Aumentam rumores da possível venda da ECCB
Condutores vão abandonar a 'complacência'
Texto: Fabio Turci
Presidente do sindicato da categoria diz que ECCB "usou, humilhou e abusou" de funcionários, e alerta para possibilidade de nova greve
O presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários, Elias Pinheiro da Silva, afirmou ontem que a categoria pretende deixar de lado a flexibilidade com que vem negociando seus interesses com a ECCB e adotar postura mais rígida, o que pode culminar com uma nova paralisação de motoristas e cobradores nesta semana.
"Depois que nós fomos usados e humilhados e abusados na ECCB, qualquer descumprimento do nosso acordo coletivo é razão para nós mobilizarmos a categoria e fazermos o movimento de paralização", ressaltou Silva. O sindicalista reclama que a entidade vinha colaborando com a empresa circular, no sentido de abrandar as exigências, e que não recebeu a contrapartida da regularização no pagamento dos funcionários. Como lembra Silva, em reunião realizada há cerca de três meses, o sindicato aceitou a tolerância de cinco dias no pagamento dos vencimentos.
Silva também afirma que a diretoria da ECCB teria distorcido informações com a finalidade de favorecer o apoio do sindicato. Ele diz ter sido informado de que a dívida da empresa circular seria de R$ 14 milhões, dos quais 50% já estariam saneados, mas reclama que, posteriormente, veio a constatar que a ECCB deveria muito mais: "esses R$ 14 milhões eram uma grande mentira. Na verdade, a dívida da empresa, hoje, seguramente passa de R$ 26 milhões". Segundo Silva, a divulgação do valor de que a empresa deveria como sendo R$ 7 milhões (já que metade dos R$ 14 milhões estaria saneada) os levou a confiar na aceitação do pedido de concordata pela empresa, o que favoreceria sua recuperação.
"Confiando nisso, nós então decidimos colaborar com a empresa, até porque ela emprega mil pessoas", afirmou.
Diante da nova postura, Silva garante que uma nova greve de condutores empregados pela ECCB pode acontecer caso a empresa não pague no próximo dia 7 a segunda parcela do 13º salário dos funcionários. Silva lembra que, após a greve realizada no último dia 23 de dezembro, os trabalhadores esperavam poder retomar as atividades normais com o pagamento integral do 13º, mas que aceitaram o pedido da diretoria da empresa de parcelamento em duas vezes. A primeira parcela da gratificação de Natal foi paga no dia 25.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Condutores, além da quitação do 13º salário, a entidade também aguarda o pagamento de mais de R$ 80 mil que a ECCB estaria devendo ao sindicato, referente às contribuições sindicais descontadas em folha de pagamento e não repassadas. Além disso, Silva diz que há os salários de dezembro, que vencem também no dia 7, e multas do acordo coletivo feito com a empresa. Segundo ele, um atraso no pagamento dos vencimentos e dos vales-compras, por exemplo, acarreta multa de 160 Ufir por trabalhador, além de 10% do valor do salário de cada profissional, por item descumprido, e que fica com o próprio empregado. "E os salários estão sendo atrasado desde agosto", frisou.
Silva reclamou que o clima de indefinição quanto ao futuro da ECCB tem levado os funcionários da empresa estados de intranqüilidade e ansiedade. "Eles que, durante muito tempo, arregaçaram as mangas e levaram para dentro da empresa uma quantidade enorme de dinheiro para propinar os outros. E fomos tratados, ao final do dia 24 (durante a greve), como verdadeiros bandidos", criticou, dizendo que os verdadeiros bandidos são aqueles envolvidos no esquema de cobrança de propina - "os corruptos e os corruptores".
O sindicalista lamentou que a ECCB tenha pago, apenas em 98, conforme Carmem Quaggio, cerca de R$ 1,5 milhão em propina. Ele calculou que essa cifra permitiria o pagamento de 139 salários de uma dupla motorista (que recebe R$ 631 por mês) e cobrador
(cujo vencimento é de R$ 442), ou a compra de 50 ônibus semi-novos. "Veja a situação: levar dinheiro para dentro da empresa para eles corromperem e continuarem operando. Se eles não tivessem uma situação exageradamente irregular, seriam necessários esses valores em forma de propina? Fica essa pergunta", sugeriu o sindicalista. "Até quando nós vamos ficar sendo usados para ganhar dinheiro para empresários e Poder Público levar vantagem? Então, chega de complacência da nossa parte", concluiu. Aumentam rumores da possível venda da ECCB
Ganharam força, na tarde de ontem, os rumores de que uma parte da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) teria sido negociada com a empresa Viação Terra Branca (VTB), representada pelo empresário Baltazar José de Souza e que opera em São Paulo e Piracicaba. Informações extra-oficiais davam conta de que a empresa teria adquirido 60% da ECCB, e a empresa da família Quaggio teria ficado com, apenas, 11 linhas.
Um funcionário da ECCB que teve contato com um assessor da VTB afirmou ontem que, "no momento certo", este entrará em contato com o JC para dar as informações referentes à possível venda. O assessor estaria seguindo em viagem para São Paulo e Baltazar José de Souza, por sua vez, estaria no Nordeste.
A sócia-proprietária da ECCB, Carmem Quaggio, admitiu, na noite de ontem, que estão em andamento as negociações com a VTB, mas garantiu que o negócio ainda não foi fechado. "Está todo mundo falando, mas não tem nada disso", disse Quaggio, completando: "ainda não tem nada certo". (FT)