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Adriana Rota
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MST e PM negociam ação pacífica

MST e PM negociam ação pacífica

Texto: Adriana Rota

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Polícia Militar (PM) se reuniram ontem, no Sindicato dos Bancários, para negociar uma saída pacífica para o impasse. O encontro contou, também, com a presença do bispo Dom Aloysio Leal Penna, advogados que representam o acampamento e Domingos Pereira de Lima, que também reclama a posse da área por ser tataraneto de Felicíssimo Antônio Pereira. Um novo encontro deve ocorrer na próxima semana, dessa vez com a presença de representantes do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp).

De acordo com o tenente-coronel Antônio Sérgio Marsola, o posicionamento da PM continua inalterado com relação

à requisição de força policial feita pelo juiz Horácio Guanaes, na quarta-feira da semana passada, para reintegração de posse da área ocupada pelo MST. A PM aguarda o parecer do comando da corporação, localizado em São Paulo, para uma eventual intervenção no Horto de Aimorés.

Independente dessa determinação, o tenente-coronel fez questão de ressaltar a importância do encontro a fim de evitar possíveis desafetos. "Nós sabemos que as pessoas estão lá em situação ilegal, por decisão judicial, mas sabemos também que são pessoas humildes e, em hipótese alguma, queremos algum confronto com elas", afirmou.

O "porta-voz" dos sem-terra, Adailton Manoel da Silva, disse ter ficado surpreso com a iniciativa da PM, que se propôs a sentar e conversar a fim de evitar atritos. Para ele, a palavra-chave continua sendo o diálogo. Silva falou, também, sobre os benefícios que o assentamento do grupo pode trazer à sociedade de Bauru e região, através da criação de cooperativas que venderiam diretamente ao consumidor, evitando atravessadores, a exemplo do município de Promissão.

Quanto ao aspecto jurídico da questão, a advogada Maria Elvira Mariano afirmou ter enviado a documentação da ação de reintegração de posse ao comando estadual do MST, em São Paulo, para tentar cassar a liminar. Na segunda-feira o posicionamento será passado para a PM e, o Itesp, trará uma posição do Secretário da Justiça e Cidadania, assim como do governador Mário Covas que foi o autor da lei que destina as áreas estaduais à Reforma Agrária.

Dom Aloysio, também presente à reunião, acredita em uma solução pacífica para o impasse, frente ao posicionamento equilibrado de ambas as partes. "A mentalidade da polícia comunitária é positiva porque evita que se recorra imediatamente à violência e os sem-terra estão com as portas abertas para resolver as coisas juridicamente", avaliou. O bispo disse, ainda, que deve interceder pelo MST junto ao prefeito Nilson Costa, numa audiência marcada para os próximos dias.

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