Sexualidade em baixa

Por Roberto Magalhães |
| Tempo de leitura: 3 min

Difícil pensar que a Igreja, na sua cruzada contra a libido, condenava o desejo sexual até mesmo dentro do casamento. Eis a fala de São Jerônimo: "Quem é ardoroso em demasia ao amar sua esposa também é um adúltero." Nada de exagero, o rala e rola não deveria ralar nem rolar, sexo apenas o comportado e com finalidade procriadora O tempo passou, os costumes mudaram, enfim a sonhada liberdade sexual. Agora, cada um faz o que quer, casa ou enrosca com quem quiser: Maria com Joana, Mário com o João e outros arranjos possíveis. Justamente quando se liberou geral, vem a notícia de que cada vez mais se faz menos sexo. A BBC News Brasil noticiou pesquisa revelando que indivíduos pertencentes à geração Y, nascidos entre 1981 e 1995, estão vivendo o casamento sem sexo. Fiz as contas nos dedos e acabei me enrolando com os números e com os dedos. Recorri à calculadora. O que é isso? Gente de 27 a 45 anos, transbordando serotonina, já pendurando as chuteiras? Culpa de quem? Da vida corrida, estressante, competitiva, insegura, depressiva e, finalmente, broxante. Da indústria pornográfica que banalizou a prática sexual. Da pressão econômica, da ansiedade, do uso de depressivos, da obesidade e até mesmo, segundo alguns, do Bolsonaro.

 

Agora, notícia quentíssima desse sexo frio. A lindíssima Gisele Bundchen, 42 anos, e o hercúleo Tom Brady, jogador de futebol americano, estão se divorciando, inclusive por falta de sexo. Depois de acumularem um patrimônio "merreca" de R$ 3 bilhões, teriam assinado o divórcio. Até aí tudo bem, a gente sabe que as picuinhas crescem como erva daninha no casamento. Outras vezes, o ciúme incontrolável. Em outras, as doloridas e pontudas chifradas... Tudo isso faz a casa cair. Agora, como aceitar que Tom Brady não esteja comparecendo ao leito conjugal como deveria? Afinal, tem ao seu lado, na cama, a deslumbrante Bündchen! Dizem que ele se abstém de sexo durante 24 horas antes de qualquer jogo de futebol e 72 horas nas partidas decisivas. Quantas horas? Não confiando nos dedos, recorri novamente à calculadora: três dias, gente, sem dar sequer uma bicotinha naquele mulherão...

 

Aqui na terrinha, algo semelhante. A apresentadora Fernanda Lima, 45 anos, confessou-se cansada, sobretudo com os deveres da maternidade. Por isso, deu um "chega pra lá sexual" no marido Rodrigo Hilbert, 42. Em quem? Sim, nele mesmo, no Hilbert, nesse cara de 1,90, melenas loiras, porte atlético, ator global e ainda, por cima e por baixo, bom de fogão e de forno. Claro que os maridões humilhados sentiram-se vingados. Bem feito! Até o muso Hilbert teve que engolir essa "dorzinha de cabeça" que as mulheres sabem sentir tão estrategicamente.

 

Em entrevista à Now Magazine, Lady Gaga disse que não tem mais tempo para sexo, depois arrematou: "Você não precisa fazer sexo para se sentir amada." Karl Lagerfeld, famoso estilista alemão, depois da morte do parceiro, confessou-se sem energia para a sexualidade: "Se pudesse, eu me casaria com meu gato Choupette. É, amigos, a libido anda amolecida nestes tempos modernos.

 

Para quem viveu na época do pegar a mão (o beijo vinha semanas depois), do aproveitar o bolero para dançar coladinho o coxa-coxa, do sacrifício imposto pela virgindade, fica difícil entender o atual desinteresse pela coisa. Assusta saber que, no futuro, a grande maioria das transas será com perfeitos "robôs" e "roboas", então versões aprimoradas dos atuais bonecos e bonecas infláveis. Aliás, se considerarmos o avanço tecnológico dos brinquedinhos, hoje consolo de tanta gente, a coisa realmente promete. Ou não?

 

O autor é professor de redação e escritor de obras didáticas e ficcionais.

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