CEI apura denúncia de fita em Agudos
CEI apura denúncia de fita em Agudos
Texto: Marcos Zibordi
A Comissão Especial de Inquérito deverá apurar suspeitas de tentativa de compra de votos para a eleição da Câmara Municipal do município
Agudos - Na primeira sessão legislativa do ano, os vereadores de Agudos aprovaram a instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar a denúncia de tentativa de compra de voto para eleição da presidência da Câmara Municipal, ocorrida em 7 de dezembro de 98.
A denúncia foi feita pelo vereador José Aparecido de Oliveira (PDT), O Ico, no último dia 12 de janeiro. O vereador entregou ao presidente da Câmara uma gravação onde outro vereador, Régis Soares Pauletti (PSD), aparece tentando comprar votos para a eleição da presidência da Câmara, da qual era candidato. O vereador João Carlos da Silva (PSDB), o João Tatu, seria o suposto intermediário. Pauletti e João Tatu admitem que mantiveram a conversa, mas ambos defendem que a intenção era comprovar as irregularidades cometidas pelo outro. Esses fatos é que deverão ser apurados pela CEI.
A Comissão Especial de Inquérito terá 90 dias para apurar a denúncia de tentativa de compra de voto. A instauração da CEI foi pedida por José Aparecido de Oliveira, o mesmo vereador que divulgou a gravação, na qual seu nome também é mencionado, entre outros.
Na sessão de anteontem, todos os 15 vereadores estavam presentes. Segundo Ico, foram recolhidas nove das cinco assinaturas necessárias para abertura da CEI. Entre os vereadores que assinaram pela instauração da CEI, estão Régis Pauletti e João Carlos da Silva, que dialogam e se acusam mutuamente na gravação sobre possível tentativa de compra de voto.
O vereador José Carlos Morandini (PMDB) é o presidente. A relatora será a vereadora Maria Vilma de Albuquerque
(PSDB) e, para membro, ficou definido o nome do vereador Lauro Marciano (PSD).
O resultado das investigações da CEI, se confirmada alguma irregularidade, pode servir de base para o pedido de uma Comissão Processante (CP), com poder de pedir a cassação de vereadores.
Fitas podem motivar outra CEI
Além da fita apresentada pelo vereador José Aparecido de Oliveira (e que originou a CEI aprovada anteontem), outras duas gravações surgiram durante o mês de janeiro. Elas tratam de um possível esquema de favorecimento na concessão de serviços pela Prefeitura aos vereadores. Na sessão de ontem, os vereadores adiaram a discussão sobre essas duas fitas para a sessão da próxima segunda-feira.
O vereador José Aparecido dos Santos (PT), o Zé Mensageiro, divulgou em 16 de dezembro uma segunda gravação que envolve sete vereadores e o prefeito num possível esquema de favorecimento para prestação de serviços para a Prefeitura. Segundo a gravação, alguns vereadores teriam preferência na concessão dos serviços em troca de votos na Câmara para aprovação de projetos da Prefeitura.
A terceira gravação, com acusações da mesma natureza, foi divulgada pelo vereador Evandro Rosso (PSB) em 22 de janeiro, após referências feitas na fita anterior sobre esta gravação. Nela, reforçam-se as suspeitas de favorecimento na prestação de serviços para a Prefeitura e os nomes de vários vereadores são citados, além do prefeito Afonso Condi (PSDB).
Como as duas gravações tratam do mesmo assunto, porém envolvendo nomes diferentes, a Câmara deverá decidir também se junta as duas denúncias numa mesma CEI, ou se instaura uma para cada denúncia.