Celular na vida hodierna

Por Roque Roberto Pires de Carvalho |
| Tempo de leitura: 3 min

Esta crônica é escrita não para criticar um penduricalho que no Brasil, via pesquisas não tão confiáveis, 240 milhões de celulares ativos, a maioria deles de smartphones, tiveram a capacidade de liquidar com os tradicionais meios da comunicação até então usados, como o telégrafo sem fio, a latinha de massa de tomate ligada à outra por uma linha 25, o telefone com e sem fio, fax, telex, o orelhão e outros objetos jurássicos que deram por encerrado os séculos 19 e 20. Indubitavelmente a tecnologia está, desde há muito, enraizada na vida hodierna. O celular tornou-se o habitante em uma das partes do cérebro pois, como sabido e dizem alhures "nosso cérebro é um computador" e em assim sendo o celular não poderia deixar de guardar evidentes semelhanças começando pela memória e armazenamento.

A par de todos os benefícios que são inegáveis, chega um dia especial para o cronista cronicar sobre ele registrando situações de alegrias e outras tantas de aborrecimentos. Começando pelas alegrias assistimos cenas de grande glamour quando você, usando o mais novo exemplar encontrado na praça alguém lhe pergunta quanto custou. O poder de compra transforma o homem, extrapolando seu narcisismo até então contido numa avalanche de informações sobre passeios e fotos tiradas nos lugares mais lindos e desejados na Terra, mantendo no arquivo os registros dos encontros familiares. Os antigos álbuns de casamentos, batizados e outros fatos históricos vividos em família estão definitivamente esquecidos, tudo agora é no celular. Uma observação que se faz do mal uso do celular em restaurante, é que as pessoas não conversam mais sobre assuntos triviais. Uma espiada no prato do dia e três espiadas no celular, quando a refeição termina o individuo não se lembra do que havia comido; pode ocorrer também que após as refeições, feitas as despedidas a pessoa nem saiba o nome do seu parceiro na mesa.

Como sabido não há lei que impeça o cidadão de usar quando e como quiser o seu celular e, falta de desconfiômetro o individuo convidado para assistir determinada palestra não se acanha de ligar o aparelho e, ao invés de prestar atenção no Palestrante fica vendo papos furados sobre esportes, política e mundanismo não se lembrando, sequer, sobre o tema abordado. O cronista, como observador do cotidiano, assiste quase como uma obrigação a programas nas televisões e entrevistas em canais e outras plataformas de notícias e, nos últimos meses, têm se deparado com uma enxurrada de anúncios sobre o uso de suplementos vitamínicos que melhoram a sexualidade de homens e mulheres. O que era missão da natureza tornou-se objeto de comercialização alucinada desses produtos. Nenhum dos anunciantes sugere que se deixe uma luz tênue e desliguem os celulares - por favor... desliguem os celulares! e a vida voltará a ser bela, sem necessidade de se recorrer ao imenso cipoal dos receituários alopáticos ou homeopáticos além de baratear os custos.

As pessoas mais sociáveis não se esquecem do bom dia, boa tarde, boa noite não importando que horas sejam. Para os que desligam o celular à noite ou deixam apenas sem o som, assistem nas madrugadas uma revoada de luzes verde/amarelado como se fosse um batalhão de vaga-lumes com suas lanterninhas acesas avisando da chegada de mais um zap dos insones, sobre qualquer coisa presumivelmente engraçadas exibindo um kkk... Existem também momentos em que o uso do celular ganha em importância para o usuário, é quando na comunicação de um fato urgente e de um pronto-socorro, comunicação com pessoa da família para notícias importantes, companhia na longa espera nos leitos e corredores dos hospitais, etc. Para encerrar, peço licença para dar uma zapeada no meu celular, atualizando meu cotidiano, lembrar-me de algum amigo e até mesmo porquê, já não vivo sem esse pendurico sempre às mãos.

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