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Boas maneiras

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

Etiqueta arranhada

Etiqueta arranhada

Texto: Andréia Alevato

Depois de livros sobre etiqueta para homens e mulheres, agora

é a vez dos adolescentes. Está chegando às livrarias o livro "Surfando no Laquê", que tenta recuperar o "por favor", o "obrigado" e outras relíquias.

"Surfando no Laquê", da jornalista carioca Lucia Rito, pretende, segundo a própria autora, "descrever a relação da juventude com a peruagem".

O livro reúne desde as lições de etiquetas mais básicas, como agradecer ou pedir "por favor", até orientações sobre como se comportar no primeiro beijo, na primeira relação sexual e até quando um amigo perde um parente próximo.

"É despretencioso, daqueles livros que quem ler um dia vai usar", aposta a autora.

Em capítulos como "criando hábitos" ou

"o convívio social: como fazer amigos", Surfando... deixa à mostra até que ponto as regras básicas da boa educação, como o uso das expressões tipo "obrigado", "por favor" e "não há de quê" andam bem-enferrujadas. A tentativa de Lúcia é recuperá-las para o uso da garotada dos anos 90.

"Às vezes, dou meu lugar no ônibus para uma pessoa mais velha sentar. Mas têm adultos muito mal educados, que também poderiam fazer algumas gentilezas ou até mesmo agradecer as nossas", disse o estudante José Enoque dos Santos, 16 anos.

Gentilezas com a namorada, com amigas ou primas, como carregar a mochila ou o material escolar, às vezes, também são esquecidas.

"Eu não carrego o material escolar da minha namorada. Já tenho que carregar o meu, então, ela que carregue o dela. Agora, se eu não estiver carregando nada, eu levo o dela numa boa", afirmou Rodrigo Saraiva, 16 anos.

"Eu sempre carrego o material da minha namorada e até o da minha prima", comentou Thiago Fernandes Peleçari Joaquim, 14 anos.

Para Thiago Joaquim, fazer gentilezas é um ato legal e sempre notado pelas pessoas.

"Já ajudei vários velhinhos atravessarem a rua na frente do Liceu", completou.

A estudante Patrícia Beloni, 15 anos, namorada de Rodrigo Saraiva, afirmou que, de manhã, quando vai para a escola, não dá seu lugar para as pessoas mais velhas sentarem, mas que agradecer ou pedir favores com educação são expressões sempre usadas. Seu amigo, Rodrigo Coto, 16 anos, concorda que dizer "obrigado" ou pedir

"por favor" são formas de mostrar a educação de cada um.

"Eu sempre digo "obrigado" e "por favor", porque é uma forma de mostrar minha educação. Agora, quando sou educado com uma pessoa e ela não corresponde, fico furioso", completou.

Para Lúcia Rito, as meninas se preocupam mais com as boas maneiras e que ficam mais antenadas para os gestos de cavalheirismos.

"Sempre faço gentilezas para as pessoas, mas só recebo do meu primo e dos meus irmãos. Mas acho legal quando algum menino se puxa a cadeira da menina para que ela sente ou abra a porta do carro", afirmou Roberta Peliçari Cassiano, 15 anos.

Muitos jovens admitem que às vezes esquecem do básico

"por favor" ou do "obrigado", mas não são só os jovens que são infratores.

"Já aconteceu de eu dar meu lugar para uma pessoa mais velha sentar e ela nem agradecer. Às vezes fico com raiva e falo: de nada, hein!", finalizou José Enoque dos Santos.

Serviço

O livro "Surfando no Laquê" é da jornalista Lucia Rito, da Editora Rocco, e pode já pode ser encontrado nas livrarias da cidade.

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