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Caso ECCB

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

Previdello e Torrens negamenvolvimento; caixa 2 é confirmado

Previdello e Torrens negam envolvimento; caixa 2 é confirmado

Texto: Josefa Cunha

O ex-diretor administrativo da ECCB, Adhemar Previdello, e o ex-presidente da Emdurb, André Torrens, acusados de extorquir, junto com Antonio Izzo Filho, a empresa circular, prestaram depoimento ontem no 3.º Distrito Policial. As diretoras da empresa, Nerle e Carmem Quaggio, que apresentaram formalmente a denúncia contra os três, também foram ouvidas ontem, depois de várias intimações frustradas. Nerle, que faltou à última intimação por motivo de doença, passou mal durante a oitiva.

O delegado Roberto Terraz, do 3.º DP, acompanhou os depoimentos junto com o delegado assistente da Seccional, Édson Cardia, e o promotor Hércules Sormani Neto. Segundo informou, ambos os acusados negaram envolvimento no caso de extorsão, mas declararam fatos que deverão colaborar com a conclusão dos inquéritos.

André Torrens, por exemplo, negou, como já se esperava, qualquer participação em cobrança de propinas, mas teria caído em contradição durante a oitiva. Terraz cita que as declarações de Torrens e Previdello chocam-se em determinados momentos. Um deles, por exemplo, refere-se às reuniões que teriam ocorrido na casa do prefeito afastado Antonio Izzo Filho.

As denunciantes afirmam que, por duas vezes, estiveram na casa de Izzo para levar-lhe dinheiro extorquido. Torrens confirmou ter comparecido nas duas oportunidades, enquanto Previdello nega ter estado presente. Ambos, porém, alegam que os encontros foram realizados para tratar de questão relativa ao pagamento da taxa de gestão à Emdurb.

A existência de um "caixa 2" na ECCB, entretanto, sobrepõe, em grau de relevância, as contradições. As suspeitas a respeito da contabilidade paralela eram fortes e sua confirmação partiu do próprio Adhemar Previdello, que durante anos esteve à frente da administração da empresa. Segundo informou às autoridades policiais e ao promotor Sormani, o "caixa 2" era utilizado para o pagamento de contas "alheias" ao planejamento contábil. No entendimento de Terraz, Cardia e Sormani, o dinheiro paralelo pode ter sido usado no pagamento das propinas. Obviamente, Previdello não assumiu tal condição.

Segundo o delegado Cardia, a propina que teria sido paga pela ECCB está contabilizada no processo de concordata que tramita no Fórum local. O delegado, aliás, já teria requerido tais provas ao juiz encarregado do caso. "Vamos periciar essa contabilização e, caso confirmada, teremos uma prova material contra os envolvidos", adiantou.

Tanto Torrens quanto Previdello insistiram no desconhecimento dos fatos denunciados por Nerle e Carmem Quaggio. O ex-diretor da ECCB se negou a comentar possível envolvimento de funcionários da empresa no esquema, assim como desmentiu sua condição de "intermediário" nas transações. Também negou ter entregado dinheiro ao prefeito, contrariando informação prestada pelo servidor municipal Paulo Fernandes. Previdello disse não conhecer Fernandes e nem Mário Sérgio Chieco, que foi flagrado tentando intermediar negociações com Carmem Quaggio.

André Torrens, que conversou com a imprensa logo após seu depoimento, lamentou ter sido citado pelas empresárias.

"São coisas que chocam a gente, mas foi uma opção que elas fizeram. Tudo isso é uma grande mentira", alegou. Sobre suas falas nas fitas que estão em poder da Polícia, Torrens explicou que os valores mencionados referem-se a taxas legais cobradas das operadoras do sistema de transporte.

"O que falo nessas gravações é sobre as taxas. No fim, será provado que tudo isso não passa de uma grande mentira", insistiu.

Provas já incriminariam acusados

Texto: Josefa Cunha

As provas colhidas até agora nos inquéritos que apuram as denúncias de extorsão contra a Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) são contundentes no sentido de confirmar a ocorrência dos delitos. A declaração foi dada ontem pelo promotor Hércules Sormani Neto, designado pela Procuradoria do Estado para acompanhar os trabalhos na Seccional de Polícia.

Em entrevista coletiva após os depoimentos das denunciantes, Nerle e Carmem Quaggio, e dos acusados, Adhemar Previdello e André Torrens, Sormani disse que as investigações já estão em fase de desfecho e que tudo aponta contra os denunciados, inclusive contra Antonio Izzo Filho, também indiciado no caso.

O delegado assistente da Seccional de Polícia, Édson Cardia, compartilha da mesma opinião e dá indícios de como deverá ser o desfecho dos inquéritos. Em seu ponto de vista e no que depender de sua iniciativa, as "providências deverão ser as mais desagradáveis possíveis para todos os envolvidos". Ontem, Cardia informou que convocará Antonio Izzo Filho para prestar depoimento, tendo em vista a denúncia de coação feita pelas diretoras da ECCB (veja matéria completa nesta página).

O delegado não quis adiantar sobre as providências que deverão ser tomadas tão logo o inquérito seja concluído. O promotor Hércules Sormani Neto disse que para a formulação da provável denúncia será preciso estudar quais crimes foram praticados. "Nós detectamos que ocorreram várias 'levas' de dinheiro e precisamos, por exemplo, avaliar se houve ocorrência de crime continuado. No momento, é precipitado dizer quais as infrações e suas respectivas penas. Por enquanto, sabemos que são vários crimes de natureza grave", antecipou.

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