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Erika de Lima
| Tempo de leitura: 8 min

125 mil veículos transitam em Bauru

125 mil veículos transitam em Bauru

Texto: Erika de Lima

O fluxo de veículos no trânsito começa a aumentar, devido a grande quantidade de carros que circulam na cidade.

Cerca de dez mil veículos zero quilômetro foram registrados como acréscimo anual em Bauru, pela 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). Além do registro realizado desde dezembro de 1998, sobre a circulação de 125 mil veículos na cidade, tornando as vias públicas intransitáveis, conforme os motoristas disseram.

Segundo o delegado da 5ª Ciretran, Ciro de Araújo Martins Bonilha, com este registro calcula-se que, aproximadamente há 128 mil veículos circulando em Bauru. "Esse número pode causar um congestionamento na cidade", afirma.

Esse índice representa os veículos registrados com sua documentação regularizada e sem contar os veículos que estão irregulares ou mesmo os que entram na cidade, vindos de outros municípios e Estados, como é o caso de universitários e de alguns profissionais.

De acordo com Bonilha, há uma dificuldade em ter um registro dos veículos que saem de Bauru e assim fazer uma estimativa anual, principalmente devido a 5ª Ciretran não possuir um sistema on-line. Mas ele sabe que o número de veículos pertencentes à frota, que saem de circulação,

é estimada em 2 mil para cada 10 mil. Isso significa, na opinião de Bonilha, que há uma saída de veículos de Bauru em torno de 40%. "Calculo que anualmente oito mil veículos zero quilômetro permaneçam em Bauru", completa.

O fluxo de veículos aumenta nos horários próximos

à abertura (8h) e encerramento do expediente (18h), os famosos "picos", quando muitos ficam aguardando pela sua vez para atravessar a avenida ou passar pelo semáforo.

Conforme informações fornecidas pela Data ITE, através da 5ª Ciretran, em 17 anos houve uma evolução no fluxo de veículos e também um aumento do estoque em Bauru. O fluxo anual de veículos licenciados ou transferidos, quadruplicou, desde o ano de 1981 a agosto de 1998.

Esse aumento significa que Bauru tem um veículo para cada três habitantes, ao passo que a média paulista é de 5 e a nacional de 15.

"Realmente há um grande número de veículos que circulam na cidade. No mês passado registramos 500 veículos zero quilômetro, neste mês já estamos com mais carros novos registrados", afirma Bonilha.

Ele também lembra, que há um movimento muito grande de veículos em Bauru, que se estende da manhã à noite.

Mas acredita que a população não deve se alertar, "há um fluxo intenso de veículos, o que pode resultar futuramente em um congestionamento, devido ao crescente número de frotas, uma conseqüência do aumento dos veículos na cidade, principalmente pelos vindos de outros municípios".

Para acabar com o transtorno que muitos bauruenses passam todos os dias, o delegado da 5ª Ciretran sugere, que sejam tomadas medidas para facilitar o escoamento do fluxo para outras ruas.

De acordo com o registro da Ciretran o aumento dos veículos alastra-se por toda a cidade, desde os bairros até ao centro. O qual segundo o delegado Bonilha, encontra-se um trânsito intenso de veículos em todos os horários, exceto

à noite, quando diminui o fluxo devido ao encerramento do expediente comerciário.

Para tanto Bonilha também pensa em uma alternativa para a redução do fluxo intenso. "Sendo necessário no futuro, poderá ser feito o uso de um carro por várias pessoas, que vão juntas ao mesmo local ou nas proximidades, como no trabalho ou na escola, para evitar assim, um possível congestionamento", completa.

Através dos muitos licenciamentos e registros feitos pela Ciretran, o delegado Ciro Bonilha, conclui que a cidade possui boas condições financeiras. Pelo fato de que, a cada família com seis membros, possui dois veículos no mínimo, o que aumenta o fluxo no trânsito.

Estacionamentos lotados

Para os estacionamentos o intenso fluxo de veículos torna-se vantajoso e lucrativo. Os estacionamentos lotam de veículos, sejam carros ou motos.

De segunda e sexta-feira são os dias em há mais movimento no Parking Estacionamento. "Geralmente o estacionamento fica lotado de carros, não há um dia específico", disse o manobrista, Paulo Roberto de Brito, 39 anos.

Devido a grande quantidade de automóveis nas ruas e a ausência de vagas para estacionar seus carros, os motoristas decidem optar por estacionamentos particulares.

Como é o caso da gerente de marketing, Silvia Rodrigues, 35 anos que sempre deixa seu carro no estacionamento. "Quando eu preciso vir ao centro da cidade, deixo meu carro no estacionamento, por não haver vagas na rua e também pela segurança que tenho", ressalta.

O delegado Bonilha acredita que se aumentar o número de estacionamentos privativos, diminuirá o fluxo de veículos.

"Como não temos congestionamento no trânsito e sim um fluxo intenso e lento, apenas em horários de picos, com um estacionamento pode reduzir o número de veículos no trânsito", opina.

Já Ângela não se conforma e critica a situação.

"Nós pagamos vários impostos e eu não aceito ter que pagar para um local para estacionar meu carro, sendo que devemos ter um lugar para nossa vaga", critica.

Para os motoqueiros não há muito problema no que diz respeito à ausência de vagas para suas motos, mas eles garantem que tem que procurar lugar para estacioná-las.

"Mesmo com a demora, eu acredito que é mais fácil encontrar uma vaga estando de moto, do que de carro", disse Josué da Silva Bezerra, 56 anos, aposentado.

Luciano Amaral, 21 anos, repositor de estoque, comenta que há muito desrespeito por parte dos motoristas e dos pedestres. "Alguns veículos chegam a atravessar na nossa frente", reclama.

Motoristas consideram trânsito caótico

Muitos motoristas consideram o trânsito de Bauru caótico e dizem ficar impacientes diante do intenso fluxo e da ausência de vagas para estacionar seus carros.

A motorista e vendedora Ângela Romiero, 23 anos, têm reclamado da falta de local para estacionar seus veículos.

"Quando venho ao centro da cidade, fico dando muitas voltas para encontrar um local para estacionar meu carro. Às vezes venho em horário de almoço e acabo não tendo tempo nem de ir ao banco", reclama.

Ela também reclama da bagunça que há no trânsito da rua Gustavo Maciel (do colégio São José).

"Mesmo com duas guardas orientando o trânsito há muita desorganização na rua Gustavo Maciel, principalmente em horário de almoço. Ou a gente fica meia hora tentando sair dali, ou então deve lembrar e desviar-se da rua", comenta.

Além do fluxo intenso, há também outros transtornos pelos quais os motoristas passam, como esperar veículos lentos liberarem passagem na rua, receber cortes de motos ou pedestres em frente seus veículos, entre outros.

O vendedor que viaja para outros municípios, Wanderson Roberto Rocha, 36 anos, acredita que o trânsito da cidade comparado aos demais está caótico. "Os motoristas não sabem usar fila dupla, em lugar que é permitido e acaba causando congestionamento. Falta também mais organização pela parte da própria Polícia de Trânsito", ressalta.

A empresária Sueli Aparecida Pereira Grijo, 46 anos, considera o trânsito muito complicado e por falta de vaga estacionou em local reservado aos clientes de uma farmácia e ficou aguardando o filho voltar de uma loja. "Está muito difícil de estacionar o veículo e o que é pior, só encontramos estacionamentos particulares, por isso fico dentro do carro esperando meu filho voltar", relata.

Para os motoristas, taxistas e motoqueiros não é diferente. Eles também reclamam do trânsito e do desrespeito mútuo. A rixa entre ambos parece eterna.

O mototaxista Carlos Augusto Baptistella, 22 anos, disse que há um desentendimento no trânsito tanto por parte do motorista quanto do motoqueiro. "Às vezes, os motoristas não respeitam os motoqueiros. Quando podem não dão abertura para o motociclista passar", afirma.

Ernandes Calhejan Munhoz, 29 anos, mototaxista, considera a atitude de muitos motoristas desrespeitadora. Ele conta que muitas vezes, quando os motoristas fazem conversões não dão seta, muitas vezes não respeitam a sinalização em local que há placas de Pare. "Nós acabamos saindo prejudicados, pois os motoristas de automóveis não respeitam a sinalização", critica.

O casal Antônio Ilhesca, 65 anos, e Acelina dos Santos Ilhesca, 59 anos, lembram que com a nova lei de trânsito, pedestres e motoqueiros desreipeitavam o trânsito. "Mesmo com o semáforo aberto para a passagem dos carros, os pedestres cortavam a nossa frente e os motoqueiros também", conta.

Sua esposa, Acelina já levou susto, devido aos motoqueiros passarem de forma rápida ao seu lado.

O taxista Waldemar Mateus, 59 anos, prefere apaziguar a briga e não concorda com a rivalidade entre motoristas. "Eu penso que no momento em que um motorista começar a respeitar o outro, haverá uma mudança e cessará a rixa", alerta.

Ele também afirma, que somente haverá uma melhora no trânsito, quando motoristas e pedestres obedecerem as leis de trânsito. "Somente assim os pedestres deixaram de andar no meio da rua e muitos dos motoristas que se julgam melhores que os outros evitarão brigas desnecessárias", finaliza.

Estatística dos acidentes referentes ao mês de março de 1999

A estatística dos acidentes de trânsito registrada pela 5ª Ciretran referente ao mês passado, aponta um considerável aumento. Em 1998 obteve-se 142 acidentes, já no ano passado o número aumentou para 168. Tendo 182 feridos; 176 com lesão corporal culposa e 5 mortes. Um total de 146 acidentes com vítimas e 16 sem vítimas.

(Veja tabela)

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