Sindicato de camelôs prega abertura de ME
Sindicato de camelôs prega abertura de ME
Texto: Luciano Augusto
O Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal pretende mobilizar os camelôs para que legalizem seus negócios junto
à Receita Federal. O sindicato quer que os camelôs abram micro empresas (ME) para trabalhar.
De acordo com informações do presidente do sindicato, Mário Augusto dos Santos, "esta é a única condição para que os camelôs continuem a trabalhar". O sindicato promoveu uma reunião, ontem, com contadores para que todos os pontos pudessem ser explicados à categoria.
A alta do dólar e a forte fiscalização da polícia contribuíram para que o sindicato tomasse a iniciativa de tentar legalizar os trabalhadores da economia informal. Segundo o sindicalista, algumas lojas paraguaias estão vendendo o dólar a R$ 1,90, como um incentivo para os brasileiros,
"mas mesmo com esta possibilidade de compra a situação ainda está difícil, porque existem os gastos com viagens, alimentação, sem contar as apreensões".
Ainda assim, os trabalhadores na economia informal estão divididos. Como afirmou Santos, dentro da categoria "há diversas vertentes", umas favoráveis e outras contrárias a abertura da micro empresa. Para o sindicato, a partir do momento que os "camelos se conscientizarem dessa necessidade, não terão mais o que temer, nem em relação ao fisco e nem em relação à polícia".
Segundo o sindicalista, já existe uma lei municipal que estabelece um local para os camelôs trabalharem. Mas, "com estes problemas políticos", a Prefeitura ainda não se decidiu pelo espaço que deverá ser transformado em camelódromo.
Com a criação das MEs, os camelôs pagarão como imposto, o Simples paulista, além de terem que arcar com os honorários de um contador. Os produtos comercializados serão divididos em 50% para mercadorias importadas e 50% de produtos nacionais. Os produtos proibidos por lei, como cigarros e CDs, não poderão ser vendidos. O endereço da empresa será o domicílio do trabalhador informal.
A meta com a criação de uma micro empresa, segundo Santos, "é poupar dor de cabeça e humilhação para o camelô".