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Psicultura

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Piscicultura da Cesp: peixe no rio

Piscicultura da Cesp: peixe no rio

Texto: Roberta Mathias

Quando a gente chega em casa, cansado do dia todo de trabalho, relaxa e liga a TV, esquece de pensar o que podemos estar ganhando e perdendo com a evolução tecnológica. A energia que "brota" de nossas paredes passa por uma grande viagem até poder nos proporcionar esse conforto. As usinas hidrelétricas implantadas nos rios, são fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de muitas comunidades.

É quase impossível imaginar a vida em um local onde a iluminação só é feita por intermédio de lampiões. Banho quente, nem pensar! Mas felizmente há bastante tempo desfrutamos da luz elétrica. Mas para que toda essa energia chegue até as casas e indústrias, dependemos quase que exclusivamente do poder de nossos rios.

A Cesp (Companhia Energética de São Paulo) é responsável pelo abastecimento energético no Estado, sem, contudo, esquecer-se da preservação ambiental.

É sabido que a maioria dos peixes brasileiros precisam subir o rio (período de piracema) para se reproduzir. Porém, ao encontrar com uma barragem, esse percurso fica limitado e o processo interrompido.

Uma boa alternativa adotada foi a construção de escadas, que permitem aos peixes concluírem seu ciclo de reprodução. Mas entre as várias barragens há muitos anos em atividade no estado de São Paulo, somente duas (Moji Guaçu e Porto Primavera) possuem escadas para peixes.

A Cesp explica que nem sempre a escada é suficiente para garantir a reprodução dos peixes de piracema, pois

é necessário que eles encontrem, após a barragem, um ambiente que propicie a reprodução. No caso de Moji Guaçu e Porto Primavera o resultado tem sido bastante positivo. A alternativa encontrada pela Cesp foi a implantação de pisciculturas que procuram equilibrar o repovoamento dos rios.

O trabalho de pesquisa desenvolvido pela Cesp tem solucionado vários problemas nos rios brasileiros e também auxiliado no repovoamento em suas águas. A reprodução da piabanha, por exemplo, recebeu inclusive os prêmios Top e Super Top de Ecologia, da ADVB (Associação de Dirigentes de Venda do Brasil) em 97 e 98, respectivamente. A espécie da bacia do rio Paraíba do Sul estava ameaçada de extinção, quando a Cesp lançou mais de 400.000 alevinos de piabanha nos rios Paraibuna, Paraíba do Sul e afluentes, evitando o desaparecimento da espécie.

Entre os resultados obtidos pelas pesquisas, a necessidade de introduzir os alevinos com maior tamanho, de 6 cm para 10 cm, o que aumenta suas chances de sobrevivência. Outra medida importante adotada pela piscicultura da Cesp está relacionada

às espécies em produção. Reduziu-se a criação da tilápia e da carpa, que são espécies exóticas, e intensificou-se a criação de outras espécies nativas, como curimbatá, pacu-guaçu, piapara, piracanjuba, pirapitinga e lambari.

Mas é importante lembrar que apenas a colocação de alevinos nos rios não é suficiente para sanar todos os problemas que enfrentam os nossos rios.

Além disso, é preciso que as margens sejam reflorestadas, o lixo industrial não seja despejado nos rios e a pesca predatória deixe de existir. Infelizmente, o respeito pela vida ainda está longe de ser alcançado. O mesmo pescador que se diverte durante o dia retirando belos exemplares das águas do rio, deixa ao seu redor um rastro de embalagens descartáveis, latas, garrafas. Isso sem falar na pesca no período de piracema.

É necessário o empenho de todos para que os nossos rios sejam recuperados em toda a sua beleza e vida. Ainda há tempo!

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