Mentira de ontem

Por Felipe Addad - estudante |
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Houve um tempo em que meus dias eram iguais. Acordava. Tomava café e, em seguida, remédio. Seguia ao trabalho. Voltava à minha casa. Descansava com o tempo que sobrara.

Mas, meus dias solitários acabaram ao receber uma visita diferente, uma pessoa estranha com um chapéu preto, sobretudo, uma calça escura, seu chapéu cobria seus olhos fundos. Todas essas características me deixam com um mau presságio.

Eu convido esse estranho que bate em minha porta a entrar, ele assenta com a cabeça e murmura "obrigada", então posso presumir que seja uma mulher, quando ela disse essa palavra, senti uma certa familiaridade com a voz, ela me trouxe um presente, um prato lindamente apresentado, ela me espera provar um pedaço, cada vez que mastigo, sinto prazer e um gosto um pouco semelhante a sangue.

- Espera... eu acho que... eu engoli um prego.

Sinto a minha visão sendo danificada levemente, fecho meus olhos e lembro-me do dia que minha irmã foi assassinada por algo na comida dela, assim como eu sentiria nos próximos minutos. Minha visão é inteiramente fechada e acordo em um lugar claro. Esse é o hospital que ela trabalhava? Ouço brevemente algumas vozes de médicos.

-Leve-a para a sala de cirurgias

Finalmente chego a uma sala com uma dor imensa, a médica então me dá algumas anestesias e vejo a minha salvadora murmurando.

-Opa!

Então, eu vejo as cores indo, a luz gentil se esvaindo, o medo me invadindo.

Ela era minha visita.

Ela era minha irmã.

Ela é minha salvadora.

Ela é minha assassina.

Em quantas partes ela cortará meu corpo?

Ela vai tornar esse corpo fios de sua marionete.

Logo a sala que costumava ser clara, ficou cheia de desespero e vazio, meus olhos se cerram e minha visão some totalmente. O desespero me invade. Minha vida se encerra...

Nada mais acontece…

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