Vereador confirma "caixinha" e pede CEI
Vereador confirma 'caixinha' e pede CEI
Zé Mensageiro afirma que participou da reunião onde, segundo o vereador Evandro Rosso, foi montado um esquema de compra de votos
Agudos - O vereador José Aparecido dos Santos (PT), o Zé Mensageiro, de Agudos, afirmou ontem em entrevista ao Jornal da Cidade que esteve presente numa reunião na casa do vereador Lauro Antônio em outubro de 1996, onde teria sido fechado um acordo de compra de votos para a escolha prévia dos presidentes da Câmara para os quatro anos.
"Eu não quis participar porque achei errado. Eu considerava compra de voto e, como na minha eleição eu fui eleito sem comprar voto, eu não precisava também de vender o meu", afirmou o vereador acrescentando que na próxima sessão da Câmara, dia 22, apresentará pedido de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito
(CEI) para apurar a denúncia feita pelo vereador Evandro Rosso.
Zé Mensageiro disse não saber de quem exatamente partiu a idéia da reunião e do acordo. Disse que estava na casa dele quando o vereador Evandro Rosso (PSB) passou lá e o convidou para essa reunião. "Aí nós fomos para lá. Aí foi feita essa proposta. Naquele dia eu não dei resposta nenhuma para ele (o grupo). Aí eu fui embora para minha casa e no dia seguinte procurei o Evandro e falei: não quero participar desse grupo não porque eu não acho correto. Mas houve. Tudo que o Evandro falou é verdade".
O suposto acordo de compra de voto denunciado pelo vereador Rosso veio a público durante sessão da Câmara realizada no dia 8 de feveiro último. Numa atitude surpreendente, o vereador usou da palavra para denunciar um esquema ilegal de compra de votos do qual ele próprio faria parte. Ele afirma que por um período de ano e cinco meses, um grupo de nove vereadores participou de um esquema de 'caixinha' para manter na presidência da Câmara, os candidatos previamente escolhidos. Vereadores entrevistados pelo JC e que segundo Rosso fariam parte do acordo negaram as acusações. De acordo com Evandro Rosso, logo após as aleições realizadas de 96, houve uma reunião na casa do vereador Lauro Antônio (PSD), onde estavam presentes entre outras pessoas, os vereadores José Aparecido Dantas (PTB), Lauro Antônio (PSD), José Otaviano Delazari (PMDB), o pastor Manoel Messias (PPB), José Aparecido de Oliveira, o Ico
(PDT), Vilma de Albuquerque (PSDB), Tarciso Hellinger (PTB), Evandro Rosso (PSB), José Aparecido dos Santos, o Zé Mensageiro
(PT) e Michel Ayub (já falecido). Dessa mesma reunião teriam participado Carlos Octaviani e Nélson Ayub então candidatos derrotados na eleição, respectivamente aos cargos de prefeito e vice-prefeito. Nesse encontro, segundo Rosso, foram pré-escolhidos os nomes dos quatro vereadores que ocupariam a presidência da Câmara pelos quatro anos seguintes, sendo eles: José Otaviano Delazari, Evandro Rosso, Aparecido Dantas e Vilma de Albuquerque.
Para Zé Mensageiro, uma das provas de que o acordo existiu
é o fato da presidência da Câmara estar sendo coupada pelos vereadores citados por Rosso. O primeiro a assumir a presidência foi José Otaviano Delazari que no final do ano renunciou para que seu vice, o vereador Rosso, assumisse.
Segundo a denúncia de Rosso, nove vereadores passaram a fazer parte do acordo e ficou definido que a verba de representação recebida pelo presidente da Câmara , em torno de R$ 2,7 mil seria dividida entre os vereadores. "Esse era o sistema de garantia que eles tinham", diz Zé Mensageiro acrescentando que além de considerar que o acordo era errado, "para efeito político eu acho isso aí muito ruim: a compra e venda do voto, fazendo do voto o produto capital e não um título de confiança que você dá a uma pessoa para representar o povo".
Evandro Rosso afirma que durante todo o ano de 1996 recebeu a parte que lhe cabia na divisão da verba de representação, cerca de R$ 200,00. "Recebi os doze meses e paguei durante cinco meses. Depois vi que estava errado e parei".
O terceiro vereador a assumir a presidência da Câmara
é Aparecido Dantas que tem como vice Vilma de Albuquerque. Ele confirma que também participou da reunião onde se discutiu as candidaturas, mas desconhece qualquer compromisso envolvendo dinheiro. Ele diz que nem sabe ainda se no final do ano renunciará para sua vice assuma a presidência. Dantas disse que diante das graves denúncias feitas por Rosso, encaminhou o assunto para o Ministério Público analisar.