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Erosões

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru precisa de um plano para resolver problema das erosões

Bauru precisa de um plano para resolver definitivamente as erosões

Texto: Rita de Cássia Cornélio

O tipo de solo de Bauru favorece o aparecimento de erosões. A cidade tem hoje cerca de 30 grandes erosões que devem ser controladas para evitar o aparecimento de outras. O sucateamento da frota da secretaria de Obras aliada a falta de recursos econômicos e de um planejamento contribuem para que o município se enquadre em estado de calamidade. O prefeito deve participar hoje de uma reunião na Defesa Civil do Estado para pedir 8 milhões, recursos para recuperar os estragos das chuvas. A situação foi divulgada ontem pelo secretário de obras e pelo geólogo Nariaqui Cavaguti que deve assessorar o município.

Na opinião do geólogo para a solução definitiva das erosões são necessárias várias medidas. "O combate a erosão não pode ser feito na época de chuvas. Seria gastar de maneira inadequada. Na época de chuvas deve ser tomadas as medidas emergenciais e as preventivas para que a situação não se agrave", aconselha.

Cavaguti defende a realização de um projeto global.

"Em 95 fiz um cadastro de todas as erosões de Bauru. De lá pa cá percebi que a medida que a cidade cresce vão surgindo outras erosões. Tem que fazer um planejamento global para o combate definitivo das erosões existentes e planos de curto, médio e longo prazo que inclua a ocupação do solo de forma ordenada."

O geólogo insiste que a solução definitiva tem que vir aliada a diretrizes e mudança de comportamento da população. "Antes da ocupação tem que implantar o sistema de drenagem de água pluvial. Ele tem que ser dimensionado não só para o loteamento mas, também levando em consideração a bacia de contribuição.

Na avaliação do professor cada erosão exige um projeto específico e deve ter um custo diferenciado.

"Para cada erosão é necessário um tipo de combate. Cada erosão pode custar de R$ 500 mil a R$ 1,5 mil, dependendo do caso. O volume de recursos para recuperação

é elevado."

Ele defende a idéia de que o combate a erosão deva ser estudado. "Temos que encontrar alternativas que englobe o técnico e o econômico. O município passa por dificuldades e temos que buscar recursos no estado. Não tenho condições de estimar valores, posso superestimar ou subestimar."

Medidas simples

Cavaguti sugere que em áreas críticas, os loteamentos possuam área verde para favorecer a infiltração da água. "São fatores que contribuem para reduzir o aparecimento de erosões." Ele acha que a prevenção

é um "remédio" que deve ser administrado sempre. "São alternativas simples que ajudam na parte preventiva. Podem ser desenvolvidas na época de chuvas ou de estiagem."

O geólogo acredita que cuidar do lixo caseiro, do entulho e da retirada desordenada de terra são medidas que a própria população pode tomar. "Esse lixo, galhos e entulhos contribuem para o entupimento das galerias drenantes. Se elas têm capacidade X de drenagem ficam reduzidas. Com isso a água começa a correr na rua."

Ele sugere que a população coloque um saquinho de lixo dentro de carro e espere uma semana. "Só assim o munícipe terá idéia da quantidade de lixo que é produzida no interior de uma veículo. Precisa haver conscientização e mudança de comportamento. As pessoas foram acostumadas assim e fazem sem perceber."

Frota sucateada

O secretário de Obras Leandro Joaquim calcula que a cidade tenha pelo menos 30 erosões. "Não temos um levantamento. As mais graves estão no Jardim Marilú, na Vila Ipiranga, na Alfredo Maia, Jaraguá, Pousada, Ferradura Mirim e até na Zona Sul, próximo a Chácara Itália no Jardim Europa".

Segundo ele vários fatores estão influenciando na recuperação da cidade. "Eu encontrei a frota sucateada. Recebemos R$ 8 mil das Finanças como adiantamento e recuperamos 35 viaturas. Nosso quadro de funcionários, que em agosto de 98 era de 420 trabalhadores, hoje é de 370. As condições são precárias", arrisca.

Reunião na Capital

De acordo com Joaquim, o prefeito municipal Nilson Costa, ele e o presidente da Emdurb e do DAE vão participar hoje de uma reunião na Casa Civil para tentar a liberação de recursos econômicos destinados a recuperação dos estragos das chuvas. "Foi pedido R$ 8 milhões."

A equipe deve retomar o diálogo com o grupo Savoy. "Vamos voltar a conversar com o grupo. Existe uma proposta de parceria. Eles investiriam R$ 7 milhões em obras para criar uma circulação viária próximo do Bauru Shopping. A obra envolve a avenida Getúlio Vargas e resolve o problema de galeria de água pluvial desde a cabeceira da pista até o Jardim Europa, onde há uma erosão. A obra está orçada em cerca de R$ 1,5 milhões."

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