HB não tem previsão para volta de serviços suspensos
HB não tem previsão para volta de serviços suspensos
"Nós temos direito de receber por aquilo que pagamos", reclama o aposentado Arnoldo Souza Leite, 60 anos, que na semana passada levou o filho para fazer uma radiografia no Hospital de Base (HB), mas voltou para casa sem que o garoto passasse pelo procedimento.
Ele explica que o pedido de radiografia foi feito pelo ortopedista que consultou o garoto no ambulatório do Sistema Único de Saúde (SUS). Seu filho tem um antigo problema em um dos joelhos, o que ocasiona dores constantes. O médico, no entanto, não deu o diagnóstico e pediu o exame para detectar a patologia e posteriormente receitar os medicamentos necessários.
No Hospital de Base, o pedido de realização do exame foi negado. "Numa altura dessa, como está a nossa saúde?", questiona o aposentado. Ele diz que contribuiu com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) durante toda a sua vida e por isso acredita que deveria ter um atendimento médico digno. Sem condições de pagar consulta e exame particulares, ele diz que o filho suportará as dores até que o HB volte a fazer as radiografias. "A gente sabe que o hospital não tem culpa, mas alguma providência tem que ser tomada".
Suspensos
A radiografia não foi realizada no caso do filho do aposentado porque há várias semanas o HB suspendeu os atendimentos que necessitam de equipamentos que utilizam produtos cotados em dólar. Com a alta da moeda americana a partir de janeiro, a direção do hospital teve que alterar a prestação de alguns serviços.
O Raio-x está sendo realizado apenas em casos de emergência, como nos pacientes internados, os atendidos pelo pronto-socorro e os casos detectados como quebradura pelo setor de ortopedia. Os implantes de marcapasso também foram interrompidos, assim como as internações eletivas (que não são urgentes). Com essa medida, as internações caíram de 1.600 em janeiro para cerca de 1.300 no último mês.
"E esses serviços não têm prazo para voltar, não temos perspectiva", afirma o diretor do Associação Hospitar de Bauru (AHB), Reinaldo Rocha, mantenedora do HB. Ele explica que os produtos continuam com preços elevados devido à alta cotação do dólar.
"Os fabricantes esperavam que o Ministério da Saúde fosse isentar esses produtos, mas isso não aconteceu".
Com os serviços suspensos, o atendimento está sendo negado há vários pacientes, que não têm outra unidade de saúde gratuita para se dirigir na cidade e nos municípios da região. Rocha disse que o problema voltará a ser discutido em uma reunião que será realizada com toda a diretoria do hospital no dia 7.
Funcionários
A AHB ainda não conseguiu viabilizar recursos para o pagamento da quarta parcela do 13.º salário dos funcionários. A entidade espera a liberação de recursos do Sistema
Único de Saúde (SUS) para este mês, mas ainda não há nada definido.
Rocha explica que a associação vem tentando viabilizar a abertura de uma conta corrente para conseguir crédito destinado a capital de giro. "Tudo isso ainda é incerto, mas também será discutido na reunião do dia 7".