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Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Lancheiros podem estar distribuindo crack e ocultando produtos de furto

Lancheiros podem estar distribuindo crack e ocultando produtos de furto

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Vender lanche na área central é só uma fachada para alguns lancheiros. A afirmação é do comandante da 1.ª Cia da Polícia Militar, capitão Benedito Roberto Meira, e confirmada pelo titular da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise), Renato Cagnacci Filho. Segundo eles, algumas barracas de lanche estão servindo de ponto de venda de drogas e de depósito para pequenos produtos furtados na área comercial.

As autoridades ressaltam que não são todos os lancheiros que fazem da profissão uma maneira de praticar atos ilícitos.

"É importante lembrar que há lancheiros que vivem do trabalho e que nada têm a ver com o tráfico e com a ocultação de produtos furtados", ressaltou.

De acordo com Meira, não há controle da Prefeitura e as barracas se multiplicam desordenadamente. "A maioria não tem licença e nós não sabemos quem são essas pessoas. Alguns estão colocando a barraca de lanche na faixa de pedestre, atrapalhando o trânsito de pessoas", disse.

Na opinião dele, o acúmulo de lancheiros em determinadas

áreas da região central dificultam o trabalham da polícia. "Temos várias denúncias e não temos como observar. Há um acúmulo de barracas em determinados pontos", explicou.

Ele acha que a legalização da profissão de mototaxista e a obrigação de licença para os lancheiros acabaria com muitos problemas da área central da cidade. "Os menores praticam pequenos furtos nos estabelecimentos comerciais e correm para algumas barracas, onde escondem o produto", disse Meira.

A proliferação de barracas de lanche, segundo o capitão, também atinge os bairros. "Em vários bairros foram instaladas barracas de lanche. Aparentemente, eles só vendem lanche, mas na verdade, algumas estão distribuindo crack", alerta.

O capitão acha que o cadastramento e um limite do número de lancheiros poderia melhorar a situação da área central. "Na minha opinião, deveria ter um limite do número de barracas. Todos cadastrados para sabermos quem são essas pessoas", opinou. Outra alternativa apresentada por Meira é a criação do segundo lanchódromo.

Central tem cerca de 45 lancheiros

Pelas contas do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal de Bauru (Sinteib) estão instaladas na região central da cidade cerca de 45 lancheiros. O presidente do sindicato, Mário Augusto dos Santos, acredita que poucos tenham o alvará de funcionamento da Prefeitura. "Há cinco anos que a Prefeitura não concede alvará. Estamos tentando uma audiência com o prefeito para resolver a questão", contou.

Ele diz que desconhece que os lancheiros façam tráfico de drogas. "Eu já conversei com delegado e com o comandante da PM. Se eles souberem quem é que está desrespeitando o nosso estatuto, devem prender. Nós não vamos dar apoio algum. Essas pessoas não merecem a nossa confiança."

Distribuidor de crack foi preso

Um dos distribuidores de crack que abastecia os lancheiros, segundo o delegado Renato Cagnacci Filho, está preso. "Ele servia os pontos no eixo compreendido entre a praças Machado de Mello e Rui Barbosa."

Cagnacci Filho lembra que o traficante foi preso com 31 pedras pequenas e uma pedra grande de crack. "Ele circulava a área central com carro ou moto último tipo. Desfilava com a mulher e o filho menor, para desbaratinar a polícia", explicou o delegado.

A distribuição da droga, de acordo com o delegado, acontecia da seguinte maneira: "O viciado fazia a encomenda ao lancheiro. Ele pedia para uma segunda pessoa avisar o distribuidor que repassava a droga para ele. Então, ele levava a droga para o lancheiro e o lancheiro entregava ao viciado", explicou.

Essa forma de distribuição dificulta o trabalho policial. "As pedras não ficavam na barraca de lanche e com a segunda pessoa. Tivemos dificuldades para prender em o distribuidor em flagrante. Agora ele está fora de circulação", disse o delegado.

Mesmo com esse traficante preso, o tráfico de crack nas barracas de lanche continua. "Temos recebido denúncias de que mais duas barracas de lanche estão fazendo o tráfico de drogas. Já fizemos alguns levantamentos e na hora certa vamos agir."

Só dois pipoqueiros

A secretária interina da Secretaria Municipal do Planejamento

(Seplan), Maria Helena Rigitano, admite que é preciso tomar providências urgentes quanto aos lancheiros que comercializam seus produtos na área central de Bauru. Temos só dois pipoqueiros com alvarás. Já tentamos regulamentar a situação. Sempre barramos na questão política. A situação econômica influência nas decisões dos vereadores. Precisamos retomar o assunto e conversar com os vereadores para aprovação de uma lei regulamentando a questão."

A secretária admite que a situação está sem controle. "Se a pessoa vier pedir o alvará, nós não damos. Então eles simplesmente instalam a barraca e ficam." Não há fiscalização constante, o que deixa os lancheiros a vontade.

Em nome da crise econômica, segundo a secretária, o centro está infestado de lancheiros. "Alguns são temporários. Cada dia estão em um lugar, outros acabam ficando no local." Ela lembra que no próximo dia 15 várias secretarias estarão reunidas para resolver a questão do lanchódromo. "Este é o primeiro passo no sentido de regularizar a situação."

Fiscalização anual ou com denúncia

A fiscalização do departamento de Saúde Coletiva da secretaria de Saúde de Bauru fiscaliza os lancheiros, quanto a higiêne e saúde, uma vez por ano, na época da renovação do alvará, ou quando há uma denúncia.

No departamento, segundo a diretora Maria Helena de Abreu estão cadastrados 409 ambulantes. "Outros 801 processos estão em andamento. Deste total, alguns são renovação." Segundo ela o alvará sanitário tem validade por um ano.

Pela lei sanitária municipal, os lancheiros deveriam estar usando jaleco, gorro na cabeça, ter reservatório de água com torneira para lavar as mãos e ter uma pessoa só para manusear o dinheiro. "A carteira de saúde é fundamental para o lancheiro. Ela é que garante que ele não é portador de tuberculose e de alguns tipos de vermes."

Maria Helena Abreu lembra que a comercialização de churrasquinhos e churrasquinhos gregos são proíbidas, pois exigem uma série de medidas para garantir a qualidade do alimento. Ela coloca o departamento à disposição para as reclamações. "O consumidor tem o direito de exigir do lancheiro seu alvará e sua carteira de saúde. Caso contrário o consumidor poderá procurar o departamento de saúde coletiva ( rua Dr. Lisboa Júnior, 2-66) para fazer sua denúncia. Nós mantemos o sigilo do nome do denunciante."

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