Prejuízo atinge 46% das indústrias de SP
Prejuízo atinge 46% das indústrias de SP
Texto: Márcia Buzalaf
A avaliação do ano segundo o setor de sustentação do País, as indústrias, não é tão animadora, apesar de que as expectativas, ou mesmo esperanças,
é de um 99 bem mais produtivo e de uma atuação em relação à política econômica mais atuante.
Este resultado foram obtidos através de uma pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), juntamente com o Centro de Indústria do Estado de São Paulo (Ciesp) entre os dias 1 a 10 de dezembro, época em que os pedidos para o Natal estavam sendo finalizados e já se pôde ter uma idéia de como o ano tinha se comportado em relação à produção. Foram ouvidas 416 empresas industriais do Estado (51% micro/pequena; 31% média; e 18% grande). O interior representou 41% das indústrias consultadas e, a capital, 59%. As informações foram tabuladas pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon).
Um dado significativo é em relação às expectativas de vendas nas indústrias neste ano. Apenas 26% dos industriais acreditam que suas vendas vão cair ainda mais este ano.A ausência de lucro é um dos outros grandes problemas apontados pelos industriais para 98. A confirmação, está nos números abaixo.
De 98
O dado mais impressionante do comportamento industrial em 98 para as indústrias foi a confirmação da crise econômica que o País atravessou durante o ano: 46% das indústrias consultadas tiveram prejuízo no ano passado, sendo que os números por segmento são: 45% das micro e pequenas empresas; 42% das médias empresas; e 54% das grandes empresas.
As vendas foram menores do que em 97 para 55% das indústrias consultadas, sendo que a marca apontada como otimista, de 14% das indústrias, afirmou que teve um ano de maiores vendas do que o anterior.
O desemprego também foi confirmado no setor industrial paulista. Terminaram o ano com menos funcionários do que em 97 61% das indústrias consultadas, sendo que apenas 16% fecharam o ano com mais contratações. O número mais significativo desta parte da pesquisa é o fato de que 68% das grandes indústrias fecharam o ano com um quadro de funcionários menor do que em 97.
As demissões nas indústrias costumam causar um grande aumento no número de desempregados do País.
No outro extremo, 60% das pequenas e médias indústrias chegaram ao final do ano com menos funcionários. Nas médias indústrias, o desemprego foi menos acentuado, segundo a pesquisa.
A porcentagem de queda de funcionários caiu para 58% em empresas com o perfil de ter entre 100 e 499 funcionários, que também teve o melhor desempenho entre as indústrias que terminaram o ano com aumento do número de funcionários
(18% das médias indústrias consultadas).
Para 1999
Mesmo com o quadro de balanço industrial apresentar estes números as expectativas para este ano são mais otimistas, apesar de visarem a estabilização no mercado, não um crescimento inesperado.
Das indústrias consultadas, 46% esperam manter o mesmo patamar de vendas do ano passado, apenas 28% esperam vender mais e 26% acham que devem fechar este ano com menos vendas. Isso significa que 72% das indústrias consultadas esperam manter as vendas do ano passado ou cair.
A maior parte das micro/pequenas empresas e grande empresas consultadas acham que devem manter-se no patamar do ano passado (61% e 47% respectivamente).
Prevendo este comportamento nas vendas, o setor de contratações mostra números assustadores. Segundo a pesquisa, apenas 4% das indústrias (4% de micro/pequenas; 3% de médias; e 4% de grandes) acham que aumentarão as contratações para atender a demanda. A maioria das indústrias, 56%, não pretende contratar, mas, mesmo assim, aumentar a produtividade.
As taxas de juros devem atingir entre 20% e 22% somente no final ano, segundo 79% dos industriais consultados. O tempo de resistência a estas taxas de juros não é tão alto. Para 29% das indústrias consultadas, não suportam mais as taxas neste padrão, além do que 3% só suportam um mês ou dois.
Os maiores efeitos que o ajuste fiscal pode provocar nas indústrias neste ano são a queda no lucro (69% das indústrias), a queda nas vendas (62%), a diminuição na produção
(50%), o aumento da inadimplência (58%), a diminuição na concessão de crédito e financiamento (56%), a queda nas exportações (49%) e nenhum efeito nas importações (43%).
Das indústrias pesquisadas, 69% acredita que o governo deve continuar a desvalorização da moeda gradativamente. As exportações podem ser incentivadas, segundo respondeu 56% dos industriais, e 55% esperam que o governo limite as importações do País.
Na concessão de crédito, o desânimo é maioral. Dos pesquisados, 68% não acham que a concessão de crédito bancário estará mais facilitada. Apenas 20% acreditam nesta possibilidade.
A onda pessimista das indústrias atinge, sensivelmente, a macroeconomia. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, segundo a maioria dos industriais consultados (34%), deve ficar entre 0% e 1%; seguindo por 20% dos pesquisados, que acreditam na marca entre 1% e 1,5%.
Liderança
O crescimento de uma liderança industrial na atual crise
é sinônimo de que, diferentemente do que se ocorria no passado, os dirigentes destes órgãos não são políticos: são industriais mesmo, e que de certo estão sentindo as consequências da atual política econômica.
O atual comportamento do grupo mostrou a força diferencial no dia 20 de dezembro, quando foi realizado o "Pacto pela produção e pelo emprego", um encontro em São Paulo que reuniu políticos, empresários, sindicatos e industriais com objetivos em comum.
Organizado pela Fiesp/Ciesp, presidida pelo espírito combatente de Horácio Lafer Piva, a manifestação se mostrou contra as taxas de juros nada competitivas do mercado nacional, a fronteira aberta para o produto importado e falta de finalidade de órgãos de concessão de crédito, como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES).
Em relação ao novo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, liderado por Celso Lafer, as três primeiras ações que deveriam ser tomadas são: atuar par a aprovação da reforma tributária, elaborar um plano de política industrial para o País e buscar a queda nas taxas de juros.