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Blecaute

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Pode mesmo ocorrer outro blecaute, diz Federaluz

Pode mesmo ocorrer outro blecaute, diz Federaluz

Texto: Márcia Buzalaf

Pode ocorrer mais um blecaute no País, com a situação caótica do sistema energético e seus caminhos em direção a mais privatizações. Esta

é a opinião do presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas Energéticas (Federaluz), Antonio Carlos dos Reis, o Salim, e presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT).

Em Bauru para participar de uma reunião corriqueira com os representantes sindicais do setor de distribuição energética, Reis disse que não há data estipulada para o leilão de privatização da Geração 1 (G1) da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), mas que o assunto gera muita polêmica.

O adiamento da privatização se deve, basicamente,

à questão da hidrovia, já que no edital não estava estipulada de quem seria a água e as barragens.

"Não há uma colocação específica, a respeito da hidrovia e das beiras, como seria utilizada ou não", questiona Reis.

Ele cita como exemplo de ação política a atitude do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que cancelo a privatização da Eletronorte para preservar a utilização das águas do Rio São Francisco pela comunidade do local, onde se necessita de constante irrigação.

Um exemplo de atitude sem sucesso é no caso da privatização de Furnas. Atualmente, desestatizada, a hidroelétrica passa por um momento delicado, com uma greve decretada para às zero horas do próximo dia 27, por tempo indeterminado. A reivindicação da categoria vai além de reajustes salariais. e acordo com Reis, Furnas tem uma dívida com a fundação Realgrandeza - criada com a contribuição dos trabalhadores da hidroelétrica - de R$ 1,2 bilhão.

"Os trabalhadores colocavam dinheiro, colocavam dinheiro, e a empresa não fazia sua parte. E também não quer aceitar essa dívida", afirma Reis.

A gravidade que esta greve pode ter no abastecimento é grande, segundo Reis, já que 40% da energia da região Centro-Sul vem de Itaipú, em que passa pelo sistema Furnas. A manutenção preventiva de lá é deficiente e, com a greve, não há manutenção corretiva.

O problema do sistema Furnas, segundo Reis, é que a energia comprada é muito cara e cobrada em dólares, o que está fazendo com que se compre apenas a demanda estimada.

"As distribuidoras de energia estão operando no limite", afirma. Isso pode acarretar, inclusive, outro blecaute.

Raio de Bauru

Reis afirma que a justificativa dada ao blecaute, de que um raio havia caído em Bauru, são insustentáveis e foram criadas apenas para que não se culpassem as distribuidoras, que, em sua maioria, são privadas.

A falta de investimento feito em alguns setores privatizados, de acordo com Reis, é a que mais tem responsabilidade no acontecimento do dia 11 de março. "Nós fomos pesquisar e soubemos que a nuvem mais carregada estava há 70 Km de Bauru. Como é que poderia ser um raio", questiona.

Ele disse que, desde 93, quando começou a se falar sobre a desestatização, já se discutia a falta de preparo do próprio setor.

Quanto à atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Reis diz que as multas aplicadas são praticamente "nada" para uma empresa como a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Frente à possível CPI da Novoeste, investigando o processo de privatização da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), as punições à Telefônica, Reis diz que há de se fazer uma mobilização para que haja uma regulamentação do setor elétrico, impondo direitos, deveres e punições às empresas.

"Nos Estados Unidos e na Inglaterra, eles já estão discutindo a desregulamentação da regulamentação", finaliza Reis.

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