Bauru ganha nova fábrica de refrigerantes
Bauru ganha nova fábrica de refrigerantes
Texto: Paulo Toledo
A partir de amanhã Bauru vai ganhar uma fábrica de refrigerantes, que chega ao mercado como uma marca alternativa, mas apostando na qualidade do produto para ganhar espaço no mercado e, até, exportar. Serão duas as marcas: Refsol e Rally. Montada por três empresários bauruenses, a nova fábrica vai gerar, inicialmente, 150 empregos, entre diretos e indiretos, número que deve chegar a 550 quando a empresa atingir a capacidade máxima de produção. A empresa já inicia atividades com expectativa de exportação para países do Mercosul.
Ohmar Monteiro Tayar, 41 anos, diretor de Vendas, Newton Caldeira Júnior, 25 anos, diretor Administrativo e Financeiro, e Guilherme Ribeiro Rodrigues Caldeira, 22 anos, diretor Químico e de Produção, não revelam o investimento realizado para instalação da Refsol, no Distrito Industrial de Bauru, mas previnem que montaram uma estrutura para ter uma grande competitividade no mercado e com qualidade.
A fábrica, montada por Newton Caldeira, que já instalou cerca de 80 fábricas no Brasil, tem equipamentos de última geração e é construída em aço inox, ou seja, está preparada para ser utilizada para novos produtos, que tenham exigências maiores do que os refrigerantes tradicionais. Para se ter uma idéia, a empresa mandou perfurar um poço artesiano de 156 metros de profundidade, que fornece
água de qualidade é triplamente filtrada antes de entrar na linha de produção. "Isso mostra nossa preocupação com a qualidade", destacou Newton Caldeira Jr.
A capacidade instalada da Refsol é da produção de 3,6 milhões de litros por mês, ou seja, aproximadamente 300 mil pacotes de seis unidades PET de dois litros. A estimativa
é que, atualmente, Bauru consume 350 mil pacotes mês somente dos refrigerantes alternativos, aqueles das marcas não tradicionais das grande fábricas.
A empresa chega ao mercado com duas marcas: a Refsol, com os sabores Guaraná, Laranja e Limão; e a Rally, nos sabores Cola e Pomelo, que é a grande novidade no mercado paulista, já que esses sabor é típico da Argentina e dos Estados do Sul do Brasil (veja matéria nesta página). Todos os sabores, exceto o Cola, foram formulados a partir de suco natural ou extrato natural, como é o caso da guaraná, buscando atingir o público que dá valor ao sabor e ao aspecto de naturalidade do produto.
Ohmar Tayar afirma que a instalação da fábrica em Bauru é uma demonstração da confiança que os empresários têm na cidade. De acordo com ele, várias cidades da região fizeram ofertas vantajosas para ter a Refsol, porém como bauruenses optaram pela cidade, como forma de gerar empregos e colaborar com o desenvolvimento.
A montagem da fábrica foi iniciada há seis meses. Nesse período, além da parte de montagem de equipamentos, Guilherme Caldeira passou a desenvolver a formulação dos refrigerantes. Para se ter uma idéia, para chegar ao sabor definitivo do guaraná, foram testados 38 tipos. A intenção era chegar a um produto semelhante aos ofertados pelas marcas tradicionais, não um sabor mais puxado para tubaína, como grande parte das marcas alternativas desenvolvem.
Newton Caldeira Jr. destaca que a empresa está chegando ao mercado com um mix de cinco produtos, sendo quatro já tradicionais e o sabor pomelo. Isso dá igualdade com a concorrência e, além disso, lança um sabor novo, para ganhar uma nova fatia do mercado. Porém, a intenção da empresa é ampliar o leque de produtos ofertados. "Estamos projetando o futuro", afirmou.
O diretor Administrativo e Financeiro prevê que a empresa deva atingir a capacidade máxima de produção e de vendas em dois anos. Porém, nesse meio tempo, há vários projetos para melhorar a fábrica. Em cerca de 90 dias, a Refsol vai instalar um extrusora (conhecida como sopradora), para começar a produzir sua própria garrafa PET, que hoje é comprada pronta em São Paulo, além de outros equipamentos que devem ser agregados.
Dentro de um ano, afirma Ohmar Tayar, a intenção
é partir para outros tamanhos de embalagem PET, como o de 350 ml, entre outros lançamentos, que estão sendo planejados.
Inicialmente, o principal mercado que as marcas Refsol e Rally serão lançadas é o de Bauru. Depois, paulatinamente, será colocado no mercado regional. Outro mercado que se pretende entrar é o argentino, para o qual já foi enviado o refrigerante Pomelo, para um teste com possíveis distribuidores e consumidores.
Serviço
A Refsol está instalada à avenida José Fortunato Molina, 2-89, Bauru. O telefone da empresa é (014) 230-5240.
Pomelo foi desenvolvido para exportação
O refrigerante Pomelo foi desenvolvido para ser comercializado na Argentina e outros países do Mercosul. De acordo com Ohmar Tayar, no mercado argentino, o refrigerante de pomelo tem uma participação de 80%.
Como estratégia de vendas, a Refsol, que já contratou um vendedor para atuar no mercado portenho e enviou uma carga de refrigerantes Rally sabor Pomelo, para fazer um teste de apresentação com os comerciantes e consumidores argentinos. "Estamos colocando nosso produto à prova num mercado altamente competitivo", afirmou.
Para fabricação do produto, o suco do pomelo está sendo importado da Argentina, via uma empresa de Santa Catarina. A fruta é uma espécie de laranja muito consumida na Argentina e é conhecida por muitos como "pomelo rosado". Na Argentina existem vários produtos à base da fruta, como sorvetes e doces. O refrigerante de pomelo natural tem um sabor cítrico suave, com sensação refrescante.
Ohmar Tayar disse que a decisão de vender no mercado regional foi para colocar no mercado um produto diferenciado, dando nova opção aos consumidores. "Acreditamos que vai agradar ao consumidor", afirma. (PT)