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Caso da fita

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Caso da fita será julgado em Bauru

Caso da fita de Izzo será julgado em Bauru

Texto: Nélson Gonçalves

Denunciação caluniosa contra Izzo Filho será remetida pelo Tribunal de Justiça para julgamento em primeira instância

A ação de denunciação caluniosa contra Antonio Izzo Filho (sem partido), que tramita na Justiça desde o segundo semestre de 1996, finalmente pode ir a julgamento. Concluído o inquérito policial e as manifestações das partes, o Tribunal de Justiça solicitou à Câmara Municipal documentos sobre a segunda cassação do mandato de Izzo. Em seguida, o processo será remetido ao Fórum de Bauru para julgamento. A ação trata do polêmico caso da fita, gerado a partir de afirmação de Izzo Filho, ainda na campanha eleitoral de 1996, de que teria gravação que provaria que vereadores teriam tentado extorqui-lo em troca da derrubada de parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE), na Câmara Municipal.

O desembargador relator Oliveira Ribeiro solicitou à Câmara Municipal a remessa de documentos sobre a segunda cassação de mandato de Izzo, realizada em 18 de fevereiro último, por unanimidade, em denúncias de cobrança de propina contra a gestão passada. Conforme a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ), o processo já está retornando para o relator com as informações e, em seguida, será remetido para julgamento. Como o fato

(denunciação caluniosa) aconteceu quando Izzo Filho ainda não era prefeito, o processo será remetido para julgamento em Bauru, sem a necessidade do fórum privilegiado. Aqui, já praticamente concluído em sua fase de instrução, o processo será distribuído normalmente.

O réu Izzo Filho já foi ouvido na ação de denunciação caluniosa, bem como o principal acusado pelo ex-prefeito, o ex-vereador Walter Costa (PMDB). Outras testemunhas, como o correligionário de Izzo, Aparecido de Oliveira (Piraju) e o gráfico Nivaldo de Oliveira, também já prestaram declarações no Fórum de Bauru. O ex-vereador Walter Costa (PMDB) também aguarda julgamento da ação para reparação civil de danos contra o ex-prefeito, em relação ao mesmo fato. O caso estava sendo analisado pelo juiz José Roberto Spoldari.

Para lembrar, o caso da fita, com a denunciação caluniosa contra Izzo Filho, foi gerado a partir de declarações do então candidato a prefeito, no segundo semestre de 1996, de que teria gravação onde provaria que vereadores teriam tentado extorqui-lo. A troca na suposta proposta seria em função da não aprovação de relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Izzo teve suas contas rejeitadas e só conseguiu ser candidato naquela eleição por força de liminar que manteve o processo sub-judice.

A afirmação do então candidato a prefeito levou à abertura de inquérito policial, solicitado pelo Ministério Público. Como Izzo retardava a divulgação da suposta fita, o juiz na época, Thadeu Toledo Soares determinou, praticamente às vésperas da eleição, em outubro de 96, que o material fosse entregue à Polícia Civil. O conteúdo, entretanto, não trouxe informações sobre o que foi lançado por Izzo, nem tão pouco vozes de vereadores.

A versão era de que dois emissários de Izzo, Piraju e Benê (Benedito Rosa, ex-diretor da Cohab-Bauru), teriam ido até o bar Alternativa, no centro, para conversar com pelo menos um vereador, na época. Do diálogo teria saído a suposta proposta de tentativa de extorsão em função da votação sobre o relatório das contas pela Câmara Municipal. O laudo da fita mostra diálogos dispersos, sem noção clara do que estava sendo levantado. Os interlocutores na fita entregue à polícia também não são identificados.

De posse dessas informações, o promotor José Roberto Martins Segalla propÃs ação contra Izzo Filho. O caso da fita foi parar no Tribunal de Justiça. Nesse período de tramitação o gráfico Nivaldo de Oliveira acabou gravando conversa com o emissário de Izzo, Piraju. Nesta fita, que também foi juntada ao processo, Piraju indica que a tal gravação que provaria extorsão não seria merecedora de crédito e que sua participação serviu para ajudar no processo eleitoral. Piraju diz que "elegeu o Izzo" com o uso do material durante boa parte da campanha eleitoral.

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