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Venda pela Internet

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 5 min

Loja virtual é mercado em expansão

Loja virtual é mercado em expansão

Texto: Márcia Buzalaf

Apesar do Brasil não ter cultura de vender produtos pela Internet, o mercado cresce, a cada ano, 12%, sendo que as vendas no comércio tradicional aumentam apenas 2% anualmente. Apesar das empresas considerarem um investimento não tão seguro, as empresas que produzem os sites anunciam: sai na frente quem começar primeiro. O custo do investimento em uma loja virtual pode iniciar em R$ 1 mil, e, na manutenção, o gasto é a partir de R$ 200,00.

Com exceção de um único supermercado em Sorocaba, a rede Santo AntÃnio de Bauru é o único estabelecimento que faz vendas pela Internet. De acordo com a diretora de marketing do Santo AntÃnio, Lucinha Svizzero Cabello, 41 anos, o movimento na Santo AntÃnio Net Home é crescente, mês após mês. "Nos primeiros meses deste ano, aumentou 100% em relação ao ano passado", afirma.

Atualmente, o supermercado atende cerca de 450 clientes por mês, sendo que, no início de suas atividades, em dezembro de 97, atendia um cliente a cada dois dias. O perfil do consumidor/internauta, de acordo com Cabello, é, predominantemente, de homens ou empresas. O custo de manutenção da loja virtual, para Cabello, é pequeno, perto do investimento futuro que a rede faz. Com a entrega terceirizada, a loja atende apenas consumidores de Bauru e Piratininga.

O retorno financeiro da loja virtual é pequeno, mas Cabello diz que a melhora da imagem do supermercado também é importante.

Para o consultor da Internet, Paulo Eduardo Milreu, 29 anos, alguns produtos, pela própria particularidade deles, têm maior dificuldade de serem vendidos pela Internet.

Os produtos ligados à informática detém a maioria dos produtos comercializados pela rede (40%), de acordo com recente pesquisa da Ernst & Young, nos Estados Unidos, seguidos pelos livros, com 20%, e pelas viagens, com 16%. Lá, até o McDonald's vende pela Internet, entregando os produtos na casa do consumidor.

De acordo com o diretor de publicidade e comércio eletrÃnico do Universo On Line (UOL), Alon Feurwerker, 43 anos, as 50 lojas virtuais do provedor vendem mais de R$ 2 milhões por mês. Considerando que a venda média é de R$ 100,00, mais de 20 mil transações mensais estão sendo efetuadas neste comércio.

O crescimento da receita "virtual", segundo Feurwerker, fica entre 5% e 10% ao mês. Por estes motivos, Feurwerker diz que todos os produtos, são vendáveis pela rede.

"Dá para vender tudo pela rede: carro, sapato, roupa, comida...", completa. Para ele, os principais produtos comercializados pela rede no Brasil são do ramo de supermercados, informática, livros e CD's, além dos bancos que investem na informatização.

Na opinião do gerente comercial da Travelnet, Luiz Eduardo Bertolacini Lopes, 28 anos, para se saber quais produtos podem ser vendidos pela rede, tem que se levar em conta o perfil do internauta. "Geralmente, são pessoas com o poder aquisitivo um pouco maior", afirma.

No Brasil, os grandes centros estão se especializando cada vez mais em vendas pela rede, como a comercialização de CDs e livros pelas grandes lojas culturais, como a Saraiva, Cultura e BookNet (maior loja virtual de livros, que hoje em dia tem lojas "reais", parecida para a norte-americana Amazon).

O setor bancário também está investindo nos sites que, cada vez mais, oferecem serviços diferenciados. Como exemplo, Milreu cita o Bradesco, que está testando em algumas cidades o Smart Card, cartão que carrega uma quantia se inserido em um aparelho acoplado ao computador, diretamente conectado com a conta corrente do cliente/usuário do sistema.

Para Milreu, a iniciativa de iniciar as vendas pela rede de computadores

é uma das únicas formas de ser pioneiro em negócios atualmente. "Se quiser montar uma lanchonete rápida, por exemplo, já tem as redes de fast food, ou seja, para ser pioneiro hoje em dia, só mesmo usando a Internet", completa.

Ser pioneiro na Internet, segundo Milreu, significa ser pioneiro em um caminho que já não tem mais volta. E 99, em particular, é indicado para este tipo de investimento, já que o consumo está em queda e o conselho dos especialistas é de investimentos na estrutura da empresa.

Investimento

O custo para se montar uma loja virtual, segundo Milreu, é extremamente baixo se comparados com os custos de montar uma empresa

"virtual". O custo mensal de manutenção gira em torno de R$ 200,00, sendo que o investimento inicial é de, pelo menos, 1 mil. Segundo Milreu, o custo depende muito do tipo de loja.

No Santo AntÃnio, o custo inicial do investimento não foi tão pequeno, mas, a manutenção da loja virtual, garante Cabello, é baixo.

De acordo com Feurwerker, do UOL, a loja virtual do Pão de Açúcar atende 25% do sistema de delivery (entrega) da rede através da Interet.

Para Lopes, o custo depende de vários fatores, entre eles, a segurança, a quantidade de produtos, o tipo de entrega e da home page.

Em alguns casos, o interessado faz uma parceria com a empresa de informática que pressupõe uma participação no capital investido e nos lucros. "Tem empresa que tem receio de investir nisso sozinha", conta Milreu.

Para Lopes, da Travelnet, existem dois tipos de contratos que se encaixam perfeitamente no tipo de investimento e perfil do interessado. A participação em shoppings virtuais, segundo Lopes, é mais barato e padronizado. Neste tipo de loja, o interessado se associa ao shopping virtual que cobra uma cota de participação sobre as vendas da loja.

O site de vendas individual da empresa, segundo Lopes, valoriza a diferenciação dos produtos e dos serviços, apesar de ter um custo maior.

Bauru tem 10 provedores de Internet, o que é um número alto para o porte da cidade. Para Milreu, esta forte concorrência deve trazer maior qualidade dos serviços prestados nas empresas, para futuro desenvolvimento do setor. Milreu diz que, em uma recente pesquisa feita na cidade, Bauru registrou cerca de 10 mil usuários da rede.

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