Quando criança, aprendi sobre o ciclo da água - a evaporação da água do planeta mais a transpiração das plantas e animais sobem para a atmosfera, formando as nuvens que, cheias de vapor, tornam-se tão pesadas, derramando gotas de chuva (às vezes, neve ou granizo) e retornando à terra, aos rios e aos oceanos.
Hoje em dia, ao retornar, a água encontra as cidades quase que totalmente impermeabilizadas, escorrem pelas ruas e, encontrando os bueiros mal dimensionados ou entupidos pelo lixo deixado pelos munícipes, ao invés de penetrar no solo ou retornar aos rios, invade as casas, arrasta carros, provoca inúmeros desastres ...
Quando não está provocando danos, a água, ao retornar, encontra abrigo em garrafas, pneus, vasos ou outros utensílios, tornando-se criadouros dos mosquitos causadores da dengue.
Também quando criança, aprendi que a água era um recurso natural inesgotável. Bem mais tarde (ou seria tarde demais?), chegou-se à conclusão que a água potável poderá vir a faltar.
Atualmente, ensina-se às crianças formas de economizar água, cuidados com o lixo e poluidores em geral, a conservação das florestas e o reflorestamento das margens de nascentes, rios e lagos com o intuito de garantir o precioso líquido para as presentes e futuras gerações. As crianças sabem mais que muitos marmanjos, mas está na hora de os responsáveis realmente colocar em prática o que se sabe, com a finalidade de reverter o quadro que se prevê.
Peço aos senhores e senhoras, cidadãos e cidadãs, que aproveitem as discussões sobre Dia da Água para refletir sobre suas atitudes e não só contribuam para que a água volte a exercer sua real função, como também garantam sua continuidade pelo exercício do desenvolvimento sustentável e responsável.
A autora, Maria Helena Beltrame, é advogada e membro da Comissão de Meio Ambiente da OAB de Bauru - OAB-SP 78.599