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Delegacias regionais

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Cidades agem para manter Regionais de Polícia

Cidades agem para manter Regionais de Polícia

Texto: Nélson Gonçalves

Grupos políticos de Presidente Prudente, Rio Preto, Ribeirão Preto e Jundiaí agem para impedir extinção de Delegacias Regionais

O estudo em andamento na Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, que pretende propor a extinção de Delegacias Regionais de Polícia, já gera movimentação de grupos políticos em todo o Interior. Informações de diferentes representantes políticos no Estado são de que deputados e lideranças regionais de cidades como Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Jundiaí já iniciaram contatos visando a manutenção de suas respectivas regionais de polícia, antes mesmo do projeto ser levado ao governador Mário Covas

(PSDB).

Pela proposta ventilada nos bastidores, as Delegacias Regionais da Polícia Civil espalhadas pelo interior do estado de São Paulo devem ser extintas. Um projeto de reestruturação está sendo discutido entre representantes do primeiro escalão da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Um dos estudos aponta a eliminação de todas as regionais tidas como tipicamente do Interior, ficando apenas três das 18 atuais. O comando da Polícia Civil em Bauru, por exemplo, ficaria subordinado a Sorocaba, em uma proposta que já

é comentada nos quatro cantos do Estado.

Os estudos já estão sendo feitos há algumas semanas, mas o comando da Polícia Civil estava tomando cuidados para que o assunto não vazasse, evitando antecipar eventuais polêmicas e reações políticas, sobretudo no Interior. O projeto estaria no Departamento de Planejamento

(Deplan) da Polícia Civil no Estado, em discussão junto com o Departamento do Interior (Deinter). O Deinter é comandado pelo delegado Luiz Roberto Ramada Spadafora que teria a incumbência de apresentar uma proposta oficial ao secretário de Segurança Pública, Marco Antonio Petreluzzi.

O projeto de eliminação de Delegacias Regionais

é confirmado por representantes do governo do Estado. Tucanos de Bauru também deram demonstração que sabem do assunto mas até agora não fizeram nenhum comentário oficial sobre o assunto. A proposta mais comentada no Deinter da Polícia Civil seria a de que o Estado seria dividido em três áreas. A intenção é reduzir o número de regionais existentes hoje. Das 18 regionais de polícia que existem atualmente ficariam três. Um estudo propõe que uma sede administrativa tenha abrangência sobre o litoral paulista, com o comando fixado em Santos. Outra sede representaria o baixo Tietê, com a central em Campinas. A terceira cobriria a área do alto Tietê, com sede em Sorocaba.

Por esse estudo, todas as novas sedes regionais ficariam localizadas próximas à capital. O restante do Interior, que representa a maior área do Estado, ficaria dividido entre Campinas e Sorocaba. Bauru, por exemplo, ficaria subordinada à Sorocaba, se o projeto for levado em frente com essa estrutura.

Entretanto, através de contatos feitos por lideranças políticas das regiões mencionadas, foi citado que cada grupo tenta antecipar a discussão visando garantir uma sede em sua cidade, na eventual confirmação da reorganização. A partir de então, agentes políticos já passaram a defender a criação de pelo menos mais duas ou três departamentos regionais, numa tentativa de ampliar o número inicial e aumentar a redivisão do Interior.

Ontem, por telefone, um assessor do delegado titular do Departamento do Interior (Deinter), Luiz Roberto Ramada Spadafora, confirmou que o estudo existe mas desconversou sobre seu conteúdo e aplicação. A assessoria de imprensa do secretário de Segurança Pública também evitou falar no assunto e estranhou, inclusive, pronunciamento do Delegado Regional de Polícia de Bauru, Moysés Cocito, sobre o assunto. A ordem é que nem mesmo o comando da polícia fale sobre o tema por enquanto.

Opinião dos deputados

Os deputados estaduais por Bauru, Pedro Tobias (PDT) e Carlos Braga (PPB) acompanham as repercussões da notícia de estudo para reestruturação na Polícia Civil. Ambos acham que qualquer decisão só deve ser tomada depois que o assunto for discutido com os representantes políticos do Interior, na Assembléia Legislativa, e o usuário do sistema, a população.

Ontem, Pedro Tobias ponderou que uma eventual mudança seria admitida se a extinção de Delegacias Regionais significar a melhoria dos serviços operacionais. Tobias defende que qualquer mudança seja feita se a estrutura das Delegacias Seccionais, que é quem efetivamente vai para a rua, for acrescida. "Eu tenho verificado que a extinção de Delegacias Regionais tem resistência dos comandos e não de delegados, que são aqueles que convivem diretamente com a ação policial. O primeiro ponto é que acho fundamental o fortalecimento das Seccionais e não vejo restrições para discutir, em princípio, a redução da estrutura administrativa. A Regional não é operacional. De qualquer maneira o assunto merece ser discutido com tranquilidade", fala Tobias.

Para Carlos Braga (PPB) a extinção de regionais de polícia deve obedecer um programa de melhoria da qualidade dos serviços de segurança pública em todo o Estado. "Se a extinção deste ou aquele comando for colocada apenas do ponto de vista burocrático não vejo nenhum benefício para o usuário. Se a proposta trazer melhoria dos serviços para a população vamos discutir", coloca.

Entretanto, Braga acha que a eventual redivisão do Interior em relação ao alto comando da Polícia Civil deve "levar em consideração critérios técnicos e de representatividade de cada região. Nesse aspecto eu coloco desde já que Bauru está em posição estratégica, representa uma posição privilegiada em relação à capital e não pode ser descartada simplesmente por uma decisão de redução administrativa. Se tiver que enxugar a estrutura que seja para melhorar os serviços, esse é o primeiro ponto. E se for para reduzir a estrutura administrativa que seja feita uma proposta que leve em consideração a representatividade do Interior e suas diferenças sociais e geográficas".

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