Região teve queda na atividade econômica
Região teve queda na atividade econômica
Texto: Paulo Toledo
A região de Bauru teve uma redução da movimentação econômica de 0,65%, em novembro de 98, após uma redução de 0,33% no mês anterior. O nível da pesquisa dos Indicadores da Movimentação Econômica (IME) Regional, realizada pela Fipe em parceria com o Sebrae-SP, passa de 109,55 em setembro para 109,18 em outubro e para 108,48 em novembro. O nível do IME de novembro de 98 é - 3,31% inferior ao mês de novembro de 97. A análise engloba a área formada pelos municípios das regiões de governo de Bauru, Jaú e Lins.
A análise setorial mostra que o IME rural da apresenta aumento de 0,08% em novembro em relação a outubro de 1998. O IME industrial apresenta queda de 0,59%, em novembro, em relação a outubro de 1998. O IME comercial apresenta aumento de 0,75% em novembro em relação a outubro de 1998.
O objetivo da pesquisa do IME é fornecer informações sobre o nível e o ritmo da atividade econômica de 32 regiões nas quais o Sebrae-SP possui agências, no Estado de São Paulo.
O indicador apresentado, o IME, é uma média ponderada de cinco variáveis indicativas da atividade econômica em cada região: arrecadação de ICMS, arrecadação de IPI, arrecadação de Cofins mais PIS/Pasep, depósitos bancários e consumo de energia elétrica, sendo o IME a média ponderada desses índices.
Além do indicador geral, são apresentados também indicadores para a agricultura (baseado no consumo de energia elétrica rural), indústria (ICMS, consumo de energia elétrica industrial e IPI) e para o setor terciário
(ICMS comercial e consumo de energia elétrica comercial).
De acordo com os valores do IME do Estado de São Paulo, sua movimentação econômica apresentou uma queda de 0,47%, em novembro deste ano, após ter sofrido uma queda de 1,54%, no mês anterior. Dessa forma, o nível do IME passou de 108,19, em setembro, para 106,53 em outubro e para 106,03 em novembro.
Em decorrência, o nível do IME em novembro de 1998 ficou 10,60% abaixo do de novembro de 1997.
Dado o caráter do ajuste fiscal proposto pelo governo, não será nenhuma surpresa se o IME dos próximos meses apresentar um comportamento modesto, a despeito do final de ano ser um período positivo para a atividade econômica.
O quadro de queda da atividade econômica do Estado pode ser melhor verificado quando se analisa o comportamento econômico das 32 regiões de análise. Dentre essas, apenas oito regiões apresentaram taxas de variação positivas em novembro. Destacam-se nesse grupo as regiões de Marília (1,3%), de Guaratinguetá (0,72%) e de Ourinhos (0,66%). No grupo das 24 regiões com taxas negativas, a atividade econômica retraiu-se de forma mais acentuada nas regiões de Caraguatatuba (- 4,61%), de Registro (- 4,17%), de Itapeva (- 2,57%) e no município de São Bernardo (- 2,56%) - veja quadro.
A região de Araçatuba teve uma queda no IME maior do que Bauru, chegando a - 0,89%, em novembro de 98, após uma redução de 0,50%, no mês anterior. A região de Araraquara teve uma redução da movimentação econômica de 0,25%, em novembro de 98, após um aumento de 2,02% no mês anterior.
A região de Botucatu apresentou uma redução da movimentação econômica de 1,30%, em novembro de 98, após um aumento de 0,61% no mês anterior. A região de Ourinhos teve um aumento da movimentação econômica de 0,66%, em novembro, após um aumento de 0,16% no mês anterior.
Recessão provocou queda, diz Sebrae
A principal queda foi do IME foi do setor industrial, devido a recessão econômica verificada na região, principalmente, no segundo semestre de 98, analisa Paulo Roberto Tebaldi, gerente da agência Bauru do Sebrae.
De acordo com ele, isto esta diretamente ligada a política monetária de juros altos adotada pelo governo e a competição dos produtos importados, isso trouxe aumento do desemprego cuja taxa na região esta no percentual de 7,9% da população economicamente ativa. Tebaldi diz que, com o aumento do desemprego, houve um aumento da economia informal porque as pessoas desempregadas procuraram uma ocupação.
De acordo com o gerente do Sebrae, na região de Bauru a economia informal representa 40% do movimento econômico. Isso ocasionou uma concorrência com o setor comercial legalmente estabelecido e, que ao longo do ano de 98 teve seu IME decrescente. Houve apenas uma ligeira reação nos últimos dois meses do ano, o que já é característico da época.
Tebaldi diz que o setor agrícola da região, também, foi penalizado, na media, uma vez esse setor não é tão forte, apesar dos destaques para as colheitas de abacaxi, melancia, cana e da suinocultura. "A expectativa que se tem para o IME da região de Bauru, neste primeiro trimestre de 99, é uma tendência declinante, conseqüência das últimas medias do ajuste fiscal, política monetária e cambial adotadas pelo Governo Federal", prevê. (PT)
Economista destaca a queda na atividade econômica
O economista Reinaldo César Cafeo, 37 anos, afirma que fraco desempenho da região de Bauru pode ter a interferência da queda no nível de atividade. Se analisado o IME industrial
(ICMS, Energia e IPI), verifica-se uma queda de 0,59%, portanto foi este setor que mais contribuiu para o fraco desempenho do
índice da região. De acordo com Cafeo, isto é comprovado comparando-se aos outros dois IMEs. O IME rural (consumo de energia rural) apresentou aumento de 0,08% e, o IME setor terciário
(ICMS comercial e consumo de energia comercial) também apresentou aumento de 0,75% no mesmo período.
Como, no critério, adota-se para os impostos o regime de caixa, ou seja, volume arrecadado e ainda o consumo de energia do mês e a movimentação financeira do mês, diz o economista, pode-se avaliar que, no caso das indústrias
(que contribuíram para o baixo desempenho do IME) estas trabalharam com ociosidade produtiva, mesmo já sendo o mês de outubro (fato gerador dos impostos) um mês de demanda pelas compras de final de ano. Além disso, demonstra, entre outras coisas, que o comércio foi "conservador" em suas compras, aproveitando a estabilidade da moeda para trabalhar com os estoques das fábricas.
Cafeo diz, ainda, que deve-se considerar que novembro foi marcado por forte instabilidade no cenário internacional, via crise russa de certa forma retraindo o setor produtivo, pela insegurança causada.
O economista diz que outro número que chama a atenção
é o comparativo do mesmo período, ou seja, novembro/98 e novembro/97. A região teve queda de 3,31%, portanto, demonstração clara que estava operando em níveis mais baixos em 98, apesar do crescimento populacional. Os aumentos de impostos, os juros elevados, a crise mundial, as incertezas do que poderia vir pela frente, efetivamente retraíram os agentes econômicos.
Cafeo diz que, contudo, vale a ressalva: "Bauru continua dentro da média do Estado, ou seja, nem figura no pico
(dos melhores desempenhos), como a região de Marília por exemplo, e tão pouco no vale (dos piores desempenhos) como a região de Caraguatatuba".
Cafeo lembra que o IME do Estado teve queda de 0,47% em novembro em relação a outubro. Enquanto isso, o IME da região de Bauru apresentou decrescimo de 0,65% no mesmo período. Isto representa 0,18 ponto percentual a mais do que a média do Estado.
Cafeo destaca que IME fornece informações sobre o nível e ritmo da atividade econômica no Estado de São Paulo por média ponderada da arrecadação de ICMS; arrecadação de IPI; arrecadação de Cofins mais PIS/Pasep; depósitos bancários; consumo de energia elétrica.
Para ele, é necessário se fazer algumas ressalvas fundamentais para esta análise: a arrecadação de ICMS: refere-se a todas as empresas industriais e comerciais sediadas no Estado, excetuando as prestadoras de serviços
(que não recolhem o ICMS). Também as empresas exportadoras, por terem, alíquota reduzida a zero ficam fora desta análise. A arrecadação IPI: refere-se a todas empresas industriais, com exceção as que optaram pelo Simples Federal
(faturamento até 720 mil em 1998). A arrecadação do Cofins mais PIS/Pasep: Cofins refere-se a todas as empresas, PIS empresas privadas, e Pasep empresas públicas.
Em relação aos depósitos bancários: reflete a movimentação financeira das empresas e das pessoas físicas. Também acaba detectando a movimentação da economia informal. O consumo de energia: todas inclusive o consumo rural.
De acordo com ele, um ponto a ser lembrado é que a metodologia menciona arrecadação e não valor do imposto devido. Empresas que estão inadimplentes e, não são poucas, ficam fora desta análise. Sempre que há problema no fluxo de caixa, normalmente a empresa opta por atrasar impostos, priorizando salários e fornecedores.
(PT)