Os pais precisam fazer bem a "lição de casa" para a volta às aulas de 2023. A fim de driblar a alta de preços dos materiais escolares e não comprometer o orçamento, muitos consumidores têm apostado em algumas estratégias. Uma das principais é evitar marcas com licenciamento de personagens "da moda".
A Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae) estima que a alta dos produtos neste início de ano ficará entre 20% e 30%. Lojistas de Bauru confirmam majoração, mas ressalvam que índices menores têm sido praticados nos estabelecimentos do município.
É o caso de uma papelaria no Altos da Cidade, que apostou na compra de estoque em setembro de 2022 para escapar do aumento de preços. Ainda assim, alguns produtos tiveram elevação de 10% a 15%.
"O papel subiu muito no mundo todo. As mochilas também encareceram, mas, mesmo assim, notamos uma retomada nas vendas e deveremos ter números bons, parecidos com o período pré-pandemia, porque muita gente que deixou de comprar nesses últimos dois anos tem aparecido agora", comenta Nilo Alves Junior, gerente do estabelecimento. "Quem busca economizar tem fugido de itens 'da moda', que são mais caros em razão das licenças", completa.
'NEGOCIAÇÕES'
Bastou que Larissa Caracho colocasse os pés na papelaria para que as "negociações" com o filho Antônio, de 7 anos, começassem. "Ele queria os cadernos de personagens, mas o convenci a levar o mais barato, para poder comprar uma mochila e um estojo que, desta vez, também não serão de personagens", cita ela, calculando ter economizado cerca de R$ 250,00 só com a "fuga" de marcas mais caras.
Em outro estabelecimento, no Centro, a majoração de preços também foi sentida, assim como a elevação das vendas de marcas intermediárias. "Produtos sem personagens 'da moda' estão fazendo mais sucesso neste ano. O pessoal também tem reaproveitado muitos itens da lista", observa a proprietária do local, Ana Rosa Mistroni, contando que clientes têm optado ainda pelas compras a distância e com entrega.
Para não ter que enfrentar "negociações" com o filho de 6 anos, Debora Takeuchi decidiu ir sozinha até a papelaria. "Eu prometi uma mochila e um estojo novos, mas ele queria tudo de personagens e eu estou fugindo dos preços altos. Só em cadernos, economizei R$ 80,00 com essa tática", finaliza a consumidora.