O Polegar não acabou...
O Polegar não acabou...
Texto: Andréia Alevato
Quem é que não se lembra do grupo "Polegar", formado por Rafael, Ricardo, Alex e Allan, que levou milhares de adolescentes brasileiras, há 10 anos atrás, ao delírio, quando surgia na televisão, interpretando as músicas "Ela não Liga" e "Dá pra mim", e ainda atuando no cinema, no filme dos Trapalhões?
O grupo está fora da mídia já a algum tempo. Quem apareceu nela recentemente, foi Rafael (o vocalista da primeira formação da banda), com seus inúmeros problemas com as drogas.
Mas, o Polegar não acabou. Segundo o baterista da banda, Ricardo Costa, ele só está afastado da mídia e cada um de seus integrantes tem uma vida a parte da banda, cada um com uma profissão. Há seis anos a banda não lança nenhum disco. Mas, o grupo estava em estúdio, e, para a alegria das fãs, em março sai o novo CD da nova formação do "Polegar" (Ricardo Costa na bateria, Alan nos teclados, Marcelo na guitarra, André também guitarrista e Dênnis no contrabaixo).
Ricardo Costa hoje, é empresário, casado e pai de família. Esteve em Bauru no final do mês passado, acertando os últimos detalhes para realizar aqui, um Carnaval para o povo, no Kart In Door.
Jornal da Cidade: Qual o motivo da sua visita à Bauru?
Ricardo Costa: Sou de Marília, então, sempre passo por Bauru. Tenho um carinho muito grande por esta cidade. O lance é que no ano passado, eu fiz o Carnaval aqui, meio no anonimato, porque agora eu sou empresário. Tenho uma empresa de eventos. Tenho trio elétrico, três caminhões de sons, que são todos meus e não tercerizados, tenho uma empresa, que eu conciliei junto com o grupo Polegar, que teve sua formação e sua existência desde 87, por causa da minha pessoa, que começou no "Garotos na Cidade", idéia do Gugu. Então, eu comecei a adquirir experiência e influência. E como eu sempre fui o mais velho, enxerguei que o artista tem seu auge, mas ele tem a época do "não-auge". E eu, por ter constituído uma família, não posso depender só do sucesso do grupo. Abri essa empresa, a "Golden Star", de promoções e eventos, em São Paulo, e comecei a conciliar o grupo Polegar com a empresa. Primeiro, comecei a passar contatos de shows de artistas para amigos. Depois, montei meu primeiro trio elétrico. E estou trabalhando. Esse é o quinto ano que eu faço Carnaval, puxando Escola de Samba com trio elétrico, e o terceiro que eu faço com a minha estrutura, eu sozinho.
Como no ano passado, eu fiz o Carnaval aqui, resolvi fazer de novo. Mas, fiquei sabendo que não vai ter Carnaval de rua. Então vou fazer um Carnaval para o povo, que está acostumado a ver o Carnaval na avenida, no Kart In Door. Vou cumprir todos os trâmites legais, porque além de eu ser uma pessoa pública, sou filho de uma pessoa pública, e fazer um Carnaval muito divertido para os bauruenses.
Jornal da Cidade: Você estava apresentando um programa de Rádio, em Presidente Prudente, há alguns meses atrás?
Ricardo Costa: Eu tenho uma Rádio em Presidente Prudente e tinha um programa. E foi muito legal para mim, porque foi uma maneira das pessoas saberem que a Rádio era minha e que eu tinha competência para apresentar o programa. Apresentei seis meses um programa diário, que ficava no ar das 8h
às 11 horas. Hoje, eu sou o diretor comercial da Rádio e diretor artístico, e minha esposa, a diretora geral. Tenho também uma Rádio em Assis e outra em Cândido Mota. Essas duas são arrendadas, mas a intenção,
é que no futuro, nós possamos cuidar delas também.
Jornal da Cidade: O Polegar acabou? Foi como o Menudo ou o Dominó, que teve seu tempo de sucesso e depois acabou? Foi trocado por outro grupo?
Ricardo Costa: O Polegar nunca acabou, nunca sumiu, porque as pessoas lembram da fisionomia dos integrantes da primeira formação do grupo. É lógico que em vista do que era antes, em 89, o sucesso diminuiu. Mas, ninguém é rei a vida inteira. É difícil um artista a vida toda, principalmente para um grupo, que são mais pessoas e mais idéias diferentes. E nós saímos um pouco da mídia. Mesmo porque, vieram outros gêneros musicais, que foi a Lambada, o Sertanejo, o Axé e o Pagode. Agora, ficou o Sertanejo, o Pagode e o Axé. Se formos ver, outros grupos também se afastaram, como o Rádio Táxi. O Polegar sempre esteve junto. Nós estamos juntos ainda, fazemos shows, só que agora somos cinco integrantes. Só que agora, nós não dependemos só do grupo. Todos nós temos uma profissão. Eu sou o baterista e sou empresário. Allan, também da primeira formação,
é o tecladista do grupo e é médico residente. Dênnis é o contrabaixista e é professor de inglês. Marcelo e André são os dois guitarristas. Cada um tem sua participação importante. Hoje, o Polegar está muito mais unido, com uma experiência de música muito maior do que em 89. O problema de estar um pouco fora da mídia, é que o meio artístico
é muito lindo e legal para quem está dentro, mas
é um meio que você tem que ter jogo de cintura e matar um leão a cada seis meses. A cada seis meses tem que lançar uma música e garantir que ela tenha sucesso, além de enfrentar os problemas econômicos do país, porque o artista vive de shows, principalmente os de feiras agro-pecuárias. A vida do artista é um ciclo de venda de discos, de música tocando nas Rádios, de se apresentar em programas de televisão e de fazer shows. Da primeira formação do Polegar, está no grupo hoje, eu e o Allan. O Alex é produtor musical. Foi ele quem produziu o disco do ET e do Rodolfo. Ele tem o estúdio dele. E o Rafael teve aquele problema que chocou, não só a gente, mas todo o Brasil, e que de uma forma ou de outra, ele infelizmente ele vacilou, mas está tentando se recuperar. Ele gravou o disco dele e tomara que comece a tocar nas Rádios, que ele apareça na televisão e que ele consiga ser um artista competente e profissional, para que ele conserte tudo que aconteceu, porque a foi a força da opinião pública que fez com que ele saísse da cadeia antes, mas ele ainda tem um débito com a Justiça.
Jornal da Cidade: O Rafael afirmou que o grupo o abandonou. Como você vê essa afirmação?
Ricardo Costa: Só lembrando, na época, o grupo deu uma caída por causa da situação financeira do Brasil, que foi o Plano Collor. Foi justamente naquela
época que o grupo deu uma parada, diminuiu o número de shows. E também, estava mudando o mercado musical. A Lambada estava estourando no mercado musical. Mas, nenhum dos integrantes do Polegar, nem eu, nem o Allan e nem o Alex, tínhamos autonomia para tirar o Rafael do grupo. Nós éramos contratados, como ele, pela Promoart. Quem o afastou do Polegar foi a diretoria da Promoart, na qual o diretor é o Gugu. Na época, nós nem sabíamos porque ele tinha saído. A gente pensava que ele tinha saído para apresentar o programa "Casa Mágica". Fomos saber da verdade depois de um ano. E ele foi afastado, porque a diretoria da Promoart ficou sabendo que ele estava usando drogas e que estava se afundando nelas. O desgosto do Gugu foi tão grande, que ele resolveu afastá-lo do Polegar, que era um grupo que fazia tanto sucesso na época. Mas, mesmo assim, ele não foi afastado totalmente. Ele foi apresentar um programa de TV, o "Casa Mágica", com s Silvinha. Mas, depois que ele saiu do grupo, eu não sei o que aconteceu. Se ele saiu do Polegar, foi conseqüência de seus atos. Ele colheu o que ele mesmo plantou.
Jornal da Cidade: Você disse que constituiu família?
Ricardo Costa: Eu me casei há quatro anos, tenho uma filha, a Larissa, de dois anos. Minha esposa chama-se Leda e trabalha junto comigo. Ela é diretora geral da Rádio de Presidente Prudente. Mas, formar uma família foi muito bom para mim. Depois que a Larissa nasceu, eu comecei a compreender mais as pessoas e a valorizá-las mais. Valorizar mais os pais e o ser humano.