Chegou ao fim mais um período eleitoral. E, cá entre nós, estudantes de história no futuro vão ter um capítulo à parte ao estudarem sobre o pleito presidencial de 2022, já que essa foi, sem dúvida, a campanha mais dura dos tempo pós-redemocratização. A minha preocupação, no entanto, é sobre o próximo capítulo que vamos ler nos livros de história ainda a serem escritos.
Hoje vemos um lado comemorando o direito de governar o Brasil por mais quatro anos, seguindo políticas a serem implementadas de acordo com o que foi exposto aos eleitores. Isso é, quando a campanha teve alguns minutinhos para propostas, já que na maior parte do tempo ela foi feita de ataques de ambos os lados.
Agora essa é uma página virada, mas como em qualquer bom livro, ela faz parte de uma narrativa em desenvolvimento. A grande questão é como o lado que perdeu a eleição irá assimilar essa derrota, como esse grupo vai se organizar para os próximos 4 anos. Sempre digo que a política é a arte de construir pontes, sejam elas literais ou metafóricas. Sobre as pontes de verdade, o próximo governo já começa a arregaçar as mangas e se preparar para as construções.
Já as pontes metafóricas são um desafio bem maior a ser vivido. O jogo da democracia prevê vencedores. E para que eles existam, há obviamente um lado perdedor da eleição. A partir do resultado das urnas esse segundo grupo se torna, via de regra a oposição. Isso é saudável, já que ajuda a controlar o novo governo que está sendo formado. Depois de tantas discussões, acusações e fake news, será necessário diálogo entre o novo governo e a oposição. O Brasil não pode esperar quatro anos em clima bélico como se a campanha política ainda não tivesse terminado, pois não tem economia que resista. É preciso avançar, é fato que o Brasil está com a economia em avanço, não podemos perder essa passada, cabe ao vencedor esse desafio.
Tenho esperança de que os próprios políticos possam escrever nos livros de história do futuro páginas mais pacíficas, deixando rusgas causadas por uma campanha tão acirrada para trás. Que os eleitores possam se respeitar, independentemente da escolha de cada um. Machado de Assis, no romance Quincas Borba, tem a célebre frase: "Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas".
No caso das eleições 2022, "as batatas" são quatro anos governando o Brasil. Torcendo para que o novo governo encontre nosso equilíbrio fiscal e de investimento, gerando empregos com oportunidades, e quanto a nós, trabalhar para o sucesso da nossa Pátria sem esquecer que somos todos brasileiros.
O autor é jornalista/contador, e formado em Gestão Pública.