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Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 11 min

Dieta e exercícios: base de vida saudável

Dieta e exercícios: base da vida saudável

Texto: Sabrina Magalhães

Balancear é comer de tudo, em quantidades compatíveis com cada pessoa. Atividade física é um estímulo ritmado ao corpo

Não é novidade, mas boa parte da população não obedece a esta regra: uma vida saudável depende quase exclusivamente de alimentação balanceada e atividade física freqüente. Isso significa ingerir nutrientes em quantidade adequada e queimar energia, gastando mais calorias do que se come. Sacrifício? Quem adotou o estilo saúde de ser garante que não.

"O ideal de uma dieta é equilibrar qualidade e quantidade. Não adianta você se punir, se abster de muitos alimentos e acabar fazendo jejum prolongado, ficar muitas horas sem comer para emagrecer. Na verdade, por mais estranho que possa parecer, para emagrecer é preciso comer. Não existe dieta de emagrecimento nem dieta saudável se não for comendo", explicou a nutricionista Suzana Janson Franciscato.

Segundo ela, quando uma pessoa fica muitas horas sem comer, o organismo fica preguiçoso e não processa corretamente os alimentos: "Por exemplo, se você tem mil atividades durante o dia, você corre o tempo todo e faz. Se você não tem nada, você dorme, fica preguiçosa.

É assim com o metabolismo. Metabolismo é o mecanismo que o organismo tem de trabalhar o dia inteiro para queimar os alimentos, a gordura, proteínas. Então, quanto mais você come, mais o organismo trabalha, mais energia você vai gastar".

Mas Suzana salientou que quando se fala em comer mais não

é em quantidade, é em periodicidade. De acordo com ela, é preciso fazer entre quatro e seis pequenas refeições diárias, comendo um pouco de tudo em cada refeição, de forma a garantir ao organismo 50% a 60% de carboidratos, que fornecem a energia para o corpo, 20% a 30% de gordura, que é muito importante para a composição das células, e 10% a 15% de proteína diariamente.

"Carboidratos você encontra no arroz, no feijão, no pão, massas e frutas. Lipídios, gorduras, na margarina, óleos vegetais, na gordura da carne. E proteínas nas carnes, ovos, leite e derivados."

Compensação

A nutricionista salientou que para montar uma dieta balanceando os nutrientes basta compensar essas três categorias de alimentos.

"Por exemplo, se você quer comer salpicão, opte pelo peru na carne, porque o salpicão é mais gorduroso e a carne de peru é magra. No dia seguinte, você pode inverter, comer um pedaço de leitoa, que tem bastante gordura, e acompanhar com um arroz simples, deixando de lado a salada de maionese. Então, a gente pode comer de tudo, o que não pode é ultrapassar o balanceamento."

Já a quantidade varia de uma pessoa para outra, dependendo da idade, peso, altura, se homem ou mulher, se sedentário, esportista ou atleta. "Numa família, por exemplo, a qualidade dos alimentos para todos é a mesma, mas a sua porção é diferente da porção do marido e dos filhos."

A nutricionista observou que a maioria das pessoas acha que fazer dieta é abrir mão de tudo e comer só frutas e verduras. "Não. Têm que dosar, tem que comer o arroz com feijão, ou substituir, no lugar do arroz uma batata, no lugar do feijão uma ervilha, lentilha ou grão de bico. São muitas alternativas, você pode comer o dia inteiro, mas tem que saber compensar os alimentos. No prato proteico, você pode comer uma carne branca, vermelha, pode ser até carne de porco, só que aí tem que avaliar a quantidade."

Ela lembrou que grande parte das pessoas, ao invés de matar a fome, mata a gula, a vontade de comer. Se há três tipos de doces na mesa, é preciso escolher um. "E você não precisa comer dois pedaços de pavê, coma um, não tem problema comer, mas não exagere. O ideal mesmo seria comermos frutas de sobremesa, já que vivemos num país tropical, que tem uma variedade incrível delas."

Fibras e água

A associação de fibras e água é um dos melhores remédios para o organismo, pois ajuda no funcionamento do intestino, ou seja, acelera a eliminação das toxinas e de grande parte da gordura ingerida. "As fibras acabam ajudando a prevenir muitas doenças, como o câncer de intestino, de próstata, para evitar o aumento excessivo do colesterol, porque a fibra 'varre' os excessos. Então, se você tem uma alimentação rica em gordura, mas come muita fibra, nem tudo o que você comer de gordura vai ser absorvido, porque a fibra ajuda a eliminar."

As fibras são encontradas, principalmente, nos vegetais crus (alface, agrião, rúcula, repolho) e nas frutas, estando concentradas principalmente nas cascas. "Por isso recomenda-se comer frutas três vezes ao dia, de preferência com casca. E um prato de salada no almoço e outro no jantar, sempre com quatro cores, por exemplo, o verde escuro do agrião, o amarelo da cenoura, o verde claro da alface, o vermelho da beterraba, substituindo sempre para não enjoar. Quanto mais colorida

é a salada, maior a quantidade de fibras e a variedade de vitaminas."

Sobremesa

Os doces, segundo a nutricionista, são permitidos, mas três vezes por semana, de preferência as frutas em calda, sem leite condensado ou creme de leite, que são muito gordurosos. "Chocolates, refrigerantes, nada é péssimo para o organismo, desde que você coma com moderação. Tem vontade de tomar um refrigerante, tudo bem, mas tome socialmente, num final de semana, numa festa. Só não faça do refrigerante o líquido da sua vida, não mate a sede com ele. E isso vale para tudo."

Atividade física é complemento indispensável

Comer bem, de forma equilibrada, é um fator muito importante para a saúde. Mas é preciso um complemento: a atividade física, para gastar a energia que sobra dos alimentos. Se o objetivo é apenas manter um hábito saudável, fazer 40 minutos a uma hora de qualquer exercício, pelo menos três vezes por semana, já é o suficiente. O ideal seria movimentar-se todos os dias, disciplinadamente, num mesmo horário, aumentando o ritmo a cada tentativa.

Para o coordenador de ginástica, Júnior Balestero, não dá para fugir das orientações convencionais: antes de começar é preciso fazer uma avaliação médica, procurar um professor de educação física para determinar seus limites, adquirir roupas e sapatos confortáveis e adequados. "Aí

é preciso também que a pessoa não economize e adquira acessórios de qualidade, porque, por exemplo, você pode economizar hoje comprando um tênis mais simples, e gastar amanhã com antiinflamatórios ou médico por causa das lesões causadas pelo sapato inadequado."

Para sempre

Balestero observou que quem começa uma atividade física tem que continuar sempre, para evitar problemas ao organismo.

"Imagine uma pessoa que é sedentária. Ela inicia um programa de exercícios e de repente pára: o corpo volta a zero, o organismo fica confuso, não sabe o que tem que fazer. Numa musculação, por exemplo, você trabalha o músculo, queima gordura, de repente pára. o músculo adormece, volta ao normal, aí vem o efeito sanfona, das pessoas que engordam, emagrecem, engordam de novo. Isso é ruim. Então, o trabalho físico tem que ser constante, tem que ser um hábito, como escovar os dentes e tomar banho."

Freqüência cardíaca

"Para conseguir resultados, é preciso manter uma freqüência cardíaca num nível alto, de forma que haja um consumo maior de oxigênio. Só assim há a queima de gordura, isso depois de se fazer 20 minutos de exercícios. Fazer uma caminhada, por exemplo, com uma freqüência cardíaca baixa, o único trabalho é o fortalecimento das articulações, como num passeio. Se ela quer emagrecer, está perdendo tempo."

De acordo com Balestero, existe um cálculo simples para determinar a freqüência cardíaca média de cada pessoa: basta subtrair de 220 (capacidade máxima de batimentos de um coração humano) a sua idade. Depois, multiplicar por 0,7 e 0,8. O resultado mostra 70% a 80% da capacidade cardíaca média de cada indivíduo. Neste sentido, uma pessoa de 25 anos, por exemplo, deve manter os batimentos cardíacos entre 136 e 156 por minuto para obter um resultado efetivo durante a atividade física. Se ela caminhar com pulsação a 120 batimentos por minuto, vai estar andando, gastando calorias, mas não gordura.

Então, para quem quer mudar os hábitos e iniciar uma atividade física, é preciso procurar orientação profissional, usar acessórios adequados e começar, observando a cada dois minutos a freqüência cardíaca, para monitorar os resultados.

Abandonar fumo e álcool exige restrições

Texto: Sabrina Magalhães

Quando a dependência é muito grave, os primeiros meses de abstinência precisam de acompanhamento médico

Uma pessoa que decide parar de beber ou fumar precisa de mais do que afastar-se do álcool ou cigarro. Especialistas afirmam que há uma série de alimentos e situações que despertam o desejo pelo vício, o que obriga o indivíduo a restringir várias coisas em sua vida, ao menos no início.

No caso dos fumantes, por exemplo, é preciso lavar roupas e cortinas para tirar o cheiro, além de evitar carne, pimenta, café, bebidas alcoólicas, que sempre atiçam o desejo pela nicotina. Já os alcoolistas têm que fugir de ambientes com bebida, como festas e solenidades, para conseguir driblar a vontade de consumir a droga.

De acordo com os médicos, os primeiros dez dias a três meses (varia de pessoa para pessoa) são os mais críticos, quando há a crise de abstinência. É muito comum as pessoas alegarem que fumam ou bebem porque estão nervosas. Pois é exatamente o contrário que acontece: a irritabilidade aparece quando o organismo começa a sentir falta da substância. O organismo vai pedindo cada vez mais, porque a droga passa a ser considerada parte indispensável do metabolismo.

O que acontece é que, em situações de angústia ou surpresa, há uma aceleração do metabolismo, de forma que a química também é consumida mais rapidamente. A taxa de nicotina ou álcool começa a baixar e a pessoa fica irritada, nervosa, começa a tremer, o coração acelera. Esta crise pode evoluir para sintomas mais sérios, como dores de cabeça, náuseas e até convulsões, no caso do alcoolista. Por isso, nesta fase é muito importante o dependente ser acompanhado e orientado por um profissional. Quando a crise é muito forte, ele precisa ser medicado para não haver prejuízos para a saúde.

Quando quer

"Se eu quiser, eu consigo parar. Já parei 'n' vezes." Este é o discurso mais comum entre os dependentes de alguma substância química. O problema é que eles nunca param definitivamente, voltando sempre que aparece um fator de insegurança.

Para o pneumologista Carlos Eduardo Sacomandi, grande parte das pessoas só deixa de fumar quando há uma ameaça, quando o médico diz que ele tem que parar para não piorar alguma doença. "Neste caso, mais de 95% dos pacientes param de fumar, porque querem parar. Agora, a pessoa que não quer parar, não tem intenção de parar, não pára."

Sacomandi observou que hoje há até medicamentos usados no combate ao vício. Ele citou um adesivo que a pessoa cola ao corpo. O material libera nicotina, suprindo a necessidade do organismo, sem o cigarro. Com o tempo, essa necessidade vai diminuindo, até que a pessoa se livra completamente da nicotina.

Data marcada

Ao contrário da dica para alimentação e atividade física de se começar já, para abandonar um vício Sacomandi sugere marcar uma data: "Por exemplo, a pessoa diz que vai parar em 30 de janeiro, estipula uma data para parar, o dia 'd'. Ela vai ter um mês para se preparar. Outra coisa: não contar para ninguém, porque é muito desagradável ficar ouvindo a cobrança de outras pessoas, elas ficam lembrando você o tempo todo. Então, determine um dia, vá se acostumando com a idéia e na data marcada, pare. Não é fácil, mas ainda é melhor do que parar de repente. Dá um prazo para a pessoa fazer um trabalho psicológico antes".

Mito

A principal preocupação de quem tem um vício

é que parar vai fazê-lo engordar. Porém, a pessoa engorda porque acaba substituindo a química por comida, geralmente balas. Para manter o peso, basta, então, fazer essa substituição por coisas menos calóricas, ou simplesmente se educar para não fazer a troca.

"De qualquer forma, é muito mais fácil você fazer um tratamento depois, uma dieta, do que tratar as conseqüências que o vício provoca durante a vida."

Conseqüências

A dependência química pode causar uma série de alterações orgânicas, que evoluem para doenças. A pessoa pode apresentar desde lesões nas mucosas respiratórias até cânceres. No caso do álcool, o temor é a cirrose, doença que ataca o fígado, causando sua destruição.

Já os fumantes podem apresentar desde bronquites, asmas, a câncer na boca ou em outros órgãos do corpo, câncer no pulmão ou enfisema pulmonar. O enfisema

é uma doença de progressão lenta, que vai tirando a capacidade respiratória do indivíduo. Com o passar dos anos, o pulmão não consegue mais fazer a troca do gás carbônico pelo oxigênio. Ela tem o pulmão cheio, mas de ar "sujo". O resultado são crises de asfixia, que só pioram, já que a doença não tem cura. Em casos muito avançados, o paciente tem dificuldades até para fazer suas necessidades fisiológicas, porque não tem oxigênio suficiente para a contração muscular.

Estimativas mostram que no Brasil há 35 milhões de fumantes. "90% deles vai ter enfisema", concluiu Sacomandi.

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