da sua vida?

Márcio - Eu saí do Itaú e fui para a Xerox porque queria viajar, queria contato. Meu maior prazer é conversar com as pessoas. Sou 'pé na rua'. Além do trabalho, todo domingo de manhã estou plantando árvore, meio-dia vou tomar minha cervejinha, compro frango para o almoço, vou para casa e, à tarde, vamos à missa. E, além disso, atuo nos bastidores da política de Bauru. Nos últimos 30 anos, auxiliei prefeitos, ajudei a eleger vereadores. Fui diretor, por 42 meses, na Emdurb e sou suplente do vereador Serginho Brum. Agora, meu objetivo é conseguir compor uma frente ampla e unir a classe política de Bauru. Estou conversando com muitos partidos para que tenhamos, inclusive, condições de eleger mais deputados federais e estaduais. Tem quem diga que isso é sonho, mas sou mesmo um sonhador.

JC - Em meio a tudo isso, dá tempo para exercitar algum hobby?

Márcio - Sou filatelista. Coleciono selos do Brasil e tenho mais de 300 mil, o que corresponde a quase 70% de todos os emitidos no País. Tenho quase todos da época do Império. Um dia, pretendo fazer uma exposição. Comecei com dez anos, quando costumava passar na banca da Rodoviária e aproveitava para comprar selos. Quando comecei a trabalhar, não parei mais, até quatro anos atrás, quando não comprei mais nada. É uma paixão que está engavetada por um tempo.

JC - Outra paixão está ligada à preservação do meio ambiente, correto?

Márcio - Sim. Sou idealizador e coordenador do grupo Viva Batalha, que conta com cerca de 60 voluntários e deverá se tornar um braço do Fórum Pró-Batalha. Há menos de um ano e meio, plantamos 1.600 mudas na nascente do Rio Batalha e estamos vendo resultados espetaculares, porque já temos mais 200 árvores que nasceram de forma espontânea no local, devido à dispersão de sementes. E, neste ano, pretendemos plantar mais 4 mil. Nossa meta é estimular a cidade a cuidar do rio, que precisa de 600 mil árvores, de sua foz até a captação de água, em Bauru. Fiz muitos projetos na Emdurb, como o da limpeza do entorno da Lagoa da Quinta da Bela Olinda e limpeza de ribeirões, com apoio de grupos de escoteiros. Todo ano, participo da realização do Dia Mundial da Limpeza, sendo que, em uma das edições, recolhemos microlixo jogado em todo o Calçadão, como bitucas de cigarro. Além disso, cato muito lixo sozinho, por onde passo.

JC - O que te move a fazer este trabalho?

Márcio - Minha mãe sempre gostou de plantar. E mexer com a terra também é a terapia que eu precisei depois da pandemia, porque, além das dificuldades da minha empresa, perdi muitos amigos. Cheguei a ir a cinco velórios em um único dia. Agora, depois desse momento difícil, chegou a hora de retribuir a Bauru tudo o que ela me deu, todas as oportunidades que eu, minha família e meus amigos receberam. E, diferente do que muitos dizem, Bauru é, sim, uma cidade de oportunidades.

Márcio Teixeira e a esposa Ana Claudia, na companhia dos dois filhos Paulo Henrique e Amanda (crédito: Arquivo pessoal)
Márcio Teixeira e a esposa Ana Claudia, na companhia dos dois filhos Paulo Henrique e Amanda (crédito: Arquivo pessoal)
Comerciante com o cão Batalha, resgatado às margens do rio, em um dia de plantio de árvores (crédito: Arquivo pessoal)
Comerciante com o cão Batalha, resgatado às margens do rio, em um dia de plantio de árvores (crédito: Arquivo pessoal)
Márcio (à frente, ao centro) realiza plantio de árvores às margens do rio junto com voluntários do Viva Batalha, grupo que idealizou e coordena (crédito: Arquivo pessoal)
Márcio (à frente, ao centro) realiza plantio de árvores às margens do rio junto com voluntários do Viva Batalha, grupo que idealizou e coordena (crédito: Arquivo pessoal)

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