Frio aumenta em 30% os casos de gripe
Frio aumenta em 30% casos de gripe
Texto: Sabrina Magalhães
Resfriados e crises de rinite são os atendimentos mais comuns nos consultórios médicos nesta época do ano
Uma massa de ar frio que passou pelo estado nos últimos dez dias, causando queda brusca na temperatura, fez aumentar em 30% o número de atendimentos nos pronto-socorros da cidade em função da gripe. De acordo com o diretor do Pronto-Atendimento Infantil (PAI), Felinto dos Santos Neto, isso acontece porque o frio é a época ideal para a reprodução dos vírus: "Os vírus estão sempre aí, só que eles ficam quietinhos, dormindo, não incomodam muito. Mas quando tem essa queda da temperatura, eles começam a se multiplicar e aparecem. É como se estivessem acordando".
Especialistas estimam que só a gripe é responsável pelo mal-estar de 600 milhões de pessoas por ano, o equivalente a 3,7 vezes a população inteira do Brasil. O problema
é que a Medicina ainda não encontrou um medicamento para acabar com ela. Pior: a cada temporada ela pode aparecer de um jeito, afinal, a principal característica dos vírus
é exatamente seu grande poder de adaptação e mutação.
Defesa e mutação
O corpo humano é dotado de um complexo mecanismo de auto-defesa, o sistema imunológico, que vai sendo aperfeiçoado com o passar dos anos. Funciona assim: sempre que um vírus
"invade" o organismo, o cérebro ordena às células do sistema imunológico que estudem o "inimigo", que armem-se contra ele e combatam-no. Ao vencer a batalha, restam alguns destes "soldadinhos" - os anticorpos -, que vão ficar à espera de uma nova invasão.
É por isso que não se pega catapora e sarampo, por exemplo, duas vezes: na primeira vez em que o vírus invade um organismo, cria-se um exército contra ele. Se no futuro outro vírus da mesma doença aparecer, os soldadinhos o barram logo na entrada.
Porém, o vírus tem uma incrível capacidade de se "camuflar" - um processo conhecido por mutação, ou seja, ele se adapta a determinadas condições e reaparece com outra forma. Então, ao "invadir" o corpo, os anticorpos podem não reconhecê-lo, permitindo a manifestação da virose. Aí recomeça todo o processo de formação do exército, só que desta vez com um "novo" inimigo.
Felinto explicou que é daí que vêm as variações na intensidade da gripe, bem como nos nomes que elas ganham: "Existem
épocas em que os vírus vêm mais amenos, porque não sofreram muitas mutações genéticas e encontram os anticorpos. Em outras, porém, eles mudam tanto, que o organismo não está preparado para recebê-los, de onde vêm as epidemias de gripe".
Linha de fogo
Médicos infectologistas de todo o mundo alertam para a possibilidade de surgirem novas epidemias de gripe, como as que já mataram milhares de pessoas no passado. Uma das piores pandemias da história, por exemplo, a Gripe Espanhola matou mais de 20 milhões de pessoas no mundo em 1918. Um número duas vezes maior que o saldo de mortos da Primeira Guerra Mundial. Só no Brasil, a Gripe Espanhola fez 300 mil vítimas fatais.
De acordo com Felinto, a mutação dos vírus acontece no organismo dos animais. Um caso recente que preocupou o mundo foi a "gripe da galinha". Em 1998, exames detectaram no organismo humano um vírus antes só detectado nas aves. Na época, temia-se tanto uma grande mutação
(o que poderia provocar uma pandemia), que por medida de segurança todos os frangos de Hong Kong foram sacrificados. Até agora não foi desenvolvida uma vacina e o vírus continua por aí.
"Nas últimas reuniões de médicos infectologistas, tem sido comentada a preocupação deles em relação
às mutações e o Brasil é um dos países que estão sendo observados de perto para que não haja epidemia de nenhuma virose." Estes países são aqueles onde há certa facilidade de mutação, pelo tamanho e variedade da fauna.
Nomes e terminações
As doenças, em sua maioria, recebem nomes científicos derivados do grego. Por isso, as últimas letras da palavra, as terminações, já nos revelam a natureza da moléstia. Confira:
* ...ite: como em laringite, hepatite, apendicite, significa inflamação
(da laringe, do fígado, do apêndice). A inflamação
é o mais comum dos danos que podem atingir um órgão. O tecido inflamado apresenta inchaço, vermelhidão e dor.
* ...ose: como em virose e micose, indica a causa da doença
(vírus, fungos microscópicos) ou a forma em que a doença se manifesta, como no caso da tuberculose ( o
órgão afetado apresente nódulos denominados tubérculos).
* ...oma: como em sarcoma, fibroma, melanoma, indica um tumor, benigno ou maligno. Os sarcomas são os tumores dos ossos e dos músculos; os carcinomas são tumores malignos mais freqüentes e podem afetar glândulas ou tecidos de revestimento.
* ...algia: como nevralgia, pubalgia, significa dor (nos nervos, no púbis).
* ... (r)réia: como em galactorréia, diarréia e seborréia, indica um fluxo excessivo (de leite, de fezes, de sebo), acompanhado de dores.
* ...emia: como em leucemia ou talassemia, indica uma doença do sangue.
Fonte: Enciclopédia Conhecer 2000