Cohab inicia Plano de Demissão Voluntária
Cohab inicia Plano de Demissão Voluntária
Texto: Josefa Cunha
Dando continuidade à política de enxugamento da empresa, a Companhia de Habitação Popular de Bauru
(Cohab) iniciou ontem seu Plano de Demissão Voluntária e com ele pretende reduzir mais 17% do quadro de pessoal. Se o resultado atingir as expectativas - caso 25 dos 141 funcionários aderirem ao programa -, a companhia alcançará o número ideal ao orçamento.
Embora 114 empregados já tenham sido dispensados desde a posse da atual diretoria, a folha de pagamento ainda desequilibra a receita. Como as demissões realizadas atingiram somente assessores comissionados e contratados pela gestão Izzo Filho, o PDV foi a saída encontrada para o desligamento de funcionários antigos e concursados. "É uma forma de respeitarmos os servidores de carreira", definiu Daltayr Vallim, presidente da Cohab. Funcionários em vias de aposentadoria - nove empregados da companhia, inclusive, já estão aposentados -, são os mais visados do PDV.
Mesmo que consiga o número de adesões esperado, a Cohab deverá efetuar novas contratações. Vallim admite que a medida parece paradoxal, mas explica que existem departamentos com defasagem de pessoal, apesar do público e notório inchaço. Enquanto alguns setores possuem funcionários demais, outros enfrentam o problema oposto, a exemplo dos departamentos jurídico, contábil e de cobrança. "Seria mais fácil fazermos um remanejamento, mas são áreas que exigem capacitação técnica específica", justificou.
Inicialmente, a previsão é de 15 pessoas sejam contratadas para suprir os setores defasados. O que deve gerar questionamentos e até polêmica é o fato de que os futuros funcionários serão contratados em comissão. Com certeza, a diretoria da Cohab será cobrada a explicar a situação, especialmente se se tratarem de pessoas indicadas por vereadores. Contra as críticas, porém, Vallim já antecipou resposta, anunciando intenção de abrir concurso público na empresa no próximo semestre. Segundo ele, todos os funcionários comissionados terão que passar pelo teste se quiserem continuar nos cargos.
Gastos e incentivos do PDV
Estimativas prévias indicam que a Cohab deverá consumir entre R$ 70 mil a R$ 100 mil com o Plano de Demissão Voluntária. Os gastos com as indenizações, garante Vallim, serão perfeitamente suportados pela empresa, uma vez que a economia gerada com as dispensas promete compensá-los em três ou quatro meses.
O PDV está vinculado a algumas vantagens a fim de incentivar as adesões. Nada muito além dos direitos adquiridos, mas bastante significativas em comparação a um processo comum de demissão. Os que aderirem ao programa terão, durante seis meses após a dispensa, direito ao tíquete alimentação e à assistência médica.
Além das garantias legais como o FGTS e os 40% sobre o Fundo, a companhia também oferece um abono equivalente a um salário nominal por ano de trabalho na empresa. O abono será pago por até cinco anos de serviço; quem trabalhou além desse período tem direito a mais um quinto do salário nominal. Por exemplo: quem trabalhou quatro anos receberia quatro salários a título de abono; quem trabalhou seis ou mais anos receberia cinco salários mais um quinto. Para os aposentados, há ainda um incentivo extra que assegura o pagamento de dois salários mínimos a mais na hora do acerto de contas. As adesões ao PDV podem ser efetivadas até o 30 deste mês.