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L.E.R.

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Desgaste: tecnologia exige mais produção

Na era da informática

Desgaste: tecnologia exige mais produção

Texto: Sabrina Magalhães

A informatização das últimas décadas vem acompanhada de uma mudança também no perfil da saúde do trabalhador

A rapidez com que as máquinas "pensam" e a economia de tempo que elas proporcionam ao desenvolvimento das atividades estão levando o homem a exceder todos os seus limites, chegando a um incrível e rápido desgaste físico e mental. Isso acontece, segundo os especialistas, porque a máquina suporta qualquer carga de trabalho e a responsabilidade das interrupções recai sobre aquele que a opera, sobre o ser vivo.

Na época em que a terra para o plantio era arada com o auxílio dos animais, o homem interrompia o trabalho alegando que os bois precisavam pastar e descansar. Com o advento do trator, o serviço só pára conforme a disposição do tratorista. Seguindo esta linha, quando se fala em computadores, essa responsabilidade aumenta ainda mais, já que a informatização vem diminuindo o campo de trabalho gradativamente, levando o empregado a exigir de si o máximo, para garantir sua vaga na empresa ou seu lugar no mercado, no caso dos profissionais liberais.

Toda esta preocupação em manter-se ativo e em mostrar uma capacidade maior que a do vizinho estão desencadeando problemas muito sérios. O medo do desemprego, a concorrência com o colega de profissão e a necessidade de mostrar mais e mais competência criam um insuportável e carregado ambiente de estresse para todos. Paralelamente a isso, o homem se força a produzir mais, esquecendo-se, quase sempre, de que seu corpo precisa de pausas periódicas, esquecendo-se de que os músculos requerem um condicionamento, de que os olhos precisam de descanso. Esquecendo-se de que o criador da máquina ainda tem um desafio a superar: o próprio limite.

Epidemia

Quando os computadores apareceram, o mundo acreditou ser o primeiro passo para que a humanidade deixasse de se desgastar no trabalho.

"Ironicamente, o que ocorre é justamente o oposto. Ao longo da década de 1990, vem-se trabalhando mais horas por dia em comparação às outras décadas. Falar sobre a semana (jornada de trabalho) de três dias continua tão irreal quanto há quarenta anos. Parece que, mais do que nunca, todas as nossas energias estão concentradas em mais trabalho por hora e em mais horas produtivas por dia", comenta a autora do livro "Computador e Saúde

- Manual do Usuário", Joanna Bawa.

Como resultado, a humanidade vive hoje uma epidemia tecnológica: queixas como fadiga, irritação, dores de cabeça, dor no pescoço e ansiedade já fazem parte do dia-a-dia de qualquer empresa. São as doenças relacionadas com o trabalho, as doenças profissionais. Entre elas, as mais comentadas e que despertam maior atenção dos médicos são o estresse e as Lesões por Esforços Repetitivos (LER). Não levadas em consideração, elas vão diminuindo a produtividade do trabalhador, podendo até incapacitar o indivíduo.

Prevenção

"Os computadores não nos deixam doentes; é o que fazemos com eles e o modo pelo qual os usamos é que pode ser tão prejudicial (...) Assim, não culpe seu computador; preste atenção em como você o utiliza", diz Bawa. Ela defende que prevenir o mal-estar e observar os primeiros sinais de desgaste são as melhores maneiras para se conviver pacificamente com a máquina, sem que ela nos domine.

Neste sentido, a primeira providência a ser tomada é adequar o ambiente a cada pessoa, de forma a não exigir um esforço muito grande do corpo. Por isso, todo o equipamento tem que ser adaptável, ajustável, desde a mesa - que permita elevar ou baixar o teclado -, o próprio teclado, que pode ser inclinado ou não, o monitor, a altura e encosto da cadeira, até a disposição de estantes e demais elementos, como, por exemplo, a localização das pastas de arquivo.

Se o mobiliário estiver corretamente disposto e ajustado, cabe ao homem não submeter seu corpo a movimentos muito bruscos ou exagerados, ou seja, se um documento está na mesa ao lado, ao invés de promover uma rotação da coluna e esticar os braços, é melhor levantar-se. Além de não prejudicar ossos e músculos, vai ser uma boa oportunidade para se dar aquela pausa tão necessária.

Outra iniciativa que se deve ter como alternativa de prevenção

é reservar um espaço do dia para uma atividade de lazer, seja para assistir a um filme, para sair e conversar com os amigos, levar o filho ou o cachorro para o parque, andar pelas lojas de um centro comercial, tudo vale para distrair e dar um descanso para a mente, ocupando-a com pensamentos bem diferentes daqueles com os quais ela está habituada a lidar.

Além desses cuidados, temos a orientação que os médicos não se cansam de repetir: é imprescindível praticar uma atividade física regularmente. Exercícios podem ter o mesmo efeito relaxante que um papo com os amigos. Durante a movimentação, o organismo libera as endorfinas, os hormônios do prazer, que minimizam a sensação de dor.

Por fim, uma prática esportiva vai aumentar o condicionamento muscular, preparando as fibras para passar mais tempo numa mesma posição ou, ao contrário, para movimentos repetitivos e duradouros.

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