Internet é mais um instrumento para músicos
Internet é mais um instrumento para músicos
Texto: Eva Rodrigues
Mesmo com todas as polêmicas envolvendo música e Internet, como a questão em torno de direitos autorais ou pagamento de tributos ao Ecad, o fato é que fazer música hoje em dia ficou mais simples - pelo menos para os iniciados nas teias da grande rede.
Com a divulgação de músicas pela Internet ficou muito simples gravar novos timbres para enriquecer sequências musicais ou simplesmente trocar gostos musicais pelos quatro cantos do mundo através de formatos como o MP3, que grava arquivos de forma comprimida e com qualidade digital.
O músico Roberto Silva de Souza comercializa sequências musicais (playback) e tem na rede mundial mais uma aliada no seu trabalho. "Procuro as sequências .mid na Internet, pego timbres diferentes, coloco na música feita por mim e o resultado é uma música com mais qualidade."
Mas Souza observa que não se trata de mera cópia o que ele faz. "Não é um trabalho muito simples. Cada canal do teclado tem um timbre diferente e se a pessoa pega da Internet corre o risco de distribuir nos canais errados do teclado - então essa passa a ser uma possibilidade somente para quem entende de música."
Marcos Alberto Belinazi, músico da banda Free Lance, também já experimentou os recursos da Web. "Usava a Internet para pegar músicas sequenciadas e gravava no Cakewalk, um softer que permite que se faça alterações na música. Isso me ajudava muito para montar minhas sequências no teclado. Com a Internet, há muito mais recursos, o teclado
é mais limitado."
Apesar de já ter usado timbres tirados da Internet para enriquecer sua música, Belinazi acredita que deveria haver um controle, "porque não acho justo eu colocar uma sequência minha e outra pessoa simplesmente pegar sem pagar nada. Para músicos já consagrados talvez seja interessante a divulgação, mas para quem está começando
é difícil, o cara precisa do dinheiro".
Nova pirataria
A pirataria tem sobrevivido através dos tempos e apesar das batalhas sem fim para contê-la. E a divulgação de música pela Internet ganhou um forte aliado pró-pirataria que está deixando a indústria fonográfica de orelha em pé. É o MP3, um novo padrão de áudio digital que comprime arquivos sonoros para um décimo de seu tamanho original. Com o MP3, o internauta tem condições de gravar uma música com qualidade digital em poucos minutos.
Não bastasse o MP3, a Diamond Multimedia resolveu dar um impulso a mais nas discussões e lançou no mercado o Rio, espécie de walkman que toca músicas baixadas da Internet. Acusado de ser o mais novo instrumento de pirataria, o aparelho, plugado no computador, copia 60 minutos de arquivos MP3. Enquanto o usuário se delicia com a novidade, as gravadoras não conseguem mais dormir com esse barulhinho bom.
Ecad quer arrecadar de provedores
Entre as tantas batalhas jurídicas que surgem diariamente relativas a questões envolvendo a Internet, o Escritório Central de Arrecadação (Ecad) é o responsável por uma delas. O órgão faz a arrecadação de direitos autorais pela utilização pública de obras musicais e está discutindo com a Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet (Abranet) a melhor forma de cobrar de provedores que estejam hospedando home pages que disponibilizam músicas.
"Como se trata de uma matéria nova, ainda não conseguimos cobrar, mas já estamos movendo ação judicial sobre o assunto", explica o advogado do Ecad, José Diamantino.
Uma das dificuldades apontadas por Diamantino para a cobrança junto aos provedores é o caráter efêmero de uma home page. "Você coloca uma página agora e daqui a uma semana já modifica ou tira do ar. Então, tem que haver uma medida judicial muito rápida, senão não dá tempo".
Na visão do gerente comercial da Travelnet, Luiz Eduardo Bertolaccine, "é muito difícil que o Ecad consiga viabilizar essa cobrança porque as home pages mudam constantemente. Agora, se tiver mesmo que pagar, vamos avaliar se é fundamental para o nosso público manter uma home page com divulgação de música; se não for importante tiramos do ar".