Fusão de empresas é negócio arriscado
Fusão de empresas é negócio arriscado
Texto: Márcia Buzalaf
As empresas de joint venture no Brasil ganham cada vez mais espaço nas negociações internacionais. Hoje em dia, em qualquer compra, venda ou fusão entre empresas brasileiras e além das fronteiras, existe a figura da consultoria, que, diferentemente do que muitos pensam, não tem suas responsabilidades limitadas ao levantamento de dados numéricos. As empresas de joint ventures podem ter em suas mãos o poder de fechar uma negociação de milhões de dólares. Em visita a Bauru, José Carlos Moreira, professor de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP) e sócio-diretor da J.V Consultoria Estratégicas, empresa paulistana pioneira neste setor, contou mais sobre a experiência nas aquisições, vendas e fusões tão característico deste final de século.
A rede visa buscar parceiros internacionais para fazer junção com empresas brasileiras a fim de importar tecnologia, capital e capacidade de distribuição no exterior.
As metodologias usadas na negociação nacionais e internacionais são basicamente as mesmas. A partir de um estudo da empresa, que inclui a determinação de um valor para empresa, tanto em caso de parceria quanto de venda ou compra.
A partir deste estudo, Moreira conta, parte-se para o que se chama perfil cego, que constitui os pontos fortes da empresa e dados básicos do mercado. "Isso para o interessado possa avaliar se é aquilo que ele está querendo", fala.
Este perfil cego é colocado na Internet e todos os que fazem parte desta empresa, pode consultar este banco de dados para saber as vantagens de cada negócio.
Paralalelamente, a empresa tem um inventário das especializações de cada consultor, sendo que cada uma das 40 empresas no mundo tem cerca de 10 consultores especialistas.
Depois de verificar quem são os consultores a quem interessaria determinado negócio, o consultor indicam os parceiros em potencial. "Depois disso, começamos o processo de negociação", conta.
Assim como a empresa brasileira manda interessados para o exterior, o Brasil também recebe as propostas. Ele conta que os proprietários de uma empresa querem vender uma refinaria de açúcar portuguesa querem vendê-la. Os europeus usavam o açúcar mascavo vindo das colônias africanas. "Para uma empresa brasileira que quer exportar para a Europa, ela vende o melaço e o açúcar mascavo para esta empresa, refina em Portugal e vende pela Europa inteira porque o produto está no mercado comum europeu", defende.
Conhecido pelo sigilo absoluto, este tipo de negociação ainda gera muita polêmica no Brasil. Moreira explica: "Quando uma empresa brasileira quem vender parte dela, qual é a primeira reação da imprensa? A empresa está quebrada".
Entre os motivos que podem levar uma empresa a querer um parceiro internacional estão a busca de maior profissionalização, de dar continuidade para a empresa, importar tecnologia e construir a ponte que se cria além das fronteiras.
Para Moreira, o Brasil é o país emergente de maior atratividade, já que concentra várias áreas de negócios. A primeira opção das empresas internacionais é fazer uma fusão com empresa brasileira, já que a adequação a uma cultura local, através da fusão, é feita com maior facilidade.
Se o empresário não conseguir fazer uma boa fusão, ele busca comprar uma empresa. Se não conseguir comprar, a última opção é montar de fato uma empresa.
O professor e consultor acredita que o país está no caminho certo. A redução das taxas de juros e o que ele considera um certo equilíbrio no câmbio podem ser soluções para o futuro.
As empresas de consultoria em fusões e aquisições também atuam na área de privatizações.
Moreira conta que um dos consultores da empresa no exterior disse que teria um cliente interessado em comprar um banco no Brasil. Moreira lembrou na hora do Banespa. Passou as informações relativas ao banco e à privatização em si.
Conversando com outro consultor, Moreira soube de um banco com um porte menor, embora o negócio, segundo ele, fosse de US$ 200 milhões. Entre as aquisições que a empresa negociou, Moreira destaca a compra da Atual Editora Ltda. pela Saraiva S/A.