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Fiscalização

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Fiscais da saúde autuam vendedores de churrasquinho

Fiscais da saúde autuam vendedores de churrasquinho

Texto: Ieda Rodrigues

Fiscais da Divisão de Vigilância Sanitária do Departamento de Saúde Coletiva, órgão da Secretaria Municipal de Saúde, inutilizaram a carne de dois ambulantes que vendiam churrasquinho na rua Rafael Pereira Martini, no Jardim Redentor, anteontem à noite. Um dos ambulantes autuados, indignado, afirmou ao JC nos Bairros que a atividade era meio de sobrevivência e que existem outros produtos que são vendidos irregularmente nas ruas, como cigarros e CDs.

Além de inutilizar o alimento, os fiscais advertiram os dois ambulantes de que se voltarem à atividade poderão ser indiciados por crime contra a saúde pública. A comercialização de churrasquinho, seja com preparo no próprio local ou não, é proibida pelo Código Sanitário do Município por causa dos riscos de contaminação que representa.

Muitas vezes, a carne é clandestina, ou seja, não inspecionada e, portanto, pode transmitir doenças como tuberculose, brucelose, toxoplasmose e cisticercose. Além disso, a carne pode ser contaminada na manipulação ou durante a exposição ao ambiente, seja pela poeira em suspensão ou por insetos que pousam no alimentos, como moscas, por exemplo.

Sandro Araújo Silva, 25 anos, um dos ambulantes autuados, disse que os fiscais jogaram creolina na carne, inutilizando, inclusive, a caixa de isopor. Ele contou que passou a vender churrasquinho desde que perdeu o emprego de servente de pedreiro, há cerca de nove meses. O prejuízo, segundo ele, foi de cerca de R$ 50,00.

Apesar de ser advertido, Silva disse que pretende voltar a vender churrasquinho nas vias públicas porque, com filho para tratar, não tem outra opção. Ele questiona o fato dos vendedores de churrasquinho do Redentor serem autuados enquanto os que trabalham na Praça Rui Barbosa, em frente

à Câmara Municipal e outros pontos do Centro continuarem a atividade.

O diretor do Departamento de Saúde Coletiva, Luz Ricardo Cortez, disse que a fiscalização também será feita no Centro. Silva questiona o fato de ambulantes venderem outros produtos, como cigarros e CDs, de forma irregular na cidade. Para ele, a Vigilância Sanitária precisa regularizar a atividade, criando normas de higiene para garantir a qualidade do produto vendido. O ambulante ainda ressaltou que outros tipos de alimentos, como lanches, também ficam expostos ao ar livre e, nem por isso, a atividade é proibida.

No final do ano passado, fiscais tinham autuado sete barracas localizadas na rua Rafael Pereira Martini. O motivo, de acordo com Departamento de Saúde Coletiva, eram os constantes casos de intoxicação alimentar em moradores da região. A carne foi apreendida e depois submetida a análises em laboratório oficial, que mostrou que todo o alimento era impróprio ao consumo.

Na segunda fase do processo, uma nova blitz foi realizada na rua Rafael Pereira Martini, para verificar se os barraqueiros tinham voltado à atividade. A fiscalização, de quarta-feira

à noite, segundo informou a Vigilância Sanitária, além do Jardim Redentor, incluiu bares, restaurantes, lanchonetes e ambulantes de outras regiões da cidade, como Altos da Cidade e avenida Nações Unidas. Todos os fiscalizados estavam regularizados ou em processo de regularização com relação a alvará e carteira de saúde, documentos exigidos para a atividade.

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