Dólar a R4 1,70 é um sinal de confiança
Dólar a R$ 1,70 é um sinal de confiança
Texto: Luciano Augusto
"O dólar a R$ 1,70 é mais um sinal de confiança, nem tanto de estabilidade". Com esta afirmação o economista e professor Reinaldo Cafeo, 37 anos, definiu o movimento descendente na cotação do dólar. A estabilidade virá a partir do momento em que não houver nenhum tipo de pressão sobre os indicadores da economia, principalmente, com relação a inflação.
Na atual conjuntura econômica, estes indicadores já indicam uma reversão de alta, mas, pelo menos a curto prazo, ainda há pressão sobre a cotação do dólar. Vencimentos de empréstimos no exterior e os títulos que o Governo colocou no mercado, cotados em dólar, são os responsáveis. Entretanto, tranqüiliza o economista, não existe nada que indique que o dólar possa voltar a subir a um patamar tão superior ao que se apresenta. As quedas também, não devem passar do patamar de R$ 1,65.
Esta flutuação do dólar era algo mais ou menos previsto, segundo o também economista e professor, Wagner Ismanhoto, 36 anos. A paridade de um para um estabelecida com o Plano Real, estava defasada há tempos. A igualdade do real com o dólar trazia consigo uma competitividade desleal para a economia e para o nosso parque industrial. As importações se tornavam extremamente atraentes, o que matava o produto nacional.
Por outro lado, com o dólar alto, nossa economia sofre também. Pelo fato da indústria nacional utilizar bastante matéria-prima importada, o produto torna-se muito caro e a competitividade, sempre ela, fica inviabilizada.
Como aponta Ismanhoto, a inflação acumulada desde o início do plano batia na casa dos 55%, aproximadamente.
"É natural se imaginar que o dólar não poderia estar valendo R$ 1,22 e é lógico que se criou toda uma desestabilização", com a balança comercial do País acumulando déficit em cima de déficit, desde fevereiro de 98.
Com as modificações na política cambial, em fevereiro e março deste ano, a balança registrou superavits, "mais vai levar tempo para recuperar o que nós perdemos". A mudança no câmbio motivou as exportações e, por outro lado, tornou as importações muito mais caras para as empresas que consomem produtos importados. Conforme esclareceu Ismanhoto, com a banda cambial livre adotada pelo Governo, está se buscando o ponto de equilíbrio
Os investimentos externos que voltaram a acontecer, mesmo que de curto prazo e especulativo, estão garantindo, de acordo com Cafeo, um patamar de US$ 35 bilhões de reserva. Com a entrada dos recursos do Fundo Monetário Internacional
(FMI), o último empréstimo foi de US$ 4,9 bilhões, e mais o apoio da comunidade internacional, "é evidente que o governo tem cacife para bancar o jogo", explica o economista.
A taxa de juros, por sua vez, está retraindo, com o mercado trabalhando atualmente com uma taxa de juros de cerca de 37%. Essa mesma taxa, no auge da explosão do dólar, chegou a 49%. Todos estes indicadores influenciam e a economia dá sinais de recuperação. Mas o crescimento econômico para este ano ainda deve ser negativo, algo em torno de menos 2%.
Com a chama econômica acesa, a inflação também recua e o dólar começa a não ficar mais tão atraente. Cafeo alerta para as pressões, que ainda não se cessaram. Aumentos de energia elétrica e combustíveis vêm sendo anunciados e isso pode retardar o controle efetivo dos índices inflacionários.
A estabilidade só virá, segundo os economistas, com as reformas, dando condições para uma arrecadação duradoura e controle de gastos.