Floriculturas precisam conhecer melhor o mercado
Floriculturas precisam conhecer melhor o mercado
Texto: Márcia Buzalaf
Os proprietários de floriculturas precisam conhecer melhor o próprio mercado para poderem desenvolver o potencial de crescimento que ele tem. Este é o resultado da pesquisa setorizada que envolveu 10% das floriculturas em Bauru e elaborada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae).
A pesquisa foi realizada no segundo semestre do ano passado com outros dois setores que estão sofrendo transformações, que é o de panificação e o de drogarias. De acordo com Paulo Tebaldi, diretor do Sebrae de Bauru, as similaridades entre estes setores é grande. As padarias, por exemplo, sofrem da mesma diminuição de movimento causada pela venda dos produtos nos supermercados.
A saída para este problema, segundo Tebaldi, é a especialização. "A floricultura tem que oferecer mais para o cliente", ele afirma. A analista de negócios do Sebrae em Bauru e participante do estudo de floricultura, Silvana Helena Gregório, 26 anos, diz que, se o produto flores for melhor divulgado, as chances do mercado crescer nas floriculturas
é grande.
De acordo com dados da Cooperativa de Holambra, a venda de flores tem aumentado de 10% a 15% por ano. Para o Sebrae, o potencial a ser explorado não é local, mas, sim, nacional, já que o Brasil não tem o hábito de consumir flores.
Anualmente, o consumo de flores no Brasil é de US$ 3,00 per capita, enquanto que, na Argentina, o gasto aumenta para US$ 25,00 e, nos países europeus, para US$ 50,00. O estudo do Sebrae analisa que o potencial para consumir flores do País
é de US$ 15,00 por ano.
Os principais obstáculos detectados pela pesquisa são na área de fornecimento, de produtos substitutos e de vendedores ambulantes. Na área mais diretamente ligada ao consumidor, os maiores entraves para o crescimento do setor são a distribuição de renda no Brasil, o hábito cultural de consumo do brasileiro, a distribuição deficiente do produto e o baixo nível de atendimento ao consumidor.
Cadeia
De acordo com a pesquisa, 40% dos 10 mil produtores brasileiros de flores estão concentrados no Estado de São Paulo. As principais regiões produtoras são Holambra, Atibaia, Ibiúna, Cotia, São Roque, Embu, Vale do Paraíba, Mogi das Cruzes, Vale do Paranapanema e Vale do Ribeira. Os maiores centros de distribuição de flores, segundo Tebaldi, são Holambra, Campinas e o Ceasa, em São Paulo.
O enfoque da pesquisa realizada pelo Sebrae, de acordo com Silvana,
é o varejo da cadeia de produção de flores. O caminho que as flores levam até despertarem o sorriso de alguém que as receba, segundo Tebaldi, é o seguinte: os cultivadores de flores vendem os produtos às cooperativas, que comercializam diretamente com os proprietários de floriculturas.
Outro problema detectado no setor, segundo Tebaldi, é a falta de comunicação entre produtores e revendedores de flores. "Do produtor até aquele que vai comercializar", completa Tebaldi. Os erros cometidos na cadeia produtiva de flores são primários, segundo ele e quem mais se prejudica com isso é o varejista. Conhecer melhor o próprio setor é uma forma de melhorar o desenvolvimento das floriculturas.
O mercado de floriculturas, segundo Tebaldi, é como outro qualquer, com altos e baixos. O potencial de consumo de flores, segundo ele, é um dos motivos para se acreditar no crescimento do setor. Para ele, a união faz a força para o desenvolvimento das floriculturas: "Com o estudo, nós estamos tentando sensibilizar o mercado para que ele invista mais, mas todos os proprietários de floricultura de um lado só - não cada um trabalhando sozinho".
Serviço
A palestra sobre floricultura com o especialista Augusto Aki será realizada no dia 7, no Centro de Treinamento do Sebrae. A palestra
é gratuita, mas as vagas são limitadas. Informações pelo fone: 234-1499.