Em Confiança
Em Confiança Leonardo de Brito FIM DA PICADA A Fiel Torcida se revoltou com a derrota do Corinthians para o Palmeiras, mas o episódio de domingo, provocado por alguns torcedores, foi mais revoltante ainda. Depois do clássico, vários atletas corintianos foram ofendidos, quase agredidos por torcedores no Morumbi. Vampeta teve até que negociar com os torcedores mais exaltados ao deixar o estádio, pedindo para que eles não batessem nos jogadores. Segunda-feira, houve uma reunião da diretoria corintiana, e seis membros da Gaviões da Fiel - ignorando uma decisão judicial que suspende as atividades da torcida organizada - invadiram uma
área reservada, depois de inúteis pedidos do porteiro para que não entrassem. "Metaleiro", líder dos torcedores, disse, como se estivesse prestando um grande favor ou quebrando algum galho, que "não vamos fazer nada com ninguém". Isso é o fim da picada. Não estamos em Kosovo. Um clube de futebol não é a guerra da Iugoslávia. Acontece, porém, que para fanático, não existe a expressão "memória curta". Concordo que Marcelinho não jogou bem domingo e errou ao reclamar de sua substituição em Assunção, mas não é por isso que a galera tem direito de partir para a agressão. Ainda porque, Marcelinho já deu muitas alegrias ao Corinthians. Ele - e Dinei - deu um show na arrancada final para a conquista do Campeonato Brasileiro, inclusive caindo nos braços dos mesmos torcedores que hoje o hostilizam.
ARROGÂNCIA Num jogo do União Barbarense em Bauru, ano ano passado, quando aconteceram alguns incidentes, provocados principalmente pelo zagueiro Orlando, que agrediu Tequila, Vágner Benazzi
- era o treinador do time de Santa Bárbara D'Oeste - metou a boca no Noroeste. Agora, o treinador do Etti Jundiaí disse que não se conforma com a derrota da sua equipe para um time ruim demais. Até concordo com Neto, que ainda está sem ritmo após voltar de contusão, mas que continua como ponto de referência do time. O meia-atacante disse que o Etti Jundiaí teve uma bobeira geral,"e o Noroeste nos surpreendeu". Mas Benazzi é arrogante e algo mais. Criticou a Federação, que havia marcado o jogo com o Santo André para o Domingo de Páscoa
(acabou sendo antecipado para hoje), dizendo que os dirigentes pisam na bola quando elaboram tabela, porque os jogadores têm família. Então vá trabalhar num banco ou repartição pública, que fecha na sexta e abre na segunda. Meu chapa, dia verdadeiro de futebol é domingo. CONTRATO INÉDITO O Flamengo pode estar próximo de um acordo inédito e milionário, que envolveria nada menos do que a empresa de comuniicação mais poderosa no País. Segundo reportagem publicada na semana passada, no Jornal dos Sports, o clube da Gávea vem mantendo contato com a Rede Globo, para que ela seja uma das sócias na empresa que cuidaria do Departamento de Futebol. Essa empresa contaria com mais dois parceiros: um banco europeu - que busca penetração no mercado brasileiro - e uma empresa de marketing esportivo com sede nos Estados Unidos. INSTABILIDADE A eterna instabilidade dos patrocinadores no esporte "amador" está refletida na fase final da Superliga de Vôlei feminina, em que nem as equipes mais bem sucedidas estão livres de ficarem sem as empresas que lhes dão sustento. Leites Nestlé, Universidade Guarulhos, Uniban e Rexona se destacaram como as melhores equipes da Superliga, mas só o Rexona não corre o risco de acabar. Por enquanto, bem entendido, porque tem garantido um contrato até 2002, graças a uma parceria com o governo do Paraná. Aliás, o Paraná é comandado pelo melhor político brasileiro dos últimos anos, Jaime Lerner. Eu votaria nele, com certeza. O Leites Nestlé, três vezes campeão nacional, corre o risco de ter a equipe desativada no próximo mês, quando terminará o contrato com a prefeitura de Jundiaí. A Uniban fez o seguinte acordo na semana passada: só continua com o patrocínio se a equipe for campeã. Já a saída da Universidade Guarulhos, que não paga os salários das jogadoras desde janeiro, é certa.
"ENJOAMENTO" Alex Corretja e Albert Costa, dois dos integrantes da equipe espanhola que enfrentará o Brasil neste fim de semana, pela Copa Davis, criticaram o público brasileiro. "Queremos uma torcida animada e educada, para não nos colocar à altura dos brasileiros'', afirmou Corretja, explicando que no ano passado, em Porto Alegre, foi agredido verbalmente pelo técnico de Gustavo Kuerten, Larri Passos, enquanto os torcedores hostilizaram os espanhóis o tempo todo. Acompanhei pela TV o confronto Brasil x Espanha, que também foi pela rodada inaugural da Davis, e só vi palmas e buzinaço por parte da galera. Muita frescura. O vôlei também requer concentração e ninguém liga pela gritaria. PROTESTO O atacante iugoslavo Drulovic, cracão do Porto, não quer participar do jogo de sábado contra o Braga, pelo Campeonato Português, em protesto pelos bombardeios da OTAN contra seu país. Sei que é duro, triste, mas o seu time não tem nada a ver com a guerra.