Construção Civil ganha sala de aula para adultos
Construção Civil ganha sala de aula para adultos
Texto: Luciano Augusto
A-B-C-D. Esta foi a primeira lição dada na primeira sala de alfabetização de adultos aberta, ontem, no canteiro de obras da construção civil em Bauru. A sala surgiu de uma parceria entre a Construtora Jakef/LR e a Secretaria Municipal de Educação, com o apoio do Sindicato do Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de Bauru e Região, e foi instalada nas obras do Residencial Parque dos Sabiás e faz parte do Centro Educacional de Jovens e Adultos (Ceja).
Os maiores interessados, os alunos, quase 30 no total, pareciam realizados pelo fato de estarem voltando para a aula depois de muitos anos longe dos bancos escolares.
O aluno Ailson Neves Alves, 21 anos, estampava em cada traço do rosto queimado pelo sol do trabalho diário a satisfação por estar novamente, depois de 9 anos longe de uma sala de aula, com um lápis e papel na mão. "Neste começo, vou fazer a 4.ª série, porque eu fiz até o 3.º ano. Mas pretendo continuar fazendo o esforço, para ver se consigo ir mais longe nos estudos". Alves ainda não sabe qual curso quer fazer, mais diz que parar de estudar não dá mais, "nem que seja em outro lugar, mais para a frente".
A coordenadora do projeto Ceja, Adriana Regina Antunes Tavares, 33 anos, disse que este tipo de iniciativa já existe a 13 anos, com cerca de 70 classes espalhadas por diversos pontos da cidade, como hospitais, empresas, entidades assistenciais e, agora, na construção civil. O Ceja atende alunos a partir dos 13 anos, oferecendo ensino supletivo de 1.ª
à 4.ª série. O retorno segundo a coordenadora
"é sempre positivo e o pessoal (ex-alunos) continuam os estudos e acabam voltando e comparecendo na formatura para fazer discurso para os formandos".
De acordo com o projeto, a Secretaria Municipal de Educação colabora cedendo professores, merenda e estabelecendo a estratégia didática. Ao parceiro cabe a tarefa de viabilizar uma sala de aula e toda a infra-estrutura necessária.
A secretária de educação do Município, Isabel Compoy Bono Algodoal, 46 anos, comentou que o projeto é de suma importância e é este o caminho. "É uma conquista para os adultos que não tiveram oportunidade de estudar na época certa e é um benefício para a comunidade". Algodoal disse ainda que a Secretaria de Educação está disposta a atender todas as classes que forem montadas, mandando professores, merenda e tudo que for necessário para colaborar com a população.
O diretor do projeto e representante da Construtora Jakef/LR, Luis Carlos Mendes, 52 anos, afirmou que todo o esforço foi feito para proporcionar a sala de aula ao alunos, "porque hoje em dia a necessidade dos trabalhadores na parte estudantil
é muito, porque em qualquer profissão exige-se o 1.º grau completo". Numa pesquisa entre os funcionários da empresa, Mendes conta que foi constatada uma defasagem escolar e os trabalhadores "precisavam desta complementação". Para a empresa o ganho é em relação ao nível maior de conhecimento que o trabalhador adquire. Com isso, diz o representante da construtora, "a empresa tem um trabalhador com mais condições de progresso, de fazer melhor aquilo que está fazendo e buscar novas funções dentro da própria empresa". Mendes avisa que no momento que tiver um número suficiente de novos alunos outras salas poderão surgir. A educação e o Brasil agradecem.