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Recursos Humanos

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Descoberta do ser humano deve ser a meta das empresas no século XXI

Recursos Humanos

Descoberta do ser humano deve ser a meta das empresas no século XXI

Texto: Gustavo Cândido

Qualidade. Esta é a palavra de ordem neste final de século no mundo empresarial. Cada vez mais as empresas se empenham em desenvolver suas técnicas de produção e seus produtos em busca de uma maior qualidade para, com isso, abocanhar uma fatia maior do mercado, cada vez mais competitivo em todas as áreas. Certificados são criados e padrões de excelência estabelecidos para que essa busca seja mais rápida e fácil. Onde fica o papel do ser humano nessa corrida pelo sucesso?

O mundo está mudando e suas relações também, o que surge é um cenário desafiador, imprevisível, veloz e instável, por isso o ser humano precisa mudar... não só mudar, mas se transformar e ser descoberto em todas as suas potencialidades.

Recém chegadas do II Encontro Latino-Americano de Desenvolvimento da Pessoa/ III Encontro Nacional de Dinâmica de Grupo, onde foram representando o Grupo InteRHação, as psicólogas Célia Roccio Garcia Lopes, Walkíria Colla de Abreu e Isabel Neves Valentim, acreditam que, atualmente, é imprescindível um maior desenvolvimento das pessoas para o sucesso na profissão e conseqüente melhoria do desempenho da empresa no geral. A idéia também é partilhada por Célia Maria Lopes da Silva, psicóloga, que também participou do evento realizado em Fortaleza.

Segundo as psicólogas, as empresas precisam começar a pensar em desenvolver seus funcionário não só pelo lado técnico, mas também pelo seu lado humano, visando a sua capacitação como pessoa, através do resgate de sua auto-estima e de seus potenciais. "Isso foi discutido no Encontro. A pessoa não pode separar uma coisa da outra e dizer: 'aqui dentro eu sou profissional, lá fora sou ser humano', é uma coisa só", explica Célia Lopes da Silva.

Esse desenvolvimento não visa somente o desempenho da pessoa dentro da empresa mas também a sua evolução como ser humano. O que se procura, de acordo com a psicóloga,

é que se invista mais nas pessoas para que elas se estruturem e se sintam mais fortes para estar no mercado de trabalho desempenhando sua função (qualquer que seja ela), com satisfação.

"Existe muita insatisfação no mercado de trabalho hoje em dia", diz Célia Garcia Lopes, referindo-se ao fato das pessoas muitas vezes trabalharem sem prazer e motivação algum em sua atividade. "Competência e habilidade todo mundo tem, o problema é que em algum momento as pessoas deixam isso de lado, até porque com as mudanças de cenário que vem acontecendo, elas deixam de ver perspectiva e sofrem com a instabilidade. É preciso despertar essa habilidade esquecida para que elas façam o que gostam e façam bem feito", afirma Célia Garcia Lopes.

A função do RH

Para que tudo isso aconteça nas empresas, estratégias precisam ser traçadas, "não se faz nada sem planos de ação", comenta Célia Garcia. As empresas precisam se conscientizar da necessidade do seu trabalho na área de recursos humanos que é um ponto fundamental e a partir dai traçar as estratégias e decidir para onde a organização quer ir e qual o foco que vai ser abordado. Dai então trabalhos educacionais de treinamento dos funcionários poderão ser desenvolvidos. "É importante lembrar que educação é um processo contínuo e que não pode parar pela metade", diz Célia Lopes da Silva. Para ela, enquanto a empresa existir deve estar desenvolvendo melhorias, qualidades, novas formas de trabalhos e habilidades.

Pensando no futuro

Já existem empresas brasileiras que estão trabalhando de uma forma educacional, deixando de pensar apenas em treinar e adestrar habilidades somente na parte técnica para desenvolver seus funcionários. "Geralmente o que se vê são trabalhos dissociados e modismos, que são iniciados mas não são seguidos pelas empresas", comenta Célia Lopes Silva, "algumas, porém estão no caminho certo".

"O importante é mostrar que as pessoas é que fazem o diferencial. As mesas, portas e cadeiras de uma empresa podem ser iguais ou melhores do as da concorrente, O que faz a diferença são os profissionais", define Célia Garcia, por isso precisamos lutar para que no século XXI a maior invenção seja o próprio homem e que a ISO 18000 trate da excelência do ser humano", diz.

Desemprego não explode e mudanças na economia surpreendem

Diferentes variáveis da economia terminaram o primeiro trimestre com um comportamento diferente daquele que foi estimado pelos economistas no início do ano, logo após a desvalorização do real. "A velocidade com que sinais positivos foram se acumulando surpreendeu", diz Mauro Schneider, vice-presidente da área de pesquisa macroeconômica do ING Barings. As principais diferenças entre o cenário desenhado no início do ano e o que acabou de fato ocorrendo são inflação menor, redução da volatilidade da taxa de câmbio já em março, volta dos capitais externos (era esperada, mas não tão cedo), não explosão do desemprego no primeiro bimestre e produção industrial um pouco acima do esperado. Para Schneider, o grande gatilho da melhora de percepção foi o comportamento da inflação. "O mercado não esperava que a combinação de recessão com moeda mais estável e a ação do governo nas negociações de ajustes de preços fosse ter resultados tão bons do ponto de vista da inflação", diz. E alta de preços menor que o esperado, segundo ele, abriu espaço para uma queda mais rápida dos juros.

"Esses juros, projetados para a frente, permitem imaginar um segundo semestre mais aquecido", avalia Schneider. A revisão dos números do PIB, diz ele, será feita mais por conta da expectativa de um futuro melhor, do que por resultados concretos já colhidos no primeiro trimestre. José Augusto Arantes Savasini, sócio-diretor da Rosenberg & Associados, projeta uma queda de 2,3% no PIB este ano e diz que existem razões para não contar com um resultado melhor que este. Além do comportamento fraco das exportações

(prejudicadas pela recessão no Mercosul e pela queda dos preços internacionais), Savasini diz que o governo vai manter um rígido controle sobre suas contas, contribuindo para a retração no nível de atividade. "Como será impossível alcançar o superávit de US$ 11 bilhões na balança comercial, o governo vai ter que cumprir direitinho as metas de déficit público", afirma o consultor da Rosenberg. (D.N./AE)

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