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Posição do Legislativo

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Vereadores fazem duras críticas à decisão do STF

CP vai combater corrupção, dizem vereadores

Texto: Luciano Augusto

A maioria dos vereadores que compõem a Câmara Municipal recebeu a notícia da decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que mantém a liminar concedida a Izzo Filho, com críticas. Na tribuna os discursos foram incisivos e diretos, não diretamente contra a posição do presidente do Supremo, mas em relação às denúncias de corrupção que pesam sobre o prefeito Izzo Filho. Para os que se manifestaram em relação

à decisão do STF, Izzo não tem mais governabilidade e Comissão Processante dará resposta às denúncias de corrupção envolvendo sua gestão.

O vereador Edmundo Albuquerque (PSDB) encarou a decisão como uma ofensa ao Legislativo e um "retrocesso" para a cidade. Para ele, "estão preocupados com a permanência de Izzo mas não estão preocupados com a cidade. Bauru chegou ao fundo do poço". Como membro da Comissão Processante (CP), instaurada na Câmara Municipal para apurar denúncias de cobrança de propina de Izzo Filho (PPB), disse que "ela será continuada para dar um parecer favorável sobre os desmandos que vem ocorrendo na cidade". Albuquerque acha que não existe "condições de outro mandato e a permanência dele (Izzo) é prejudicial para Bauru".

Para o vereador João Parreira de Miranda, do PMDB, "no meio de todos estes problemas, o mais importante é a credibilidade" para o homem público. Complementando o seu discurso, disse que "o mérito em relação à CP ainda não foi julgado, mas há a certeza de que será feita justiça".

Já José Carlos Batata (PT) recebeu a notícia com "indignação". Batata clamou pelas

"manifestações populares, uma vez que Izzo não tem mais nenhuma credibilidade". Lucrécio Jacques (sem partido) fez um dos discursos mais duros da sessão. Se referiu a Izzo como "vulgo propinão" e "chefe da corrupção, que não pode ser chamado de gente, mas de indivíduo". Disse ainda que a decisão do STF trouxe "a tristeza de volta. Bauru foi apunhalada por um despacho do ministro". Completou seu discurso afirmando que a sociedade não deve "aceitar um forasteiro, que veio limpar os cofres da cidade".

A vereadora Catarina Carvalho Teixeira (sem partido), que votou contra a cassação de Izzo Filho, estava mais tranqüila. Disse que "esta é uma decisão que todos devem acatar, porque vem da mais alta corte do Poder Judiciário", mas frisou que "a situação em Bauru continua instável, porque as medidas liminares são todas provisórias e podem ser cassadas a qualquer momento".

Considerou que para o prefeito afastado, "isso deve ser muito gratificante para Izzo. Mas, ao mesmo tempo que dá tranqüilidade também causa apreensão porque o processo ainda será julgado". A vereadora não acredita que esta decisão interfira nos trabalhos da comissão processante, "porque os assuntos são absolutamente diferentes. Isso é uma resolução do Poder Judiciário que não interrompe os trabalhos da Câmara e nem a busca da verdade". Entre os outros vereadores izzistas, Rino Biagio (PPB) não quis se manifestar, assim como José Eduardo Ávila

(sem partido) e Leandro Martins (PPB). Rogério Medina, outro simpatizante do prefeito, não compareceu à sessão por falecimento de familiar.

Luiz Carlos Valle (PDT) fez o discurso mais enfático. Valle disse que a "Justiça de Deus não falha e que esta cidade vai eliminar a corrupção que atrapalha seu desenvolvimento". O vereador fez menção a um trecho bíblico para dizer que a "verdade vai prevalecer sobre a mentira". Valle mencionou que não se "pode admitir que um prefeito continue mentindo para toda a população. A última mentira foi dizer que não sabia quem produzia o jornal 'O Bauruense'. Mais uma mentira foi desmascarada e essa cidade vai desmascarar quantas vierem. Agora a Polícia Civil acaba de apreender os computadores e os arquivos do jornal clandestino que era feito no próprio terceiro andar da Prefeitura, perto do gabinete do prefeito".

Luiz Carlos Valle disse que "os bauruenses podem ter certeza que todas as mentiras serão desvendadas e que as verdades passam a aparecer". O vereador ainda desafiou aqueles vereadores que "defendem o prefeito Izzo a subirem na tribuna e dizerem que este jornal clandestino não era feito na Prefeitura, uma publicação ofensiva à honra de vereadores e gente séria dessa cidade". Nenhum dos izzistas presentes se manifestou.

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