Quando eu era adolescente, não entendia que os problemas da vida eram necessários para o meu crescimento, para o progresso e evolução. Culpava o governo pelas dificuldades que minha família passava. Secretamente, culpava o governo e meus pais pelos sonhos e anseios que pareciam impossíveis. Vivia de expectativas imediatas, que geravam rebeldias e impaciência. Era incapaz de perceber a lógica da vida. Que toda construção bem estruturada começa por um alicerce sólido e bem trabalhado.
Nunca senti inveja de ninguém, mas me incomodava o fato de ver que os outros tinham bens que eu não podia ter. Felizmente, esse sentimento me estimulava a lançar mão ao trabalho e acreditar que eu também era capaz de ter as minhas conquistas. Esse foi o gatilho do meu aprendizado, pois com foco nesse conceito superei as mais penosas dificuldades e não desisti de lutar para ser alguém nesta existência.
Atualmente, nos anos "enta", posso dizer que me sinto realizado, com uma família excelente e familiares de muito valor. É gratificante poder constatar essa realidade e refletir que o tempo, que não é nosso, e sim, de Deus, nos traz uma lente de lucidez aos olhos da nossa alma, corrigindo toda aquela miopia que a adolescência e a juventude geralmente rejeitam.
Hoje, refletindo, vejo que muitas oportunidades foram perdidas devido à minha cegueira juvenil, porém, ensinaram-me que dos erros também nascem os acertos. Muitas vezes votei na oposição só para protestar, quase sem critério nenhum achando que mudando o governo, minha vida ia mudar para melhor. Porém, aprendi que quem faz o melhor para mim sou eu mesmo, com as minhas escolhas e coerente com os valores de vida que desejo para mim e para o meu próximo. Mas nunca deixando de trabalhar para que isso realizasse.
Hoje, vejo na maioria da juventude, aquele jovem que fui no passado, com razoáveis vendas nos olhos tentado se equilibrar na escuridão do aprendizado. Por isso, fui estimulado a escrever estas breves linhas, tentando passar um pouco da minha experiência existencial, sugerindo que, aos que estão nessa fase do aprendizado, façam uma autoanálise e descubram o que realmente é importante para uma vida feliz.
Não culpem outrem por qualquer montanha do caminho. São as nossas escolhas que determinam nossos destinos e eles só serão bons se também forem bons para a coletividade, ao nosso próximo. Lembrando que nas urnas, onde elegemos nossos governantes, são selados os nossos destinos e o da nossa Pátria.
Quanto a isso a história registra tudo, basta ter olhos para ver. Aliás, é bom saber que a bandeira brasileira é verde, amarelo, azul e branco (branco da paz), jamais foi vermelha e, se Deus quiser, "nunca será".