Ter cachorros pode reduzir o risco de seus filhos terem eczema, problema de pele caracterizado por vermelhidão, coceira, ressecamento, rachaduras e caroços de inflamação.
É o que mostra uma pesquisa norte-americana feita com quase 800 crianças de até 2 anos. Entre os resultados está a menor ocorrência da doença entre crianças que convivem com cachorros em casa, seja a partir da gravidez ou do primeiro ano. O eczema afeta uma em cada cinco crianças e um em cada dez adultos.
Pesquisadores da Henry Ford Health, organização de assistência médica sem fins lucrativos de Detroit, nos EUA, comandaram o estudo. Eles mostraram que as diversas bactérias caninas podem ajudar no desenvolvimento imunológico das crianças, evitando a doença. Os especialistas ainda não sabem a causa do eczema, mas acreditam que pode ser genética e causada pelo mau funcionamento da barreira da pele.
A exposição a bactérias nos primeiros meses após o nascimento pode ajudar a criança a desenvolver um sistema imunológico saudável, reduzindo potencialmente condições inflamatórias como o eczema, afirmam os pesquisadores.
O eczema não tem cura, mas os sintomas podem desaparecer com a idade da criança. Para aliviar marcas e incômodos, os médicos recomendam o uso de hidratantes para pele seca e, em casos mais graves, o uso de corticosteróides.
A pesquisa recrutou mulheres grávidas cujos filhos estavam previstos para nascerem entre setembro de 2003 e dezembro de 2007. Os pesquisadores dividiram as crianças em quatro grupos: as que nunca tiveram a doença; as que tiveram aos 2 anos, mas estavam "curadas"; as que tiveram a doença aos 10; e aquelas que tiveram persistentemente o eczema em ambas as idades.
As mães foram entrevistadas antes do parto e no final do estudo para determinar se os filhos foram expostos a cães enquanto estavam no útero e no primeiro ano de vida. O que se observou foi que apenas 26% das grávidas tinham cachorro em casa, 22% dos casos de eczema apareceram até os 2 anos e 21% até os 10.
Os resultados da pesquisa mostraram que as crianças cujas mães tiveram um cachorro por perto enquanto estavam grávidas e no primeiro ano de vida tiveram um risco significativamente menor de desenvolver a doença aos dois anos de idade, mas o efeito não foi observado aos 10 anos ou naqueles com eczema persistente.
EXPOSIÇÃO
Amy Eapen, especialista em alergia que liderou o estudo, disse ao jornal britânico "Daily Mail" que os resultados sugerem que o primeiro ano de vida é, potencialmente, a janela crítica para prevenir o eczema.
"Nossos dados sugerem que a exposição ao cão durante a fase pré-natal e no início da vida têm um efeito protetor significativo no desenvolvimento de eczema antes ou depois dos dois anos de idade. Como manter animais de estimação influencia a composição microbiana do intestino infantil, a menor taxa de eczema em crianças expostas a cães pode estar ligada ao desenvolvimento imunológico alterado no início da vida, desencadeado por exposições microbianas."
Entre os limites do estudo está a dificuldade de provar se a exposição ao cachorro estava por trás das taxas mais baixas porque o método utilizado foi puramente observacional. Os pesquisadores também não conseguiram definir se ter um cachorro durante a gravidez ou durante o primeiro ano da criança era importante porque a maioria dos casais tinham cães após o nascimento do bebê.