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Josefa Cunha
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Recuperação de Bauru levará seis meses

Prefeitura quer recuperar buracos em seis meses

Texto: Josefa Cunha

Pelo cronograma da Secretaria de Obras, os principais estragos que bloqueiam ligações entre bairros, nos quatro cantos do Município, estarão reparados até outubro

Mesmo sem previsão de receber recursos estaduais ou federais, a Prefeitura de Bauru, através da Secretaria de Obras, estabeleceu um cronograma de seis meses para a recuperação de todos os pontos avaliados como críticos em virtude das chuvas do último verão. No "tour" pouco turístico promovido pela administração na manhã de ontem, foi possível vivenciar de perto a gravidade de alguns dos problemas enfrentados pela cidade e medir o tamanho do desafio que a Prefeitura tem pela frente. A situação é realmente caótica.

A "excursão" pelas erosões foi acompanhada pelo prefeito Nilson Costa (PL), secretários municipais

- Obras, Leandro Joaquim, Administrações Regionais, Celso Donizete, Agricultura, Cynise Pereira Leite Planejamento, Maria Helena Rigitano, além do presidente do DAE, Flávio Uchoa, do presidente da Emdurb, Joaquim Madureira, do secretário de Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, e do coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito -, assessores e colaboradores da administração, vereadores e imprensa. O titular da pasta de Obras, Leandro Joaquim, foi o "guia" e expôs, detalhadamente, as causas, conseqüências e soluções de todos os problemas existentes nas avenidas Alfredo Maia, Elias Miguel Maluf, Comendador José da Silva Martha e Cruzeiro do Sul, Jardim Jussara e Vila Ipiranga.

O convite para o "passeio", feito formalmente pelo chefe do Executivo, teve a intenção de mostrar que a administração está com várias frentes de trabalho mobilizadas, embora sem recursos suficientes para a recuperação imediata. Politicamente, a constatação in loco dos problemas, aliada à exposição técnica do que pode e está sendo feito, teve o intuito de amenizar as críticas que vêm sendo lançadas por vereadores contra a Prefeitura.

A prioridade das obras a serem realizadas foi determinada sob o conceito causa e efeito, tendo em vista que os problemas na maioria dos pontos são interligados. Como explicou Leandro Joaquim, a recuperação da avenida Alfredo Maia será uma pura conseqüência dos acertos necessários na Elias Miguel Maluf, Jardim Jussara e Vila Ipiranga.

O mais interessante em ressaltar é que todos os problemas estruturais hoje enfrentados por Bauru são reflexos da não-realização de obras de infra-estrutura no passado, fundamentalmente de galerias de águas pluviais e contenção de início de erosões. As avenidas Comendador José da Silva Martha e Elias Miguel Maluf, por exemplo, foram construídas com tubulações estreitas (80 centímetros), insuficientes para o escoamento d'água e de fácil assoreamento.

As erosões no Jardim Jussara e Vila Ipiranga, por sua vez, são resultado da falta de infra-estrutura nos núcleos residenciais Parque dos Sabiás e Pernambuco (núcleo Guilherme de Almeida), cujas construtoras responsáveis não efetuaram obras de tubulação. O secretário de Obras lembrou que no caso do residencial Pernambuco, as galerias não foram feitas porque o ex-prefeito Izzo Filho assinou um termo de compromisso se responsabilizando pela benfeitoria, que é de responsabilidade do loteador conforme a lei. Com as chuvas, as águas desses locais acabaram abrindo enormes buracos na terra e, por conseqüência, assoreando o córrego Água do Sobrado, que corta a avenida Alfredo Maia. A Prefeitura terá de arcar com 1,5 mil metros para a tubulação externa aos núcleos.

Segundo Leandro Joaquim, as últimos governos municipais se preocuparam pouco com a questão das galerias, preferindo investir em obras mais "visíveis". No primeiro governo de Antonio Izzo Filho (1989/1992), foram apenas 12 quilômetros de tubulações implantadas; na gestão Tidei

(1993/1996), 42 quilômetros e, no retorno de Izzo, nenhuma ampliação da rede, segundo o secretário.

"Para a população, é muito mais interessante ter galerias pluviais de graça do que asfalto. O problema

é que a tubulação embaixo da terra não aparece, não dá votos", avalia.

Recursos próprios

Embora com situação de emergência decretada desde o início do ano, a Prefeitura de Bauru não recebeu nenhuma ajuda financeira do governo do Estado até o momento. As únicas colaborações vieram em maquinários e ainda assim, insuficientes para o volume de trabalho. A maioria das máquinas que estão hoje nas frentes de trabalho é alugada, chegando a custar R$ 100,00 por hora.

Num cálculo bruto, sem incluir mão-de-obra e aluguel de maquinários, a administração deverá consumir R$ 1 milhão na recuperação dos seis principais pontos atingidos. Esse recurso poderá sair do Fundo de Habitação dos Municipiários, cuja extinção será proposta em projeto de lei do Executivo.

Da Defesa Civil do Estado, a administração espera pouco ou quase nada. Três visitas à Casa Civil já foram realizadas e a resposta recebida pela comitiva bauruense não foi animadora. O orçamento anual do setor para todo o Estado é de apenas R$ 4 milhões e pelos 77 municípios aguardam ajuda. Apesar da gravidade dos problemas locais, o Estado não vê Bauru como uma prioridade.

"Uma cidade que tem uma ponte rompida como único acesso

é socorrida primeiro do que outra que tem dois acessos. Por aí, você mede como é dada a prioridade de recursos", exemplificou Leandro Joaquim.

Obras suplementares

Superado o desafio de recuperar os pontos mais críticos, a Secretaria de Obras já tem planos de obras suplementares que deverão ser executadas a partir de outubro. Basicamente, os projetos prevêem a implantação de galerias pluviais no Parque Roosevelt (1.500 metros), Ferradura Mirim (1.100 metros), Vila Regina (800 metros) e Vila Rocha, Alto Paraíso e Parque São João (1.900 metros).

Esse mesmo plano também contempla tubulações na avenida Getúlio Vargas. Serão 1.200 metros de galerias colocados em três etapas. Segundo Leandro Joaquim, a Getúlio Vargas já começa a apresentar pequenas erosões e, caso as providências não sejam tomadas desde agora, o local pode vir a enfrentar problemas semelhantes

à Comendador José da Silva Martha no futuro.

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