Crise entre vereadores poderá evoluir para providências internas
Crise entre vereadores poderá evoluir para providências internas
Texto: Josefa Cunha
O atrito ocorrido na última terça-feira entre a vereadora Catarina Carvalho e o presidente da Câmara, Paulo Madureira (ambos do PPB), pode ganhar uma dimensão maior do que se imaginava, tendo chances, inclusive, de evoluir para providências internas no sentido de que sejam apuradas virtuais ofensas à instituição legislativa.
Na cogitação dessas possibilidades, a parlamentar, que foi autora de um boletim de ocorrência contra Madureira, pode sair da condição de vítima e ver suas atitudes submetidas à apreciação da Casa.
À Polícia, Catarina alegou ter sido ofendida em sua honra "objetiva e subjetiva" durante uma rusga motivada por uma vaga no estacionamento da Câmara. Segundo ela, o presidente da Casa apontou-lhe "dedo em riste" e a mandou calar a boca.
A versão da vereadora, entretanto, confronta com as de várias outras pessoas que testemunharam o fato. Três delas ouvidas ontem pelo JC - excluindo as declarações de Madureira, que figura como acusado - afirmaram que o bafafá foi provocado por Catarina. Ela, aliás, foi quem, em desobediência
às normas internas da Câmara, autorizou uma amiga de fora a utilizar o estacionamento. Pelas regras vigentes, as vagas disponíveis no pátio são de uso exclusivo dos vereadores e diretores, lembrando que há um espaço extra destinado a visitantes portadores de deficiência física.
A convidada de Catarina estacionou seu carro na vaga de Salvador Afonso, que, por sua vez, parou sua camionete atrás, o que acabou trancando a passagem dos demais veículos. O bloqueio logo gerou reclamação e Paulo Madureira foi chamado ao local para resolver o impasse, ainda que a Câmara disponha de três funcionários para a administração do estacionamento.
Contam as testemunhas que foi a vereadora quem iniciou um monólogo alterado, reclamando da conduta "machista" dos vereadores. Paulo Madureira teria ficado calado até ouvir de Catarina o comentário de que a Câmara era "machista" e sem espaço para as mulheres, e de que ele não
"servia para ser presidente da Casa". O parlamentar teria, então, partido em direção da colega e pedido que ela o respeitasse.
Paralelamente à apuração policial, o episódio pode resultar numa averiguação interna no sentido de se levantar possíveis ofensas à instituição por parte de Catarina. Extra-oficialmente, sabe-se que Madureira pretende expor o fato à consultoria jurídica da Câmara. Caso o entendimento apontar para a conveniência e cabimento de providências internas, tudo leva a crer que a conduta da vereadora será apreciada. Nesse hipotético desdobramento, o desfecho pode até apontar para a falta de decoro parlamentar, numa infração que justifica instalação de Comissão Especial de Inquérito
(CEI).
O vereador Salvador Adelino Afonso (PDT), que, segundo Catarina, teria sido citado no boletim de ocorrência, foi procurado no final da tarde de ontem para apresentar sua versão a respeito dos fatos. Ele, entretanto, não foi localizado.